{"id":3138,"date":"2012-08-21T15:12:57","date_gmt":"2012-08-21T18:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/arquitetura-brasileira-contemporanea-caminhos\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:57","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:57","slug":"arquitetura-brasileira-contemporanea-caminhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/arquitetura-brasileira-contemporanea-caminhos\/","title":{"rendered":"Arquitetura brasileira contempor\u00e2nea: caminhos"},"content":{"rendered":"<p>.<br \/>\n<b>Por Bruno Roberto Padovano, Professor Doutor, FAUUSP &#8211; Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de S\u00e3o Paulo; Diretor Presidente do Instituto para o Desenho Avan\u00e7ado IDEA; Arquiteto Diretor do Escrit\u00f3rio Padovano e Associados Arquitetura S\/C Ltda. Fonte: www.brasembottawa.org<\/b><\/p>\n<p>A arquitetura desenvolvida no Brasil, pa\u00eds de dimens\u00f5es continentais e grandes diferen\u00e7as regionais, nem sempre alcan\u00e7a a imprensa internacional, e no entanto n\u00e3o deixa de apresentar aspectos de interesse global.<\/p>\n<p>Impulsionada pelo forte processo de desenvolvimento econ\u00f4mico e social alcan\u00e7ado pelo pa\u00eds ao longo de processo de instaura\u00e7\u00e3o da democracia nos anos oitenta, ap\u00f3s duas d\u00e9cadas de regime militar, a arquitetura nacional apresenta caminhos promissores que a podem recolocar numa posi\u00e7\u00e3o de destaque no cen\u00e1rio global.<\/p>\n<p>A arquitetura mais em evid\u00eancia da d\u00e9cada de 90 e neste in\u00edcio de s\u00e9culo e mil\u00eanio no Brasil viu, de um lado, o reaparecimento de linguagens projetuais fortemente comprometidas com uma retomada do racionalismo, a base conceitual do Movimento Moderno, com tend\u00eancias minimalistas. Por outro lado, verificou-se uma busca de id\u00e9ias e solu\u00e7\u00f5es mais voltadas \u00e0 quest\u00e3o do conforto ambiental, aliado aos processos de racionaliza\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o &#8211; uma forma de racionalismo que retoma experi\u00eancias dos modernistas brasileiros como Lucio Costa e Rino Levi, muito preocupados com uma adequa\u00e7\u00e3o da nova arquitetura com o contexto local.<\/p>\n<p>Apesar de um processo de globaliza\u00e7\u00e3o que viu, simultaneamente, o aparecimento no mercado de arquiteturas fortemente influenciadas pelo p\u00f3s-modernismo internacional e do retorno de estilos como o neo-cl\u00e1ssico no mercado imobili\u00e1rio, que atestam um certo descaso \u00e0 busca de caminhos de uma arquitetura brasileira comprometida com respostas adequadas aos desafios atuais, houve um processo de reelabora\u00e7\u00e3o de modelos e conceitos modernistas, com estrat\u00e9gias que visam a corrigir incongru\u00eancias do processo de transposi\u00e7\u00e3o da arquitetura do Movimento Moderno para o territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<p>Um esfor\u00e7o conceitual e projetual dirigido para definir uma arquitetura capaz de atender \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es de uma sociedade cada vez mais complexa, com solu\u00e7\u00f5es enriquecedoras da cultura local, e potencializadoras de rela\u00e7\u00f5es mais democratizantes e socialmente interativas. <\/p>\n<p>Uma arquitetura que lance m\u00e3o de geometrias mais flex\u00edveis e adapt\u00e1veis \u00e0s complexidades dos programas e terrenos, de solu\u00e7\u00f5es inovadoras de conforto ambiental e utiliza\u00e7\u00e3o inteligente de materiais e tecnologias dispon\u00edveis no mercado brasileiro. Uma arquitetura que d\u00ea vaz\u00e3o \u00e0 ineg\u00e1vel criatividade do arquiteto e do designer brasileiro, amante de formas fortes e cores vivas, dentro da pr\u00f3pria heran\u00e7a de plasticidade e expressividade que tem origem no barroco realizado no Brasil \u00e0 \u00e9poca colonial, na sua rica cultura ind\u00edgena, e na pr\u00f3pria composi\u00e7\u00e3o multi-\u00e9tnica e cultural do seu povo.<\/p>\n<p>No entanto, esse esfor\u00e7o n\u00e3o tem sido f\u00e1cil. <\/p>\n<p>O pr\u00f3prio processo de liberaliza\u00e7\u00e3o da economia brasileira, promovido pelo Plano Real, atrav\u00e9s de doses maci\u00e7as de privatiza\u00e7\u00e3o de empresas estatais e maior abertura das importa\u00e7\u00f5es de produtos do exterior, trouxe em seu bojo a expectativa do mercado de uma arquitetura mais alinhada com aquela dos grandes centros financeiros da economia global, como Nova York, T\u00f3quio e Hong Kong, com sua sofistica\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e, ao mesmo tempo, conservadorismo conceitual e formal.