{"id":3131,"date":"2012-08-21T15:12:57","date_gmt":"2012-08-21T18:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/operador-logistico-no-sistema-construtivo\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:57","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:57","slug":"operador-logistico-no-sistema-construtivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/operador-logistico-no-sistema-construtivo\/","title":{"rendered":"Operador log\u00edstico no sistema construtivo"},"content":{"rendered":"<p><b>H\u00e9lio Fl\u00e1vio Vieira, Eng\u00ba Civil\/Produ\u00e7\u00e3o, Professor\/pesquisador, Doutor, FURB\/UNIVALI. E-mail: hfvieira@terra.com.br. Texto veiculado no site www.interobras.com.br<\/b><\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o civil ao longo dos anos n\u00e3o deu a devida import\u00e2ncia \u00e0s quest\u00f5es relacionadas com suprimentos, estas sempre foram colocadas num patamar que n\u00e3o condiziam com sua relev\u00e2ncia. A preocupa\u00e7\u00e3o dos gestores era, basicamente, com a \u00e1rea t\u00e9cnica-estrutural em detrimento da \u00e1rea suprimentos, ou seja, negligenciou o gerenciamento do seu fluxo de suprimentos. N\u00e3o acompanhou a evolu\u00e7\u00e3o sentida na cadeia produtiva de outros setores da ind\u00fastria, conviveu sempre com o desperd\u00edcio e a improvisa\u00e7\u00e3o dentro do seu ambiente construtivo. Isto pode ser entendido pelo fato de seus principais subsetores, edifica\u00e7\u00f5es e constru\u00e7\u00e3o pesada, apresentarem caracter\u00edsticas de competitividade que conduziram a esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O subsetor de edifica\u00e7\u00f5es sempre apresentou alto-sufici\u00eancia no mercado interno, nunca sofreu uma forte a\u00e7\u00e3o competitiva, ou seja, o que era produzido era vendido, at\u00e9 mesmo em per\u00edodos de crise. Este fato deve-se \u00e0 peculiaridade do mercado habitacional brasileiro ser extremamente carente em termos de moradias. O subsetor de constru\u00e7\u00e3o pesada ou de infra-estrutura sempre teve como principal cliente o governo, onde os contratos eram de longa dura\u00e7\u00e3o, com altera\u00e7\u00f5es\/aditivos contratuais feitos de forma indiscriminada e na maioria das vezes superfaturados. Evidentemente, estes fatores contribu\u00edram de forma contundente para que o empres\u00e1rio do setor sofresse um processo de \u0093acomodamento competitivo\u0094 e contabilizasse a inefici\u00eancia, o desperd\u00edcio e a improvisa\u00e7\u00e3o nos or\u00e7amentos das obras ao inv\u00e9s de encontrar alternativas eficazes para melhorar seus desempenhos. <\/p>\n<p>Hoje, a competitividade tornou-se mais acirrada e em ambos os subsetores, fazendo com que houvesse a necessidade de reverter este quadro atrav\u00e9s uma motiva\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria por parte dos empres\u00e1rios do setor. Para tanto, a preocupa\u00e7\u00e3o com o gerenciamento do fluxo de suprimentos, principal respons\u00e1vel pela inefici\u00eancia, desperd\u00edcios e improvisa\u00e7\u00e3o no ambiente produtivo, passou a merecer ou a exigir um destaque bem maior, como \u00fanica forma de colocar a constru\u00e7\u00e3o civil em patamares pr\u00f3ximos da ind\u00fastria seriada. Est\u00e1 come\u00e7ando a ocorrer na constru\u00e7\u00e3o civil um processo de mudan\u00e7a radical na concep\u00e7\u00e3o produtiva. Os m\u00e9todos construtivos sofreram evolu\u00e7\u00f5es consider\u00e1veis e novas t\u00e9cnicas de fabrica\u00e7\u00e3o de elementos estruturais passam a prevalecer, assim como , a montagem passa a tomar lugar da produ\u00e7\u00e3o in loco , a movimenta\u00e7\u00e3o dos materiais nos canteiros come\u00e7a a ser especializar atrav\u00e9s da unitiza\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o de equipamentos compat\u00edveis, ou seja, a constru\u00e7\u00e3o civil est\u00e1 se aproximando muito do processo de industrializa\u00e7\u00e3o seriada. Como o produto mudou, a tecnologia de gest\u00e3o ter\u00e1 que mudar. O gerenciador da cadeia de suprimentos passa a merecer um destaque ainda maior, exigindo assim, a caracteriza\u00e7\u00e3o da figura do operador log\u00edstico que ir\u00e1 atuar de forma harm\u00f4nica com o engenheiro de obras.