{"id":3149,"date":"2012-08-21T15:12:57","date_gmt":"2012-08-21T18:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/arquitetura-e-sustentabilidade\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:57","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:57","slug":"arquitetura-e-sustentabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/arquitetura-e-sustentabilidade\/","title":{"rendered":"Arquitetura e sustentabilidade"},"content":{"rendered":"<p><b>Marcelo J. Meiri\u00f1o, arquiteto e urbanista , formou-se em 1995 pela FAU\/UFRJ e \u00e9 membro do Grupo E3 \u0096 Efici\u00eancia Energ\u00e9tica em Edifica\u00e7\u00f5es, grupo composto por especialistas em racionaliza\u00e7\u00e3o no uso da energia el\u00e9trica em edifica\u00e7\u00f5es &#8211; www.vitruvius.com.br<\/b><\/p>\n<p>At\u00e9 que ponto e de que forma a arquitetura contribui na busca por uma sociedade sustent\u00e1vel? Entende-se como desenvolvimento sustent\u00e1vel, aquele capaz de atender \u00e0s necessidades das atuais gera\u00e7\u00f5es sem comprometer os direitos das futuras gera\u00e7\u00f5es. As quest\u00f5es ambientais e escassez de recursos energ\u00e9ticos fazem parte desse discurso; \u00e9 na forma como arquitetos e engenheiros se inter-relacionam com esses temas que se d\u00e1 a contribui\u00e7\u00e3o da arquitetura na sustentabilidade.<\/p>\n<p>Abordaremos neste artigo a escassez de recursos energ\u00e9ticos e sua rela\u00e7\u00e3o com a Arquitetura. A gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica a partir de combust\u00edveis f\u00f3sseis (recurso finito), por meio de termel\u00e9tricas que geram alto custo ambiental e est\u00e3o sujeitas aos &#8220;humores&#8221; do mercado do petr\u00f3leo, mostrou-se desinteressante aos pa\u00edses europeus j\u00e1 a partir de 1973 com o choque do petr\u00f3leo, que abalou o sistema energ\u00e9tico europeu.<\/p>\n<p>O discurso ambiental s\u00f3 veio a se incorporar \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas na \u00faltima d\u00e9cada, como forma de contribui\u00e7\u00e3o no atendimento \u00e0s metas estabelecidas no Protocolo de Kyoto. Nesse momento surgem as primeiras iniciativas no \u00e2mbito da economia e uso racional de energia el\u00e9trica, pol\u00edtica que atingiu em cheio as edifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando a Fran\u00e7a, por exemplo, entre 1973 a 1989 obteve uma economia de 42% no setor, por meio de uma legisla\u00e7\u00e3o visando o uso racional desse insumo em suas edifica\u00e7\u00f5es, o modelo franc\u00eas passou a ser adotado em toda a Europa. No in\u00edcio dos anos 90 foi a vez dos EUA, tornar obrigat\u00f3ria a ado\u00e7\u00e3o de legisla\u00e7\u00e3o para economia e uso racional de energia el\u00e9trica em edifica\u00e7\u00f5es em todos os estados da federa\u00e7\u00e3o, embora alguns j\u00e1 a possu\u00edssem antes da obrigatoriedade.