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, verifica-se um aumento assustador da viol\u00eancia urbana que assola a sociedade brasileira, especialmente nos bairros mais pobres das cidades e megacidades brasileiras. Tal fen\u00f4meno \u00e9 acompanhado por um intenso processo de privatiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano e o fechamento de grandes \u00e1reas urbanas, atrav\u00e9s da prolifera\u00e7\u00e3o dos condom\u00ednios fechados, como os Alphavilles e os Tambor\u00e9s. Esses, apesar de suas ineg\u00e1veis qualidades vivenciais para os seus moradores, v\u00eam aumentando a presen\u00e7a f\u00edsica e urban\u00edstica da grande segrega\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social existente na sociedade brasileira.<\/p>\n<p>O esvaziamento do papel do Estado na requalifica\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os urbanos &#8211; com as raras e louv\u00e1veis exce\u00e7\u00f5es de Curitiba e Rio de Janeiro &#8211; gra\u00e7as \u00e0 perda do poder de investimento dos munic\u00edpios, trouxe \u00e0s cidades brasileiras um cen\u00e1rio desconcertante de ruas com cal\u00e7amento deteriorado, edifica\u00e7\u00f5es pichadas, excesso de fia\u00e7\u00e3o a\u00e9rea e agress\u00e3o visual de todo tipo de publicidade ao ar livre, sem se falar de equipamentos urbanos deteriorados e mal projetados, grandes \u00e1reas faveladas, com\u00e9rcio informal, tr\u00e1fego congestionado, polui\u00e7\u00e3o sonora e do ar, e a degrada\u00e7\u00e3o crescente de recursos ambientais.<\/p>\n<p>Nesse contexto urbano e social no m\u00ednimo problem\u00e1tico, os melhores exemplos de arquitetura contempor\u00e2nea brasileira resultaram de investimentos feitos por empresas nacionais de menor porte, por entidades privadas de interesse coletivo como o SESC-Servi\u00e7o Social do Com\u00e9rcio, por funda\u00e7\u00f5es privadas, por org\u00e3os estatais e por pequenos investidores e clientes esclarecidos.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos destacar, entre alguns caminhos promissores dessa arquitetura, alguns poss\u00edveis temas representatives de \u00e1reas de maior sucesso de realiza\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos:<\/p>\n<p>&#8211; reciclagem de edif\u00edcios de interesse hist\u00f3rico para fins culturais;<br \/>\n&#8211; obras residenciais;<br \/>\n&#8211; edif\u00edcios institucionais;<br \/>\n&#8211; equipamentos sociais relacionados \u00e0 sa\u00fade;<br \/>\n&#8211; equipamentos sociais destinados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o;<br \/>\n&#8211; equipamentos sociais destinados ao lazer;<br \/>\n&#8211; obras de estabelecimentos comerciais;<br \/>\n&#8211; obras industriais;<br \/>\n&#8211; terminais e obras de infraestrutura para o transporte urbano e metropolitano;<br \/>\n&#8211; obras e projetos urban\u00edsticos e paisag\u00edsticos; e<br \/>\n&#8211; pequenas obras, grandes id\u00e9ias.<\/p>\n<p>Para exemplificar algumas das principais realiza\u00e7\u00f5es nesses setores durante a \u00faltima d\u00e9cada no Brasil, mencionarei alguns projetos e obras que, a meu ver, explicitam algumas linhas de maior interesse na arquitetura contempor\u00e2nea realizada no pa\u00eds. <\/p>\n<p>Reciclagem de edif\u00edcios de interesse hist\u00f3rico para fins culturais <\/p>\n<p>Neste campo, um n\u00famero expressivo de experi\u00eancias v\u00eam sendo realizadas no Brasil nos \u00faltimos anos, numa saud\u00e1vel atitude de conserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico atrav\u00e9s de novos usos que viabilizem a conserva\u00e7\u00e3o e sustentabilidade dos antigos edif\u00edcios, mesmo que isto implique transforma\u00e7\u00f5es espaciais e modifica\u00e7\u00f5es parciais de sua arquitetura original.<\/p>\n<p>Um exemplo eloq\u00fcente dessa linha de trabalho \u00e9 a obra da Pinacoteca do Estado de S\u00e3o Paulo. Originalmente erigida em edif\u00edcio neo-cl\u00e1ssico (projeto original do Escrit\u00f3rio Ramos de Azevedo, do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, apenas parcialmente constru\u00eddo) viu o arquiteto capixaba radicado em S\u00e3o Paulo Paulo Mendes da Rocha, com maestria, introduzir o programa da pinacoteca no &#8220;edif\u00edcio\/ru\u00edna&#8221;, em tijolo aparente, atrav\u00e9s de um deslocamento do eixo principal do edif\u00edcio e inser\u00e7\u00e3o de vigas, peitoris, elevadores e outros elementos novos em a\u00e7o pintado na cor marrom-caf\u00e9. Essa bela obra deu ao arquiteto o Pr\u00eamio Mies Van der Rohe, da Funda\u00e7\u00e3o hom\u00f4nima com sede em Barcelona, para a melhor obra na Am\u00e9rica Latina, em 2000.