<\/p>\n<p><b>IMPORT\u00c2NCIA DA LOG\u00cdSTICA<\/b><\/p>\n<p>A log\u00edstica \u00e9 um termo em muita evid\u00eancia em todos os setores industriais\/empresariais. Hoje, todas as grandes empresas, empresas de ponta, nos mais diversos setores, se utilizam da log\u00edstica como forma de administrar seus fluxos produtivos com resultados inquestion\u00e1veis. Embora muitas empresas que dizem se utilizar da log\u00edstica, na verdade n\u00e3o o fazem, apresentam a conota\u00e7\u00e3o de empresas de ponta, por\u00e9m n\u00e3o usufruem dos reais benef\u00edcios que ela pode oferecer. Estas empresas possuem seu departamento de log\u00edstica que cuida da administra\u00e7\u00e3o de materiais, manufatura e da distribui\u00e7\u00e3o f\u00edsica, com suas diversas atividades relacionadas, por\u00e9m como fun\u00e7\u00f5es totalmente estanques, independentes e discretas. Sabendo-se que a caracter\u00edstica intr\u00ednseca da log\u00edstica \u00e9 a integra\u00e7\u00e3o, coordena\u00e7\u00e3o e controle destas atividades, pode-se concluir que est\u00e1 sendo empregada uma \u0093falsa log\u00edstica\u0094 e n\u00e3o aquela que encaminha a um aumento da produtividade, n\u00edvel de servi\u00e7o e uma redu\u00e7\u00e3o de custos.<\/p>\n<p>Dentre as ind\u00fastrias manufatureiras, a constru\u00e7\u00e3o civil, em especial o subsetor edifica\u00e7\u00f5es, \u00e9 a ind\u00fastria que menos se utiliza da tecnologia log\u00edstica em sua gest\u00e3o produtiva, fato que repercute significativamente na produtividade, qualidade, prazos e com elevados \u00edndices de perdas e desperd\u00edcios. Evidentemente, isto ratifica o a situa\u00e7\u00e3o em que se encontra este setor industrial onde todos os estudos apontam para \u00edndices entre 25% a 30% de perdas e desperd\u00edcios em rela\u00e7\u00e3o aos quantitativos totais, ou seja, para cada tr\u00eas edifica\u00e7\u00f5es constru\u00eddas, praticamente, se poderia construir outra.<\/p>\n<p><b>HIST\u00d3RICO<\/b><\/p>\n<p>Nunca \u00e9 demais falar um pouco do hist\u00f3rico da log\u00edstica. Ao contr\u00e1rio do que muitas pessoas pensam, ela n\u00e3o \u00e9 um novo processo ou uma nova metodologia administrativa. A log\u00edstica sempre existiu, desde os tempos mais remotos quando o homem come\u00e7ou a produzir no local mais do que necessitava. Come\u00e7ou a precisar de armazenagens e surgiu a necessidade de trocas\/comercializa\u00e7\u00e3o com seus vizinhos e, conseq\u00fcentemente, transporte. Isto j\u00e1 era log\u00edstica de uma forma potencial, n\u00e3o t\u00e3o tecnologicamente avan\u00e7ada e integradora como moderna log\u00edstica, mas j\u00e1 era log\u00edstica. Evoluiu sendo utilizada nas guerras ao longo dos s\u00e9culos. Era na retaguarda um setor estrat\u00e9gico, onde se estudava o advers\u00e1rio, fazia-se o planejamento militar, a movimenta\u00e7\u00e3o e o deslocamento das tropas, suprimentos e equipamentos. Dadas as caracter\u00edsticas da log\u00edstica desenvolvidas para fins militares apresentarem muita afinidade com as atividades industriais, passou a ser utilizada nas empresas com mesmo sucesso, dando origem a log\u00edsticas empresarial.<\/p>\n<p><b>DEFINI\u00c7\u00d5ES DA LOG\u00cdSTICA<\/b><\/p>\n<p>A log\u00edstica possui muitas defini\u00e7\u00f5es formais formuladas pelos dicion\u00e1rios e tamb\u00e9m defini\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas elaboradas pelos estudiosos. Das defini\u00e7\u00f5es formais, entre tantas outras, temos: \u0093a log\u00edstica vem do franc\u00eas logistique, \u00e9 a parte da arte militar relativa ao planejamento, transporte e suprimento de tropas em opera\u00e7\u00f5es; denomina\u00e7\u00e3o dada pelos gregos \u00e0 arte de calcular ou aritm\u00e9tica aplicada.