<\/p>\n<p>A esse conceito que envolve um vasto conjunto de procedimentos e estrat\u00e9gias tanto em etapas de projeto como em retrofits (&#8220;reformas&#8221;) que visam garantir o uso racional da energia e conforto aos usu\u00e1rios, denominamos Efici\u00eancia Energ\u00e9tica em Edifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Esse conceito s\u00f3 agora come\u00e7a a chegar ao Brasil, possivelmente porque as hidroel\u00e9tricas \u0096 respons\u00e1veis por 82,36% da energia el\u00e9trica produzida no Brasil \u0096 produzem um impacto ambiental muito menos alardeante que as emiss\u00f5es atmosf\u00e9ricas das termel\u00e9tricas (padr\u00e3o europeu e americano por exemplo), al\u00e9m de sua produ\u00e7\u00e3o teoricamente virem suprindo nossas necessidades, ao menos at\u00e9 \u00e0 pouco quando vieram os &#8220;apag\u00f5es&#8221; em 2001; conserva\u00e7\u00e3o e uso racional de energia el\u00e9trica passou a ser preocupa\u00e7\u00e3o constante, impulsionando inclusive a certifica\u00e7\u00e3o (&#8220;etiquetagem&#8221;) de aparelhos eletrodom\u00e9sticos, facilitando a op\u00e7\u00e3o por aparelhos poupadores de energia.<\/p>\n<p>Mas onde entra a arquitetura e o arquiteto, devem estar se perguntando? Na elabora\u00e7\u00e3o de projetos energeticamente eficientes, atrav\u00e9s de uma arquitetura adaptada ao clima, considerando a ilumina\u00e7\u00e3o natural integrada \u00e0 artificial, na especifica\u00e7\u00e3o de acabamentos e materiais adequados ao clima, no uso de ventila\u00e7\u00e3o natural, entre outros aspectos. Enfim na elabora\u00e7\u00e3o de uma edifica\u00e7\u00e3o de fato inteligente, menos casu\u00edstica e desnecessariamente automatizada.<\/p>\n<p>De certa forma essa nova onda que irreversivelmente est\u00e1 chegando ao Brasil, traz de volta o ato projetual consciente, perdido h\u00e1 muito pela grande maioria dos arquitetos e engenheiros, traz consigo tamb\u00e9m novos horizontes de mercado de trabalho, tanto na elabora\u00e7\u00e3o de projetos novos como na adequa\u00e7\u00e3o (retrofits) de edifica\u00e7\u00f5es existentes; essas oportunidades v\u00e3o desde estudos de sombreamento at\u00e9 a elabora\u00e7\u00e3o de cadernos de encargos para empresas privadas, simula\u00e7\u00e3o computacional, elabora\u00e7\u00e3o de normas p\u00fablicas, comissionamento e certifica\u00e7\u00e3o de edifica\u00e7\u00f5es, entre outras.<\/p>\n<p>O setor de edifica\u00e7\u00f5es residenciais e comerciais consomem 43% de energia el\u00e9trica no Brasil. Em pesquisa de campo, conforme constatado por Juan e L\u00facia Mascar\u00f3: &#8220;20 a 30% da energia consumida seriam suficientes para o funcionamento da edifica\u00e7\u00e3o; 30 a 50% da energia consumida s\u00e3o desperdi\u00e7ados por falta de controles adequados da instala\u00e7\u00e3o, por falta de manuten\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m por mau uso; 25 a 45% da energia s\u00e3o consumidos indevidamente por m\u00e1 orienta\u00e7\u00e3o da edifica\u00e7\u00e3o e por desenho inadequado de suas fachadas, principalmente&#8221; e ainda &#8220;um mesmo projeto de edifica\u00e7\u00e3o em locais diferentes, pode provocar aumento de at\u00e9 80% da demanda de energia el\u00e9trica, por exemplo, quando se compara Bel\u00e9m e Porto Alegre&#8221;.<\/p>\n<p>A princ\u00edpio poder\u00edamos pensar que efici\u00eancia energ\u00e9tica em edifica\u00e7\u00f5es se daria basicamente atrav\u00e9s do uso de equipamentos ou ilumina\u00e7\u00e3o mais eficientes, mas na verdade como vimos cabe \u00e0 arquitetura e conseq\u00fcentemente aos arquitetos a maior parcela de contribui\u00e7\u00e3o ao uso racional e conserva\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica em edifica\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s de projetos adequados.