<\/p>\n<p>Um outro trabalho igualmente merecedor de destaque \u00e9 o da Sala S\u00e3o Paulo, uma sala para concertos para 1.500 pessoas, que aproveita um p\u00e1tio interno da Esta\u00e7\u00e3o J\u00falio Prestes (de autoria do arquiteto acad\u00eamico Cristiano Stockler das Neves e tamb\u00e9m parcialmente executada) no centro de S\u00e3o Paulo. Tal obra de reciclagem \u00e9 de autoria do arquiteto paulista Nelson Dupr\u00e9, que recebeu v\u00e1rios pr\u00eamios no Brasil e no exterior pela excel\u00eancia de solu\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas e ac\u00fasticas adotadas. <\/p>\n<p>Sempre dentro de espa\u00e7os destinados \u00e0s atividades c\u00eanicas, \u00e9 louv\u00e1vel, ainda, a recupera\u00e7\u00e3o do antigo Cine Paramount, em S\u00e3o Paulo, para acomodar o Teatro Abril, de autoria do escrit\u00f3rio paulista Aflalo &amp; Gasperini Arquitetos, com uma interven\u00e7\u00e3o cuidadosa, baseada no restauro das condi\u00e7\u00f5es originais do antigo pr\u00e9dio, de responsabilidade dos arquitetos Haroldo Gallo e Marcos Carrilho.<\/p>\n<p>Obras residenciais <\/p>\n<p>A \u00e1rea residencial tem sido a de maior n\u00famero de realiza\u00e7\u00f5es no Brasil, apresentando algumas inova\u00e7\u00f5es interessantes tanto no caso de edif\u00edcios unifamiliares como de multifamiliares.<\/p>\n<p>As casas unifamiliares t\u00eam oferecido v\u00e1rias oportunidades de cria\u00e7\u00f5es inovadoras para os arquitetos brasileiros, j\u00e1 que seu custo tem sido mais acess\u00edvel para um maior n\u00famero de clientes, e sua rela\u00e7\u00e3o com a riqu\u00edssima ambienta\u00e7\u00e3o natural do pa\u00eds mais facilmente aproveit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Por exemplo, de autoria da arquiteta paulista Anne Marie Sumner, a resid\u00eancia de praia de sua fam\u00edlia em Ubatuba \u00e9 uma obra de grande adequa\u00e7\u00e3o ao meio, pela sua simplicidade formal e espacial e por sua implanta\u00e7\u00e3o com uma impactante vista panor\u00e2mica sobre o Oceano Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>O arquiteto paulista Marcos Acayaba tem elaborado projetos de resid\u00eancias unifamiliares em v\u00e1rias localidades do Brasil, tendo como estrat\u00e9gia projetual a utiliza\u00e7\u00e3o de tramas triangulares e o uso de madeira industrializada, que surpreendem pela riqueza volum\u00e9trica e o encaixe delicado em terrenos caracterizados por declividades acentuadas.<\/p>\n<p>J\u00e1 num terreno urbano na complexa trama urbana de S\u00e3o Paulo, para a fam\u00edlia Kapaz, os arquitetos paulistas Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz e Marcelo Suzuki, do escrit\u00f3rio Brasil Arquitetura, criaram uma resid\u00eancia que se nutre da geometria irregular do terreno, gerando um tensionamento espacial de grande interesse pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>Um caminho an\u00e1logo \u00e9 o seguido pelo arquiteto mineiro Gustavo Penna, em resid\u00eancia junto \u00e0 Serra da Moeda, em \u00e1rea do munic\u00edpio de Brumadinho, Minas Gerais, que apresenta sutis rela\u00e7\u00f5es espaciais dentro do l\u00e9xico racionalista, decorrentes de sua leitura do terreno irregular e das magn\u00edficas vistas da paisagem da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os edif\u00edcios residenciais multifamiliares t\u00eam apresentado v\u00e1rias tipologias interessantes, desde os mais tradicionais edif\u00edcios de apartamentos at\u00e9 conjuntos de casas geminadas em condom\u00ednios fechados.<\/p>\n<p>Para um edif\u00edcio de apartamentos em S\u00e3o Paulo desenvolvi, junto \u00e0 arquiteta paulista Maria Beatriz Ferreira de Souza Oliveira, o edif\u00edcio Ana Lu\u00edza, que se caracteriza por uma planta com geometria complexa, que acompanha a pr\u00f3pria irregularidade do terreno e das condicionantes clim\u00e1ticas e panor\u00e2micas locais.<\/p>\n<p>No condom\u00ednio Ch\u00e1cara Sant&#8217;Anna no Alto da Boa Vista em S\u00e3o Paulo, o arquiteto paulista Roberto Aflalo Filho, do j\u00e1 citado escrit\u00f3rio Aflalo &amp; Gasperini Arquitetos, desenvolveu um conjunto de casas geminadas com grande precis\u00e3o formal e construtiva, com destaque ao uso cuidadoso do tijolo.<\/p>\n<p>Numa explora\u00e7\u00e3o inteligente da tecnologia do a\u00e7o, o arquiteto paulista Lu\u00eds Fernando Rocco e seus associados desenvolveram um edif\u00edcio de apartamentos duplex, o Mada Loft em S\u00e3o Paulo, com inteligente aproveitamento da espacialidade desta inovadora tipologia residencial.