\u0094 Partindo-se desta defini\u00e7\u00e3o formal e tra\u00e7ando-se um paralelo com a moderna log\u00edstica , ou seja, com o processo sist\u00eamico de administrar com tantos benef\u00edcios inquestion\u00e1veis produzidos na ind\u00fastria seriada, pode-se observar que houve um avan\u00e7o substancial. Ela evolui em muitas outras \u00e1reas, constituindo-se numa ferramenta operacional que ultrapassou muitas fronteiras, possuindo hoje uma ampla \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o e abrang\u00eancia nos mais diversos sistemas produtivos e empresariais. Isto fez com que a palavra suprimento n\u00e3o se restringisse apenas a materiais e produtos mas, tamb\u00e9m, a servi\u00e7os e m\u00e3o-de-obra. Estes fatos motivaram a que os estudiosos fizessem uma reformula\u00e7\u00e3o em termos conceituais atribuindo defini\u00e7\u00f5es menos espec\u00edficas, das quais destacam-se duas: \u0093a log\u00edstica \u00e9 o planejamento e a opera\u00e7\u00e3o de sistemas f\u00edsicos, informacionais e gerenciais necess\u00e1rios para que os insumos e produtos ven\u00e7am condicionantes espaciais e temporais de forma econ\u00f4mica.\u0094 (DASKIM,1985); \u0093a log\u00edstica \u00e9 o processo de planejar, implementar e controlar, de forma eficiente e econ\u00f4mica, o fluxo de suprimentos e produtos, a armazenagem e o fluxo de informa\u00e7\u00f5es correspondentes a todo o sistema desde a origem ao destino final, objetivando o atendimento \u00e0s necessidades dos clientes.\u0094 (Council of Logistic Management,1998)<\/p>\n<p>Pode-se constatar, de uma forma mais objetiva, que a log\u00edstica \u00e9, portanto, um processo ou uma metodologia administrativa que se baseia fundamentalmente na conscientiza\u00e7\u00e3o para o emprego de conceitos, t\u00e9cnicas e procedimentos que encaminhem a maximiza\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de servi\u00e7o e da produtividade numa cadeia de suprimentos.<\/p>\n<p><b>LOG\u00cdSTICA E A CONSTRU\u00c7\u00c3O CIVIL<\/b><\/p>\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o da log\u00edstica na constru\u00e7\u00e3o civil pode ser efetivada de uma forma bastante similar ao seu emprego numa ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o seriada, dada analogia existente entre um canteiro de obras e uma unidade fabril. Para que se possa iniciar a an\u00e1lise da introdu\u00e7\u00e3o da tecnologia log\u00edstica na constru\u00e7\u00e3o civil, deve-se inicialmente definir cadeia de suprimentos sob a \u00f3tica de uma ind\u00fastria seriada: segundo a ABML, \u0093\u00e9 o conjunto de organiza\u00e7\u00f5es que inter-relacionam, criando valor na forma de produtos e servi\u00e7os, desde o fornecedor da mat\u00e9ria-prima at\u00e9 o consumidor final.\u0094 Esta defini\u00e7\u00e3o sugere que ao longo de uma cadeia de suprimentos exista uma sucess\u00e3o de servi\u00e7os, manuseios, movimenta\u00e7\u00f5es e armazenagens, possibilitando que se fa\u00e7a esta analogia com um canteiro de obras, onde este seria a unidade fabril com suas diversas organiza\u00e7\u00f5es internas interdependentes (rela\u00e7\u00e3o de continuidade) e intervenientes (rela\u00e7\u00e3o de qualidade). Estas organiza\u00e7\u00f5es internas seriam as diversas etapas e equipes constituintes de uma obra, ou seja, equipes de infra-estrutura (sondagem, escava\u00e7\u00e3o, crava\u00e7\u00e3o de estacas, confec\u00e7\u00e3o de blocos, etc.), equipes de supra-estrutura (formas, ferragem, concretagem, alvenaria, pintura, hidr\u00e1ulica, el\u00e9trica, etc.), apresentando numa extremidade os fornecedores externos e na outra o consumidor do produto. Estas equipes nada mais s\u00e3o do que clientes internos que necessitam serem supridos de frentes de servi\u00e7o, m\u00e3o-de-obra ou materiais.