<\/p>\n<p>Em pa\u00edses europeus e EUA, j\u00e1 se faz uso de certifica\u00e7\u00e3o (etiquetagem) das edifica\u00e7\u00f5es, assim como ocorre com os nossos aparelhos eletrodom\u00e9sticos j\u00e1 citados, possibilitando aos usu\u00e1rios optarem por edifica\u00e7\u00f5es energeticamente eficientes (mais econ\u00f4micas), que portanto contribuem para a conserva\u00e7\u00e3o de energia e conseq\u00fcentemente para com o meio ambiente.<\/p>\n<p>Por meio de um mecanismo simples e de f\u00e1cil interpreta\u00e7\u00e3o (a etiqueta), a popula\u00e7\u00e3o passa a interagir com o tema, na medida em que pode facilmente optar por edifica\u00e7\u00f5es de maior rendimento e naturalmente vai pondo \u00e0 margem do mercado as empresas que n\u00e3o se adequarem \u00e0 nova realidade, esse mesmo mecanismo permite \u00e0s empresas demonstrarem seu diferencial umas frente \u00e0s outras, o que passa a ser aproveitado como oportunidade de marketing. Essa etiquetagem \u00e9 promovida por organismos de reconhecimento p\u00fablico, assim como o INMETRO faz com os nossos eletrodom\u00e9sticos.<\/p>\n<p>Essa realidade indubitavelmente ocorrer\u00e1 no Brasil, justificada no alto custo financeiro e ambiental com a simples amplia\u00e7\u00e3o da planta el\u00e9trica brasileira para suprir a demanda crescente, pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o e uso racional de energia el\u00e9trica t\u00eam custo menor, o setor de edifica\u00e7\u00f5es, como visto, tem papel de suma import\u00e2ncia nessa nova ordem, conseq\u00fcentemente arquitetos e engenheiros tem grande contribui\u00e7\u00e3o a realizarem.<\/p>\n<p>Para quem acha que nada de importante tem ocorrido por aqui, poder\u00edamos citar o &#8220;Caderno de Encargos para Efici\u00eancia Energ\u00e9tica em Pr\u00e9dios P\u00fablicos&#8221;, editado em 2002 pela Prefeitura do Rio de Janeiro que traz orienta\u00e7\u00f5es de projeto para adequa\u00e7\u00e3o ao tema, j\u00e1 sendo v\u00e1lido para as novas edifica\u00e7\u00f5es dos jogos pan-americanos de 2007.<\/p>\n<p>A cidade de Salvador tamb\u00e9m elabora o seu c\u00f3digo de Efici\u00eancia Energ\u00e9tica em Edifica\u00e7\u00f5es. S\u00e3o os primeiros passos no setor p\u00fablico, mas que demonstram um caminho sem volta no sentido de seguirmos um modelo j\u00e1 adotado em grande parte do mundo, como EUA, Europa, pa\u00edses da \u00c1sia e \u00c1frica, inclusive nossa vizinha Col\u00f4mbia j\u00e1 se mobiliza.<\/p>\n<p>Cabe a n\u00f3s nos prepararmos para essa nova realidade, ou ficaremos \u00e0 margem das oportunidades de trabalhos que ela traz consigo, reclamando dos efeitos nocivos da irrevers\u00edvel globaliza\u00e7\u00e3o, das oportunidades de trabalho &#8220;roubadas&#8221; por colegas de profiss\u00e3o estrangeiros mais bem preparados.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre Arquitetura e Sustentabilidade t\u00edtulo deste artigo, pode ser facilmente percebida ap\u00f3s o exposto; ocorre na medida em que o uso racional da energia el\u00e9trica em edifica\u00e7\u00f5es, garante a preserva\u00e7\u00e3o dos recursos energ\u00e9ticos e ambientais para as gera\u00e7\u00f5es vindouras, sem preju\u00edzo ao progresso da humanidade.<\/p>\n<p>______________________<\/p>\n<p><i>Artigo inserido em 04\/05\/2004<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcelo J. 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