<\/p>\n<p>J\u00e1 para uma camada de renda mais baixa, o arquiteto mineiro Jo\u00e3o Diniz prop\u00f5e um conjunto habitacional para o Residencial Gameleira em Belo Horizonte, com um interessante jogo de volumes e planos e utiliza\u00e7\u00e3o de cores para personalizar os diversos blocos de apartamentos. <\/p>\n<p>Edif\u00edcios Institucionais <\/p>\n<p>Algumas entidades realizaram edif\u00edcios com arquitetura de qualidade, como \u00e9 o caso da sede da Ordem dos Advogados do Brasil\/Mato Grosso do Sul e da Caixa de Assist\u00eancia dos Advogados (atrav\u00e9s de concurso p\u00fablico de arquitetura). Essa \u00faltima, criada pelo arquiteto paulista Jos\u00e9 Tabith, numa bem articulada composi\u00e7\u00e3o de cheios e vazios, utiliza, de forma inteligente, o terreno e caracteriza uma solu\u00e7\u00e3o urbana de interesse para Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<p>Utilizando uma linguagem high-tech, a obra do BIT &#8211; Base de Intelig\u00eancia Tecnol\u00f3gica &#8211; em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, dos arquitetos ga\u00fachos Fl\u00e1vio Lambert e Leonardo Koboldt de Ara\u00fajo apresenta um espa\u00e7o privilegiado de observa\u00e7\u00e3o sobre a capital ga\u00facha, com um interessante contraste de volumes e utiliza\u00e7\u00e3o da avan\u00e7ada tecnologia do a\u00e7o.<\/p>\n<p>Dentro do tema das telecomunica\u00e7\u00f5es, um dos setores mais privilegiados nos \u00faltimos anos, a Torre da TV Cultura em S\u00e3o Paulo, do arquiteto paulista Jorge Caron, tamb\u00e9m apresenta uma solu\u00e7\u00e3o de forte impacto visual, com a utiliza\u00e7\u00e3o de uma geometria triangular e utiliza\u00e7\u00e3o integral do a\u00e7o para a estrutura, em evid\u00eancia nas suas fachadas. <\/p>\n<p>Equipamentos socias relacionados \u00e0 sa\u00fade <\/p>\n<p>Uma das principais realiza\u00e7\u00f5es no pa\u00eds neste campo \u00e9 sem d\u00favida o Hospital Sarah Kubitscheck do mestre baiano Jo\u00e3o Filgueiras Lima, o Lel\u00e9, no qual o arquiteto prop\u00f5e um sistema de aera\u00e7\u00e3o dos ambientes que permite condi\u00e7\u00f5es ideais de assepsia e elimina\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia de infec\u00e7\u00f5es hospitalares. A obra do arquiteto utiliza sistemas de constru\u00e7\u00e3o pr\u00e9-fabricada, com solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas inovadoras.<\/p>\n<p>Para a nova sede dos Laborat\u00f3rios Fleury, em S\u00e3o Paulo, o arquiteto paulista Eduardo Martins de Mello, em parceria com os arquitetos Renata Semin e Jos\u00e9 Arm\u00eanio Brito Cruz (do escrit\u00f3rio Piratininga), criou um conjunto arquitet\u00f4nico cuidadosamente implantado numa colina. A nova sede abriga atividades administrativas, laborat\u00f3rios de an\u00e1lises cl\u00ednicas, central t\u00e9cnica e centro de educa\u00e7\u00e3o continuada. O paisagismo, integrado \u00e0 arquitetura, foi desenvolvido pela arquiteta paisagista Rosa Grena Kliass, que ocupa atualmente a vice-presid\u00eancia da IFLA &#8211; International Federation of Landscape Architects.<\/p>\n<p>Em Orl\u00e2ndia, cidade agroindustrial do interior paulista, os arquitetos paulistas Angelo Bucci, Fernando de Mello Franco e Milton Braga, do MMBB Arquitetos, projetaram uma cl\u00ednica odontol\u00f3gica que, dados suas linhas racionalistas, controle da insola\u00e7\u00e3o e grande rigor formal e construtivo do conjunto, foi selecionada em 2000 pela Funda\u00e7\u00e3o Mies Van der Rohe, de Barcelona, como uma das melhores obras na Am\u00e9rica Latina nos \u00faltimos dois anos. <\/p>\n<p>Equipamentos sociais destinados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Este setor tem vivido um forte processo de diminui\u00e7\u00e3o de investimentos por parte do setor p\u00fablico nas atividades educacionais de n\u00edvel superior, com o aparecimento de v\u00e1rias obras importantes oriundas de investimentos privados.<\/p>\n<p>Um exemplo da for\u00e7a do setor privado na educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o novo campus da UniABC em Santo Andr\u00e9, do arquiteto paulista Affonso Risi Jr., que desenvolve um interessante discurso urbano atrav\u00e9s da articula\u00e7\u00e3o dos diversos blocos das instala\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias ao longo das duas laterais do terreno.<\/p>\n<p>Para o Centro Universit\u00e1rio Positivo (UnicenP) no bairro Ecoville em Curitiba, o arquiteto paranaense, Manoel Coelho, desenvolveu um conjunto de implanta\u00e7\u00e3o racionalista, complementado por uma ambienta\u00e7\u00e3o paisag\u00edstica cuidadosa e pela qualidade construtiva e espacial das edifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Numa obra que reutiliza um antigo edif\u00edcio (onde funcionava o Instituto Am\u00e1lia Franco) projetado pelo escrit\u00f3rio Severo &amp; Villares, sucessor de Ramos de Azevedo, o arquiteto paulista Samuel Kruchin projetou o novo Campus da Universidade Cruzeiro do Sul, que ser\u00e1 desenvolvido em fases. Numa primeira etapa, dentro do edif\u00edcio hist\u00f3rico, o projeto determinou uma interessante introdu\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o de biblioteca em uma pra\u00e7a interna, com interessante solu\u00e7\u00e3o em estrutura em a\u00e7o, geradora de um espa\u00e7o interno muito agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>H\u00e1, no entanto, ainda bons exemplos de obras educacionais que foram realizadas nos \u00faltimos anos atrav\u00e9s de investimentos p\u00fablicos na \u00e1rea educacional. <\/p>\n<p>Apresentando uma linguagem ecologicamente comprometida, o edif\u00edcio da Universidade Livre do Meio Ambiente do arquiteto paranaense Domingos Bongestabs, foi constru\u00eddo numa pedreira desativada de Curitiba, utilizando madeiras oriundas de reflorestamento.