<\/p>\n<p>Esta analogia mencionada acima \u00e9 bastante clara, por\u00e9m existem diferen\u00e7as b\u00e1sicas entre a constru\u00e7\u00e3o civil e a ind\u00fastria manufatureira seriada, entre muitas outras, pode-se destacar:<\/p>\n<p>&#8211; imobilidade do produto, a m\u00e3o-de-obra \u00e9 que se desloca ao longo do produto;<\/p>\n<p>&#8211; m\u00e3o-de-obra com alta rotatividade e, geralmente, desqualificada;<\/p>\n<p>&#8211; cria produto \u00fanico e n\u00e3o seriado;<\/p>\n<p>&#8211; alto custo e tempo elevado de produ\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; n\u00e3o existe distribui\u00e7\u00e3o f\u00edsica; etc.<\/p>\n<p>Deve-se considerar que estas diferen\u00e7as de forma alguma servem como barreira ou empecilho para introdu\u00e7\u00e3o da log\u00edstica neste segmento industrial, entende-se de uma forma totalmente inversa que s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que requerem ainda mais um gerenciamento mais apurado proporcionado, sem d\u00favida, pelo gerenciamento log\u00edstico.<\/p>\n<p><b>OPERADOR LOG\u00cdSTICO NA CONSTRU\u00c7\u00c3O CIVIL<\/b><\/p>\n<p>O operador log\u00edstico que se prop\u00f5e n\u00e3o \u00e9 nos moldes da ind\u00fastria seriada, ou seja, uma estrutura constitu\u00edda por pessoa jur\u00eddica especializada em gerenciar as atividades produtivas de uma determinada empresa contratante. O que est\u00e1 se propondo \u00e9 um administrador log\u00edstico que ir\u00e1 gerenciar o canteiro em harmonia com o engenheiro da obra, ou seja, uma pessoa f\u00edsica com elevado conhecimento da tecnologia log\u00edstica, associado a uma experi\u00eancia no setor construtivo.<\/p>\n<p>O operador log\u00edstico pode-se dizer que \u00e9 a pessoa f\u00edsica que ir\u00e1 materializar todo o processo log\u00edstico, ou seja, a pessoa que ir\u00e1 planejar, implementar e controlar todo o fluxo de materiais, servi\u00e7os, m\u00e3o-de-obra e a armazenagem com as respectivas informa\u00e7\u00f5es associadas. Sendo a ele atribu\u00edda, portanto, a gest\u00e3o da cadeia de suprimentos necess\u00e1rios a produ\u00e7\u00e3o seja de materiais, servi\u00e7os e m\u00e3o-de-obra, deixando para o engenheiro de obras a an\u00e1lise, acompanhamento e o controle das especifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas do projeto. Depreende-se da\u00ed que numa obra existir\u00e3o dois gestores: o gerente t\u00e9cnico (engenheiro da obra) e o gerente de suprimentos (operador log\u00edstico). Entende-se que este desmembramento gerencial trar\u00e1 benef\u00edcios significativos ao processo produtivo como um todo, uma vez que cada gestor ir\u00e1 concentrar-se apenas em sua atividade espec\u00edfica. <\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio, portanto, que em todo empreendimento, primeiramente, seja caracterizado claramente a figura do operador log\u00edstico o qual tomar\u00e1 para si a responsabilidade do planejamento e de todo desenvolvimento da obra no que diz respeito \u00e0 log\u00edstica de suprimentos, desde a fase do projeto at\u00e9 a \u00faltima etapa de acabamento da obra. Partindo-se dessa premissa \u00e9 de bom senso que a pessoa escolhida tenha o conhecimento pr\u00e9vio do empreendimento a ser executado, desde a fase inicial da elabora\u00e7\u00e3o do projeto construtivo. Os projetistas das diversas \u00e1reas de um sistema construtivo enfocam sua preocupa\u00e7\u00e3o prioritariamente nos aspectos t\u00e9cnicos do seu projeto de forma a conduzir ao seu bom desempenho, sem uma preocupa\u00e7\u00e3o maior com a compatibilidade com os demais. O profissional da log\u00edstica, de uma outra forma, ir\u00e1 concentrar sua preocupa\u00e7\u00e3o na integra\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o dos projetos. Ir\u00e1 compatibilizar a interdepend\u00eancia e a interveni\u00eancia entre os mesmos, procurando de todas as formas minimizar problemas como a possibilidade de descontinuidade da produ\u00e7\u00e3o por