{"id":3141,"date":"2012-08-21T15:12:57","date_gmt":"2012-08-21T18:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/negociacao-de-precos\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:57","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:57","slug":"negociacao-de-precos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/negociacao-de-precos\/","title":{"rendered":"Negocia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os"},"content":{"rendered":"<p><b>\u00canio Padilha (foto ao final do texto), engenheiro eletricista, especializado em Marketing para Engenharia e Arquitetura. Site: www.eniopadilha.com.br. E-mail: eniopadilha@uol.com.br. Texto extra\u00eddo do livro &#8220;Os Pecados de Marketing na Engenharia e na Arquitetura&#8221;<\/b><\/p>\n<p>Durante os primeiros oito anos da minha carreira de engenheiro (\u00e0 frente de um escrit\u00f3rio de projetos e consultoria) a minha pol\u00edtica de negocia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os era simples, curta e grossa: &#8220;N\u00c3O H\u00c1 NEGOCIA\u00c7\u00c3O NO PRE\u00c7O !&#8221;<\/p>\n<p>Eu me aborrecia com clientes que pediam descontos. Achava que eles estavam desvalorizando o meu produto.<\/p>\n<p>Dar um desconto significava (no meu entendimento) admitir que o produto n\u00e3o valia tanto quanto havia sido pedido originalmente.<\/p>\n<p>Por isso desenvolvi algumas linhas de argumenta\u00e7\u00e3o para enfrentar as negocia\u00e7\u00f5es.   Analisava cada ponto do problema.   Avaliava (e quantificava) todas as vantagens e benef\u00edcios que o cliente teria.   Juntava tudo isso \u00e0 minha natural capacidade de convencimento (minha boa conversa) e o resultado era que, muitas vezes, eu conseguia fechar o neg\u00f3cio, mesmo sem dar um \u00fanico centavo de desconto.<\/p>\n<p>Os meus colegas (engenheiros e arquitetos) ficavam impressionados. <\/p>\n<p>&#8212; Nenhum desconto?!<\/p>\n<p>&#8212; Isso mesmo. Nada de Desconto. <\/p>\n<p>&#8212; Mas o Fulano de Tal sempre consegue descontos com todo mundo&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; \u00c9, mas dessa vez n\u00e3o conseguiu.  Eu venci esta parada.<\/p>\n<p>&#8212; Parab\u00e9ns. Voc\u00ea \u00e9 um excelente negociador. Fez um \u00f3timo neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>E eu ficava todo convencido, achando mesmo que havia feito um \u00f3timo neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Tinha feito nada! Tinha arrumado uma pilha de problemas que poderiam ter sido evitados.  Pois, afinal, eu n\u00e3o vendia mercadorias e sim servi\u00e7os. Isso fazia (e faz) toda a diferen\u00e7a!<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea vende mercadoria, (produto f\u00edsico, concreto, tang\u00edvel) o fechamento do neg\u00f3cio representa (quase sempre) o encerramento da rela\u00e7\u00e3o comercial das partes (quem vende e quem compra). Depois de fechado o neg\u00f3cio, quem vendeu vai contar o seu dinheiro e quem comprou vai utilizar o seu produto. Cada um pro seu lado.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea vende servi\u00e7os, ao contr\u00e1rio, o momento do fechamento do neg\u00f3cio est\u00e1 situado no in\u00edcio da rela\u00e7\u00e3o entre quem vende e quem compra. Depois do fechamento do neg\u00f3cio ainda tem muito relacionamento pela frente. E esse relacionamento \u00e9 parte do produto. A qualidade desse relacionamento determina, em boa medida, a qualidade do produto.<\/p>\n<p>O cliente que n\u00e3o foi atendido na sua aspira\u00e7\u00e3o de obter um desconto, ainda que, no n\u00edvel racional, tenha sido convencido pelos seus argumentos, inconscientemente se julga insatisfeito. Derrotado. Com uma &#8220;diferen\u00e7a&#8221; a ser recuperada.<\/p>\n<p>Afinal, n\u00e3o dar descontos, na negocia\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil assim. Basta uma boa prepara\u00e7\u00e3o, bons argumentos e uma boa articula\u00e7\u00e3o verbal.<\/p>\n<p>Mas n\u00f3s precisamos observar que os clientes pedem descontos, em geral, n\u00e3o \u00e9 porque n\u00e3o tenham capacidade financeira, para pagar o pre\u00e7o pedido. Pedem desconto porque isso faz parte do &#8220;jogo&#8221;. E ningu\u00e9m gosta de jogar para perder.<\/p>\n<p>Um cliente que pediu um desconto, negociou, insistiu, e teve que pagar o pre\u00e7o original&#8230; se julga um perdedor. E est\u00e1 doido para recuperar o equil\u00edbrio na rela\u00e7\u00e3o. Ou seja: \u00e9 algu\u00e9m insatisfeito e que vai buscar qualquer detalhe no produto para achar um defeito e reclamar, questionar, criar problemas.<\/p>\n<p>Quem quer um cliente assim durante o processo de produ\u00e7\u00e3o e consumo de servi\u00e7o?<\/p>\n<p>A Pol\u00edtica de Negocia\u00e7\u00e3o de Pre\u00e7os, portanto, precisa ser estabelecida levando-se em conta o tipo de produto negociado e a intensidade da rela\u00e7\u00e3o com o cliente depois de fechado o neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa, obviamente, ceder a toda a gula do cliente, ou dar descontos de 10, 20 ou 30% sem nenhuma justificativa.<\/p>\n<p>Dar descontos, muitas vezes, \u00e9 apenas arredondar um n\u00famero, dispensar um juro, uma taxa , enfim, dar ao cliente a sensa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 no jogo. E est\u00e1 ganhando.<\/p>\n<p>Acredite. O ganho obtido na negocia\u00e7\u00e3o (sem dar descontos) acaba saindo mais caro ali adiante.  Negociar descontos faz parte da pol\u00edtica de pre\u00e7os. E a pol\u00edtica de pre\u00e7os \u00e9 uma Pol\u00edtica de Marketing.  Pense nisso na pr\u00f3xima vez que o seu cliente pedir um desconto. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00canio Padilha (foto ao final do texto), engenheiro eletricista, especializado em Marketing para Engenharia e Arquitetura. Site: www.eniopadilha.com.br. E-mail: eniopadilha@uol.com.br. 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