<\/p>\n<p>Para a Escola Guinard de artes p\u00fablicas, subordinada \u00e0 Universidade Federal de Minas Gerais, o j\u00e1 citado Gustavo Penna realizou um edif\u00edcio de linhas curvas que acompanha a geometria da rua e estabelece um interessante jogo volum\u00e9trico com o entorno urbano.<\/p>\n<p>Com uma estrat\u00e9gia formal mais alinhada \u00e0 desconstru\u00e7\u00e3o, o arquiteto pernambucano M\u00e1rio Alo\u00edsio Melo, ativo em Macei\u00f3, Alagoas, desenvolveu um projeto para a Escola Fazend\u00e1ria, situada entre o mar e a rodovia Al- 101 Norte, que se articula em fun\u00e7\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o, da ventila\u00e7\u00e3o natural oferecida pelos ventos dominantes e das vistas para o oceano, gerando um atraente conjunto de volumes e planos.<\/p>\n<p>Equipamentos sociais destinados ao lazer e \u00e0 cultura <\/p>\n<p>Neste campo \u00e9 importante destacar o excelente trabalho realizado pelo Servi\u00e7o Social do Com\u00e9rcio (SESC) em suas in\u00fameras unidades em v\u00e1rias regi\u00f5es do Brasil. Recentemente conclu\u00eddo, o Centro de Lazer e Cultura do SESC de Santo Andr\u00e9, na regi\u00e3o do ABC na Grande S\u00e3o Paulo, \u00e9 um exemplo de arquitetura contempor\u00e2nea, pela atitude contextualista que se apropria de elementos modernistas, com a presen\u00e7a de solu\u00e7\u00f5es &#8220;high-tech&#8221;, como na cobertura das quadras poliesportivas.<\/p>\n<p>Outro edif\u00edcio que demonstra grande dom\u00ednio formal e tecnol\u00f3gico \u00e9 o Centro Brasileiro Brit\u00e2nico em S\u00e3o Paulo, projeto dos arquitetos paulistas Alberto Botti e Marc Rubin, autores de um expressivo conjunto de obras na cidade.<\/p>\n<p>Um grupo de jovens arquitetos mineiros, Gustavo Ribeiro, Andr\u00e9 Abreu e Anna \u00c1vila, projetou um centro cultural da empresa USIMINAS em Ipatinga, Minas Gerais, nos quais a utiliza\u00e7\u00e3o de estruturas met\u00e1licas da empresa se aliou a um partido curvil\u00edneo que acompanha o formato do terreno, com a orienta\u00e7\u00e3o do conjunto para um espa\u00e7o interno, de destacada qualidade paisag\u00edstica.<\/p>\n<p>Da prancheta do g\u00eanio da arquitetura brasileira, o carioca Oscar Niemeyer, j\u00e1 nos seus 90 anos de idade, saiu uma das obras mais impactantes dos \u00faltimos anos da d\u00e9cada de 90 no Brasil: o Museu de Arte Contempor\u00e2nea de Niter\u00f3i, em formato de c\u00e1lice, em impressionante proje\u00e7\u00e3o sobre a paisagem da Guanabara. <\/p>\n<p>Obras de estabelecimentos comerciais e empresariais <\/p>\n<p>Se edif\u00edcios de escrit\u00f3rios e lojas comerciais t\u00eam proliferado nas cidades brasileiras, \u00e9 poss\u00edvel dizer que a maioria tem adotado solu\u00e7\u00f5es bastante convencionais, com a prolifera\u00e7\u00e3o de revestimentos em alum\u00ednio e fachadas de vidro, sem que se tenham destacado em termos arquitet\u00f4nicos.<\/p>\n<p>Uma not\u00e1vel exce\u00e7\u00e3o \u00e9 o pequeno edif\u00edcio de escrit\u00f3rios de advocacia em Curitiba, Paran\u00e1 (1995-1998), dos arquitetos paulistas Mario Biselli e Artur Katchborian, que com racionalidade e eleg\u00e2ncia, forjaram uma arquitetura ao mesmo tempo simples e rica em detalhes e preocupa\u00e7\u00e3o com qualidade espacial, conforto ambiental e rela\u00e7\u00e3o com o entorno.<\/p>\n<p>Da mesma maneira, por\u00e9m adotando uma linguagem assumidamente minimalista, a loja da empresa de mobili\u00e1rio Forma em S\u00e3o Paulo, de autoria do j\u00e1 citado Paulo Mendes da Rocha, apresenta uma inesperada solu\u00e7\u00e3o espacial, elevando a loja (em dois n\u00edveis distintos) em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel da rua. Para tanto, criou uma escada retr\u00e1til que oferece acesso ao n\u00edvel inferior da loja no per\u00edodo noturno. A fachada apresenta uma vitrine longitudinal que abriga a cole\u00e7\u00e3o dos m\u00f3veis da empresa, com produtos de design internacional contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>Uma outra obra de grande sofistica\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e sens\u00edvel implanta\u00e7\u00e3o urbana \u00e9 o edif\u00edcio da Editora \u00c1tica (hoje FNAC) em S\u00e3o Paulo, do arquiteto paulista Paulo J\u00falio Valentino Bruna, que se abre atrav\u00e9s de uma bem articulada fachada de vidro, voltada para uma pra\u00e7a arborizada do lado oposto da rua, permitindo ainda a visualiza\u00e7\u00e3o dos seus interiores, com destaque para as escadas rolantes que interligam os diversos pavimentos.