indefini\u00e7\u00f5es ou solu\u00e7\u00f5es mal formuladas nas interfaces entre diferentes projetos. Para tanto, \u00e9 fundamental a sua participa\u00e7\u00e3o em todas as fases do processo de projeto e no n\u00edvel de organiza\u00e7\u00e3o dos mesmos. <\/p>\n<p>Uma vez definido operador log\u00edstico este efetuar\u00e1 o planejamento global do sistema construtivo que ser\u00e1 o par\u00e2metro para a implementa\u00e7\u00e3o e o controle do fluxo de suprimentos e a armazenagem com o respectivo fluxo de informa\u00e7\u00f5es correspondentes ao longo do desenvolvimento da obra. Este planejamento constar\u00e1 basicamente:<\/p>\n<p>&#8211; Planejamento do canteiro de obras, compat\u00edvel com as caracter\u00edsticas e especificidades do empreendimento a ser desenvolvido;<\/p>\n<p>&#8211; Planejamento das atividades a serem executadas, estabelecendo cronogramas a partir do estudo as interfaces;<\/p>\n<p>&#8211; Caracterizar bem as diversas atividades constituintes da obra e subdividir a execu\u00e7\u00e3o da mesma em tarefas, analisando sua interveni\u00eancias;<\/p>\n<p>&#8211; Planejar no tempo e no espa\u00e7o as necessidades de recursos materiais e humanos;<\/p>\n<p>&#8211; Acompanhar o desenvolvimento dos servi\u00e7os e tomar medidas para solucionar interveni\u00eancias ou corrigir atrasos ao cronograma;<\/p>\n<p>&#8211; Desenvolver um sistema estrat\u00e9gico de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 importante ressaltar que para efetiva\u00e7\u00e3o de um bom gerenciamento log\u00edstico \u00e9 fundamental o desenvolvimento de um sistema estrat\u00e9gico de informa\u00e7\u00f5es. Deve ser \u00e1gil e eficiente, tornando eficaz o fluxo de materiais e servi\u00e7os, mantendo o sincronismo do setor produtivo (obra) com o departamento de suprimento e fornecedores externos.<\/p>\n<p>Pode-se destacar como problemas enfrentados, entre outros, pelo gerente de suprimentos: <\/p>\n<p>&#8211; Canteiro de obras: canteiro de obras mal planejado com lay out desorganizado gera problemas como necessidade de maiores espa\u00e7os f\u00edsicos, contrariando a l\u00f3gica da maioria das obras geralmente executadas nos grandes centros, densamente habitados e com s\u00e9rios problemas de espa\u00e7o; conduz a uma maior circula\u00e7\u00e3o de materiais, equipamentos e pessoas, conduzindo a maiores perdas de tempo e materiais; mau planejamento dos estoques, conduzindo a movimenta\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias proporcionando quebras e desperd\u00edcios; incompatibilidade dos equipamentos com mat\u00e9rias a serem movimentados, gerando perda de tempo e materiais; deteriora\u00e7\u00e3o de materiais por m\u00e1 armazenagem; falta de unitiza\u00e7\u00e3o dos materiais e componentes, conduz a um excessivo manuseio favorecendo perdas de materiais e tempo; etc.<\/p>\n<p>&#8211; Descontinuidade da produ\u00e7\u00e3o: a descontinuidade da produ\u00e7\u00e3o pode ocorrer por v\u00e1rios fatores como falta de frentes de servi\u00e7o por descontrole das equipes de servi\u00e7os interdependentes; falta de m\u00e3o-de-obra por defici\u00eancia ou mau dimensionamento das equipes, como tamb\u00e9m, desconhecimento da produtividade das mesmas; falta de material por defici\u00eancia no planejamento ou controle dos materiais para suprir a m\u00e3o-de-obra; retrabalhos por falta de controle das etapas de servi\u00e7os intervenientes e defici\u00eancia de m\u00e3o-de-obra gerando perda de tempo, ou seja, servi\u00e7os subseq\u00fcentes t\u00eam que esperar por reparos, aliado ao fato que ocorrer\u00e3o perdas de materiais.