{"id":3198,"date":"2012-08-21T15:12:51","date_gmt":"2012-08-21T18:12:51","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/grito-do-cerrado-2\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:51","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:51","slug":"grito-do-cerrado-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/grito-do-cerrado-2\/","title":{"rendered":"Grito do Cerrado"},"content":{"rendered":"<p>.<br \/>\n<b>S\u00e1tyro Pohl Moreira de Castilho, engenheiro civil e presidente do Crea-MT<\/b><\/p>\n<p>O Grito do Cerrado aconteceu na semana passada, em Bras\u00edlia, envolvendo entidades diversas e com &#8211; inclusive &#8211; a participa\u00e7\u00e3o de \u00edndios xavantes. O evento conseguiu a promessa da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, de maior e melhor aten\u00e7\u00e3o para o cerrado brasileiro, considerado ber\u00e7o de \u00e1guas no pa\u00eds. \u00c9 no cerrado que est\u00e3o as nascentes dos principais rios brasileiros, salvo exce\u00e7\u00f5es. Em Mato Grosso, na linha mediana do Estado, nascem rios que ir\u00e3o formar, de um lado, a Bacia Amaz\u00f4nica e, de outro, a Bacia do Prata.<\/p>\n<p>Quem chega ao munic\u00edpio de Alto Paraguai e verifica a situa\u00e7\u00e3o do pequeno rio na entrada da cidade fica abismado: como esse rio consegue, com tanto assoreamento, ser o mesmo caudaloso de Corumb\u00e1? O mesmo pode ser dito em Alto Araguaia. Nesse caso, o rio Araguaia sai da regi\u00e3o Sul de Mato Grosso e passa por vo\u00e7orocas imensas, grandes eros\u00f5es, que ocorrem pelo plantio indiscriminado \u00e0s margens. E o rio Taquari? Tamb\u00e9m enfrenta assoreamento preocupante. E por a\u00ed vai&#8230;<\/p>\n<p>Quando o governo federal, nos anos 70, formulou a pol\u00edtica de ocupa\u00e7\u00e3o de Mato Grosso por agricultores da regi\u00e3o Sul do pa\u00eds n\u00e3o se preocupou, de forma contextualizada e aprofundada, com o impacto que a agropecu\u00e1ria almejada poderia desencadear no cerrado. Imensas \u00e1reas de terra, onde cresciam as plantas baixas e resistentes do cerrado, em poucos anos se transformaram em mares de soja, milho, arroz e, posteriormente, algod\u00e3o e sorgo. Planta-se independentemente de nascentes h\u00eddricas. Pulveriza-se agrot\u00f3xico independentemente de estudos t\u00e9cnicos. Queima-se vegeta\u00e7\u00e3o independentemente de qualquer apelo.<\/p>\n<p>Mato Grosso cresceu, Goi\u00e1s cresceu, Mato Grosso do Sul cresceu&#8230; Os gr\u00e3os desses Estados s\u00e3o salutares para a balan\u00e7a comercial brasileira. Mas o fato \u00e9 que esse desenvolvimento agr\u00edcola se fez em grande parte em detrimento ambiental. E a preocupa\u00e7\u00e3o continua, j\u00e1 que organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais denunciam a polui\u00e7\u00e3o de nascentes que abastecem o Parque Ind\u00edgena do Xingu por causa da expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola no leste mato-grossense.<\/p>\n<p>Certamente, a culpa pelo quadro ambiental no cerrado n\u00e3o \u00e9 do produtor apenas. Em maior parte \u00e9 do poder p\u00fablico que n\u00e3o organizou a ocupa\u00e7\u00e3o dessas terras e n\u00e3o fez um planejamento ambiental consistente. E sempre foi assim no pa\u00eds, com qualquer \u00e1rea econ\u00f4mica. O garimpo em Mato Grosso destruiu recursos h\u00eddricos e matas justamente porque o poder p\u00fablico lavou as m\u00e3os.<\/p>\n<p>Enfim, importante foi o Grito do Cerrado. Espera-se que tenha sido suficiente para acordar o setor ambiental do governo federal. Espera-se que tenha sido alto o bastante para se fazer ouvir por todos aqueles que atuam direta ou indiretamente com o cerrado brasileiro.<br \/>\n___________<br \/>\n<i>Este espa\u00e7o \u00e9 atualizado toda segunda-feira<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. S\u00e1tyro Pohl Moreira de Castilho, engenheiro civil e presidente do Crea-MT O Grito do Cerrado aconteceu na semana passada, em Bras\u00edlia, envolvendo entidades diversas e com &#8211; inclusive &#8211; a participa\u00e7\u00e3o de \u00edndios xavantes. 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