<\/p>\n<p>Num interessante exemplo de arquitetura de m\u00faltiplos usos, os arquitetos paulistas Jorge K\u00f6nigsberger e Gianfranco Vannucchi elaboraram um projeto composto por duas torres de flats e uma de escrit\u00f3rios, organizado ao redor de uma pra\u00e7a com um lado aberto para a rua de acesso. Este tipo de solu\u00e7\u00e3o multi-uso, com sensibilidade ao desenho urbano, come\u00e7a a ganhar mais adeptos entre os grupos empresariais que atuam no mercado imobili\u00e1rio.<\/p>\n<p>Dentro de uma linguagem racionalista cl\u00e1ssica, o Edif\u00edcio Faria Lima Premium no centro comercial de Pinheiros em S\u00e3o Paulo, de autoria do arquiteto paulista Miguel Juliano, apresenta linhas suaves e eleg\u00e2ncia miesiana nos detalhes construtivos e espa\u00e7os internos, destacando-se do seu entorno urbano, marcado por relativa horizontalidade. <\/p>\n<p>Obras industriais <\/p>\n<p>A moderniza\u00e7\u00e3o do parque brasileiro trouxe v\u00e1rias oportunidades para os arquitetos locais.<\/p>\n<p>O austero centro gr\u00e1fico do di\u00e1rio A Folha de S\u00e3o Paulo em Alphaville, Barueri, na Grande S\u00e3o Paulo, projeto do arquiteto paulista Paulus Magnus, \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o de uma linguagem racionalista aliada ao uso de novas tecnologias construtivas, de grande coer\u00eancia formal e espacial.<\/p>\n<p>Em Sorocaba, Estado de S\u00e3o Paulo, o arquiteto mineiro radicado em S\u00e3o Paulo Sid\u00f4nio Porto desenvolveu um parque industrial para a Flextronics que alia o mesmo dom\u00ednio formal e tecnol\u00f3gico a uma arquitetura expressiva dos pr\u00f3prios processos produtivos, incentivando um conv\u00edvio mais transparente entre dirigentes e oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>Mas a obra talvez de maior destaque no campo industrial nos \u00faltimos anos \u00e9 a do Novo Espa\u00e7o Natura (ind\u00fastria de cosm\u00e9ticos) na cidade de Cajamar, na grande S\u00e3o Paulo, com projeto do arquiteto paulista Roberto Loeb: um conjunto de grande coer\u00eancia formal, funcionalidade e for\u00e7a imag\u00e9tica, utilizando a\u00e7o e concreto de forma ousada e cuidadosamente implantado no terreno.<\/p>\n<p>Terminais e obras de infraestrutura para o transporte urbano e metropolitano<\/p>\n<p>Devido ao grande aumento de tr\u00e1fego a\u00e9reo e vi\u00e1rio no pa\u00eds, muitas obras de terminais para aeroportos e sistemas de transporte metropolitano (\u00f4nibus e metr\u00f4) t\u00eam sido constru\u00eddas no Brasil. Nesse setor os arquitetos brasileiros t\u00eam demonstrado dom\u00ednio tecnol\u00f3gico e ousadias espaciais dignos de pa\u00edses mais desenvolvidos.<\/p>\n<p>Para o terminal aeroportu\u00e1rio de Natal, no Rio Grande do Norte, o arquiteto paranaense radicado em Bras\u00edlia, S\u00e9rgio Roberto Parada, elaborou um projeto que alia eleg\u00e2ncia e criatividade na utiliza\u00e7\u00e3o da tecnologia do a\u00e7o e um forte sentido de din\u00e2mica espacial, muito adequados para tais instala\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Obras importantes para os sistemas de metr\u00f4 t\u00eam sido elaboradas por arquitetos como o paulista Wilson Bracetti para a esta\u00e7\u00e3o Sumar\u00e9 em S\u00e3o Paulo, o paulista Jo\u00e3o Walter Toscano para a esta\u00e7\u00e3o P\u00eassego e o paulista Jo\u00e3o B. Martinez Correa, para a esta\u00e7\u00e3o Cardeal Arcoverde no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Para o sistema de trens metropolitanos de S\u00e3o Paulo, o arquiteto paulista Luiz Carlos Esteves criou um conjunto de sete esta\u00e7\u00f5es ao longo do rio Pinheiros que apresentam forte presen\u00e7a na paisagem urbana pelo uso de estruturas met\u00e1licas para as aerodin\u00e2micas passarelas e outros espa\u00e7os do conjunto. <\/p>\n<p>Obras e projetos urban\u00edsticos e paisag\u00edsticos <\/p>\n<p>Nesses \u00faltimos anos, n\u00e3o t\u00eam sido poucas as realiza\u00e7\u00f5es importantes na \u00e1rea urban\u00edstica e ambiental. Lembre-se que o Brasil foi o palco do historicamente significativo Rio 92, o primeiro grande encontro internacional de repercuss\u00e3o mundial sobre a crise ambiental e a necessidade de uma uni\u00e3o internacional para lidar com a degrada\u00e7\u00e3o do planeta atrav\u00e9s do desenvolvimento sustent\u00e1vel. <\/p>\n<p>O planejamento urbano tem se tornado um instrumento importante de pol\u00edticas p\u00fablicas, estimulado pela promulga\u00e7\u00e3o, em 2001, da lei do Estatuto da Cidade, pelo Governo Federal, que obriga todo munic\u00edpio de mais de 20.000 habitantes a ter seu plano para os cinco anos seguintes.