<\/p>\n<p><b>LOG\u00cdSTICA NA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DA EMPRESA<\/b><\/p>\n<p>Evidentemente que para a implanta\u00e7\u00e3o de um gerenciamento log\u00edstico no sistema construtivo de uma empresa deve-se ter uma estrutura hier\u00e1rquica-organizacional m\u00ednima da mesma. A \u00eanfase ser\u00e1 apenas para uma estrutura t\u00e9cnica-organizacional elementar desta empresa:<\/p>\n<p>\u00c1rea de Coordena\u00e7\u00e3o Log\u00edstica-Operacional: ser\u00e1 o setor respons\u00e1vel pela coordena\u00e7\u00e3o das sub\u00e1reas de suprimentos das diversas obras em andamento da empresa. Administrar\u00e1 as necessidades de servi\u00e7os, m\u00e3o-de-obra e materiais das mesmas e encaminhando os pedidos, transmitindo-os por meio eletr\u00f4nico (on-line) ao departamento de suprimentos. Para ocaso de empresas que possuam sob sua responsabilidade v\u00e1rias obras de porte consider\u00e1vel \u00e9 recomendado que exista para cada obra um operador log\u00edstico, o qual se responsabilizar\u00e1 pela administra\u00e7\u00e3o de suprimentos da mesma.<\/p>\n<p>\u00c1rea de Coordena\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica-Operacional: ser\u00e1 o setor respons\u00e1vel pela coordena\u00e7\u00e3o dos engenheiros residentes nas diferentes obras da empresa. Far\u00e1 a supervis\u00e3o e controle do desenvolvimento estrutural das diversas obras. Esta \u00e1rea encarregar-se-\u00e1 de decis\u00f5es de car\u00e1ter estrat\u00e9gico, t\u00e1tico e operacional das obras, repassando estas decis\u00f5es ao engenheiro respons\u00e1vel pelas mesmas. O coordenador t\u00e9cnico ser\u00e1 o respons\u00e1vel pelo suporte t\u00e9cnico estrutural para as diversas obras e tamb\u00e9m ser\u00e1 sempre um canal aberto com o engenheiro residente para a solu\u00e7\u00e3o de impasses e problemas rotineiros da obra sob sua responsabilidade.<\/p>\n<p>Departamento de Projetos: este setor tem import\u00e2ncia significativa na \u00e1rea t\u00e9cnica da empresa, especialmente, na etapa de concep\u00e7\u00e3o do empreendimento. A coordena\u00e7\u00e3o de projetos, ter\u00e1 a fun\u00e7\u00e3o de garantir a compatibilidade entre os diversos projetos, responsabilizando-se pela coordena\u00e7\u00e3o entre os projetistas. A id\u00e9ia \u00e9 que se consiga projetos compat\u00edveis e que se possa elaborar um planejamento pr\u00e9vio de suprimentos (servi\u00e7os, materiais e m\u00e3o-de-obra), tornando fundamental a participa\u00e7\u00e3o do coordenador log\u00edstico neste departamento como consultor\/orientador.<\/p>\n<p><b>CONTRIBUI\u00c7\u00c3O DA LOG\u00cdSTICA NA CONSTRU\u00c7\u00c3O CIVIL<\/b><\/p>\n<p>A log\u00edstica \u00e9 um processo administrativo incorporado nas empresas industriais seriadas, com benef\u00edcios inquestion\u00e1veis e vitais ao bom desempenho das mesmas. Portanto, tamb\u00e9m aplic\u00e1vel \u00e0 ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o civil, por\u00e9m, para isso \u00e9 necess\u00e1rio um processo de conscientiza\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o aos empres\u00e1rios do setor, dos benef\u00edcios e as vantagens propiciadas pela tecnologia log\u00edstica, podendo ser, at\u00e9 mesmo como um diferencial estrat\u00e9gico e competitivo da sua empresa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e9lio Fl\u00e1vio Vieira, Eng\u00ba Civil\/Produ\u00e7\u00e3o, Professor\/pesquisador, Doutor, FURB\/UNIVALI. E-mail: hfvieira@terra.com.br. Texto veiculado no site www.interobras.com.br A constru\u00e7\u00e3o civil ao longo dos anos n\u00e3o deu a devida import\u00e2ncia \u00e0s quest\u00f5es relacionadas com suprimentos, estas sempre foram colocadas num patamar que n\u00e3o condiziam com sua relev\u00e2ncia. A preocupa\u00e7\u00e3o dos gestores era, basicamente, com a \u00e1rea t\u00e9cnica-estrutural em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3131","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3131","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3131"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3131\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3131"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3131"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3131"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}