<\/p>\n<p>Um exemplo disso \u00e9 o rec\u00e9m-aprovado Plano Diretor de S\u00e3o Paulo, elaborado pela SEMPLA, Secretaria Municipal do Planejamento, sob a coordena\u00e7\u00e3o do arquiteto e urbanista paulista Jorge Wilheim, respons\u00e1vel anteriormente pelo bem-sucedido plano para Curitiba, de proje\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>Em termos de grandes realiza\u00e7\u00f5es paisag\u00edsticas, \u00e9 de se destacar o plano e os projetos de recupera\u00e7\u00e3o de manguezais e restingas na Barra da Tijuca e os Parques Mello Barreto e o Parque Ecol\u00f3gico Municipal de Marapendi, no Rio de Janeiro, pelo arquiteto paisagista carioca Fernando Chacel &#8211; talvez o principal paisagista brasileiro ap\u00f3s o falecimento do g\u00eanio, Roberto Burle Marx, em 1994, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Numa S\u00e3o Paulo fortemente deteriorada em termos ambientais, a prefeitura lan\u00e7ou, em 1997, um concurso nacional de id\u00e9ias para a reestrutura\u00e7\u00e3o urban\u00edstica e paisag\u00edstica das Marginais dos rios Pinheiros e Tiet\u00ea, ao longo de cerca 45 quil\u00f4metros de vias urbanas que impactam os principais rios da regi\u00e3o metropolitana. Nesse concurso venceu o projeto resultante do trabalho de equipe por mim coordenada, integrada pelos colegas arquitetos paulistas Jaques Suchodolski, Percival Brosig, Sueli Suchodolski, Issao Minami, Jos\u00e9 Arnaldo Degasperi da Cunha e o Engenheiro Neuton Karassawa. Nele, apresentou-se um plano de recupera\u00e7\u00e3o das vias e dos rios, com propostas inovadoras, como uma s\u00e9rie de lagos para ajudar no combate \u00e0s enchentes e oferecer lazer, equipamentos sociais e habita\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o carente da periferia.<\/p>\n<p>Este tema, que o Brasil, ali\u00e1s, acaba de apresentar na Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza numa exposi\u00e7\u00e3o sobre projetos de reurbaniza\u00e7\u00e3o de favelas, foi de grande interesse aos visitantes desse importante evento internacional no campo da arquitetura. <\/p>\n<p>Demonstrando para o mundo que os arquitetos locais n\u00e3o tratam apenas de temas vinculados aos setores mais desenvolvidos da economia nacional, mas que se preocupam igualmente com os problemas que afligem grandes setores da popula\u00e7\u00e3o brasileira. <\/p>\n<p>Pequenas obras, grandes id\u00e9ias <\/p>\n<p>Ao lado dessas realiza\u00e7\u00f5es de maior porte h\u00e1 todo um trabalho de menor impacto, mas de ineg\u00e1vel valor e que abre interessantes perspectivas: trata-se de trabalhos realizados por arquitetos brasileiros em pequenas instala\u00e7\u00f5es, feiras, exposi\u00e7\u00f5es, interiores, design de produtos e da comunica\u00e7\u00e3o visual, nos quais o talento e a criatividade nacional tem-se exprimido de forma not\u00e1vel.<\/p>\n<p>Nas in\u00fameras feiras realizadas no pa\u00eds, \u00f3timos projetos t\u00eam aparecido em trabalhos como os do arquiteto paulista Fernando Brand\u00e3o, exemplificado pelo seu stand desconstrutivista para a empresa de m\u00f3veis de escrit\u00f3rio, a GIROFLEX, na Feira &#8216;Office Solution&#8217; em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Nas exposi\u00e7\u00f5es, muita criatividade: um exemplo disso \u00e9 a exposi\u00e7\u00e3o &#8216;Brasil 50 mil: uma Viagem ao Passado Pr\u00e9-Colonial&#8217;, realizada pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (MAE\/USP), com projeto desenvolvido pelo escrit\u00f3rio paulista Gesto Arquitetura, e seus arquitetos T\u00e2nia Regina Parma e Newton Yamato Massafumi.<\/p>\n<p>Num monumento do cinq\u00fcenten\u00e1rio do munic\u00edpio de Barueri, o j\u00e1 citado Mario Biselli com a arquiteta Paula Biselli Sauai\u00e1 venceram o concurso p\u00fablico com uma obra de forte impacto visual, que aproveitou uma caixa d&#8217;\u00e1gua em concreto existente no local, revestida com estrutura met\u00e1lica com chapas de a\u00e7o perfuradas e com efeitos luminot\u00e9cnicos criados por Fernando Guarnieri.<\/p>\n<p>Ainda em instala\u00e7\u00f5es externas, o uso das tenso-estruturas est\u00e1 ganhando espa\u00e7o, em projetos como a cobertura para o anfiteatro Ara\u00fajo Viana em Porto Alegre do mestre ga\u00facho Carlos Maximiliano Fayet, as coberturas do Rock in Rio, do engenheiro paulista Nelson Fiedler e a cobertura do palco ao ar livre no SESC Itaquera, em S\u00e3o Paulo, da arquiteta paulista Cristina de Castro Mello.<\/p>\n<p>Nos interiores, muitas solu\u00e7\u00f5es criativas, como as unidades da Internet Livre, salas criadas pelo SESC paulista em suas unidades de Campinas e Araraquara, com instigante projeto do arquiteto paulista Francisco Spadoni, que transforma os microcomputadores em &#8220;objetos estranhos&#8221;.<\/p>\n<p>Nos escrit\u00f3rios, muita sofistica\u00e7\u00e3o e criatividade, com trabalhos como os escrit\u00f3rios da Zipnet do arquiteto paulista Kiko Salom\u00e3o ou da paulista Rita Guedes para a Nickelodeon, um canal de TV, ambos em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>No campo do design, destaca-se a obra dos paulistas Irm\u00e3os Campana (Fernando, arquiteto, e Humberto, advogado), que tem tido grande repercuss\u00e3o internacional, pela criatividade demonstrada em produtos que articulam o industrial com o artesanal e trabalham com imaterialidade e transpar\u00eancia, como na cadeira Cone. Um tema desenvolvido tamb\u00e9m pela designer paulista Jaqueline Terpins em estantes de vidro e outros produtos que exploram esse material.<\/p>\n<p>Os designers brasileiros t\u00eam gerado produtos inovadores em v\u00e1rios setores, premiados internacionalmente, como \u00e9 o caso da cadeira de escrit\u00f3rio Clipper, do paulista Oswaldo Mellone da MHO Design, e o Ventilador Aliseu, da carioca NCS Design Rio.<\/p>\n<p>No campo gr\u00e1fico, muitas realiza\u00e7\u00f5es por arquitetos e designers: v\u00e1rios podem ser os exemplos, como na comunica\u00e7\u00e3o visual do Rio Design Barra das designers cariocas Val\u00e9ria London e Ana L\u00facia Leite Velho, ou na sinaliza\u00e7\u00e3o para o Novo Espa\u00e7o Natura do escrit\u00f3rio paulista OZ Design (dos arquitetos Andr\u00e9 Poppovic e Ronald Kapaz) e o projeto gr\u00e1fico das revistas &#8216;ARC DESIGN&#8217; e &#8216;A Revista&#8217; da paulista Fernanda Sarmento, ambos premiados pela Bienal da Associa\u00e7\u00e3o dos Designers Gr\u00e1ficos em S\u00e3o Paulo deste ano. <\/p>\n<p>Conclus\u00f5es<\/p>\n<p>Concluindo, a partir desse sucinto conjunto de obras e projetos apresentados, que \u00e9 apenas uma sele\u00e7\u00e3o pessoal de algumas obras realizadas e que certamente n\u00e3o engloba o conjunto mais expressivo da produ\u00e7\u00e3o nacional, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que a arquitetura contempor\u00e2nea desenvolvida no Brasil, em suas diversas regi\u00f5es, apresenta solu\u00e7\u00f5es e realiza\u00e7\u00f5es de elevada qualidade espacial, sensibilidade contextual, preocupa\u00e7\u00e3o ambiental e dom\u00ednio das novas tecnologias construtivas, com destaque para a utiliza\u00e7\u00e3o do a\u00e7o, um material abundante no pa\u00eds, mas ainda pouco utilizado. <\/p>\n<p>Pode-se assim dizer que, se a arquitetura brasileira n\u00e3o apresenta talvez a mesma genialidade das d\u00e9cadas de 40 e 50, quando o pa\u00eds se encontrou na vanguarda da arquitetura internacional atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o criativa da tecnologia do concreto armado, a compet\u00eancia dos arquitetos locais vem permitindo que o pa\u00eds se alinhe aos processos mais avan\u00e7ados no plano mundial na busca de solu\u00e7\u00f5es harmoniosas com o meio ambiente e voltadas \u00e0 qualidade de vida, atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o criativa e inteligente dos recursos tecnol\u00f3gicos dispon\u00edveis no pa\u00eds, em tempos marcados pela globaliza\u00e7\u00e3o e pela r\u00e1pida transfer\u00eancia de solu\u00e7\u00f5es e tecnologias nem sempre adequadas ao clima e \u00e0 cultura local.<\/p>\n<p>Assim, \u00e9 poss\u00edvel que, se os fluxos de capitais estrangeiros forem mantidos e um melhor desempenho econ\u00f4mico do pa\u00eds em termos de suas exporta\u00e7\u00f5es for alcan\u00e7ado, neste in\u00edcio de um novo s\u00e9culo e mil\u00eanio, o pa\u00eds faculte aos seus arquitetos um espa\u00e7o novamente privilegiado para realizar seus projetos e obras, com o retorno de uma nova &#8220;era dourada&#8221;, de maior interesse global e de maior alcance social para todas as camadas sociais da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. Por Bruno Roberto Padovano, Professor Doutor, FAUUSP &#8211; Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de S\u00e3o Paulo; Diretor Presidente do Instituto para o Desenho Avan\u00e7ado IDEA; Arquiteto Diretor do Escrit\u00f3rio Padovano e Associados Arquitetura S\/C Ltda. Fonte: www.brasembottawa.org A arquitetura desenvolvida no Brasil, pa\u00eds de dimens\u00f5es continentais e grandes diferen\u00e7as regionais, nem sempre [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3138","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3138","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3138"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3138\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3138"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3138"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3138"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}