{"id":3124,"date":"2012-08-21T15:12:57","date_gmt":"2012-08-21T18:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/sistemas-estruturais-e-concepcao-arquitetonica\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:57","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:57","slug":"sistemas-estruturais-e-concepcao-arquitetonica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/sistemas-estruturais-e-concepcao-arquitetonica\/","title":{"rendered":"Sistemas estruturais e concep\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica"},"content":{"rendered":"<p>.<br \/>\n<b>Ricardo Henrique Dias, engenheiro civil, mestre em Engenharia de Estruturas pela Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos, EESC-USP, e professor no Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1 \u0096 PUCPR.<\/b><\/p>\n<p>Dentre os desafios que a engenharia de estruturas enfrenta, um dos maiores relaciona-se \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de sistemas seguros e economicamente vi\u00e1veis para estabilizar grandes v\u00e3os projetados pela arquitetura.<\/p>\n<p>A maior aplica\u00e7\u00e3o dos grandes v\u00e3os acontece nas estruturas de pontes ou &#8220;obras-de-arte&#8221;. Aparecem ent\u00e3o estruturas caras e monumentais, aplicando o que h\u00e1 de mais atual em tecnologia dos materiais, modelos de an\u00e1lise e t\u00e9cnicas de execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, grandes v\u00e3os s\u00e3o tamb\u00e9m exigidos para estruturas de coberturas, pela necessidade de abrigar um elevado n\u00famero de pessoas em ambiente sem divis\u00f3rias, em teatros, audit\u00f3rios e gin\u00e1sios, podendo aqui serem aplicados sistemas leves, como as membranas tensionadas t\u00eaxteis, as treli\u00e7as tridimensionais de alum\u00ednio ou a\u00e7o, e as cascas curvas finas de concreto armado ou argamassa armada, entre outros.<\/p>\n<p>A busca por grandes espa\u00e7os em edifica\u00e7\u00f5es est\u00e1 inserida em uma das mais importantes tend\u00eancias que v\u00eam orientando a evolu\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas de edifica\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos cem anos: a busca por maior flexibilidade (1). Havendo a necessidade de criar grandes v\u00e3os em pisos, possibilitando espa\u00e7os com o m\u00ednimo de pilares ou outros elementos verticais, torna-se necess\u00e1ria a concep\u00e7\u00e3o de sistemas suficientemente r\u00edgidos \u00e0 flex\u00e3o, aplicando-se materiais como o a\u00e7o e o concreto protendido, procurando a otimiza\u00e7\u00e3o das se\u00e7\u00f5es das pe\u00e7as compostas destes materiais, visando continuar obtendo solu\u00e7\u00f5es as mais leves poss\u00edveis. Isso porque a palavra chave, quando tratamos de grandes v\u00e3os, \u00e9 deforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Materiais estruturais para grandes v\u00e3os em pisos<\/b><\/p>\n<p>O progresso da engenharia est\u00e1 intimamente ligado ao progresso da ci\u00eancia dos materiais, e o que v\u00ea-se \u00e9 um incremento das resist\u00eancia do a\u00e7o e concreto ao longo dos anos, o que possibilita a diminui\u00e7\u00e3o das se\u00e7\u00f5es das pe\u00e7as estruturais, e a possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o a v\u00e3os cada vez maiores.<\/p>\n<p>Antigamente tinha-se o uso da pedra, nas constru\u00e7\u00f5es eg\u00edpcias e na Idade M\u00e9dia, e da madeira, no s\u00e9culo XVIII, onde os v\u00e3os foram sendo incrementados. A partir da revolu\u00e7\u00e3o industrial come\u00e7aram a ser aplicadas as estruturas met\u00e1licas, com vantagens ao uso da madeira, devido a rela\u00e7\u00e3o entre peso pr\u00f3prio e dimens\u00f5es das pe\u00e7as estruturais, escassez da madeira, e pela suposi\u00e7\u00e3o de que o ferro fundido fosse mais resistente a inc\u00eandios, elevando a seguran\u00e7a das edifica\u00e7\u00f5es industriais (2). Com o advento do uso do ferro e posteriormente do a\u00e7o, com a revolu\u00e7\u00e3o industrial, at\u00e9 a inven\u00e7\u00e3o do concreto, estes materiais foram tendo suas propriedades melhoradas (resist\u00eancia e elasticidade), e uso cada vez mais difundido.<\/p>\n<p><b>A\u00e7o<\/b><\/p>\n<p>O a\u00e7o \u00e9 obtido do carv\u00e3o mineral ou do min\u00e9rio de ferro, com retirada de impurezas e promo\u00e7\u00e3o de adi\u00e7\u00f5es pela siderurgia. Tem elevada resist\u00eancia, tanto \u00e0 compress\u00e3o quanto \u00e0 tra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As principais caracter\u00edsticas de uma estrutura constitu\u00edda por materiais met\u00e1licos s\u00e3o: qualidade homog\u00eanea, esbelteza das pe\u00e7as resistentes, precis\u00e3o na fabrica\u00e7\u00e3o e montagem, necessidade de prote\u00e7\u00e3o contra corros\u00e3o e inc\u00eandios.<\/p>\n<p>Os perfis utilizados em obras civis s\u00e3o dos tipos: laminados, soldados, tubulares e conformados a frio. Os perfis soldados s\u00e3o obtidos pelo corte de chapas de a\u00e7o, em qualquer espessura, e soldagem das mesmas, formando as se\u00e7\u00f5es desejadas, em praticamente qualquer composi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o os perfis utilizados em grandes estruturas met\u00e1licas, com altura de at\u00e9 1,5 m ou mais, para v\u00e3os da ordem de 15 a 20 m, dependendo dos carregamentos.<\/p>\n<p><b>Concreto de alto desempenho (CAD), armado e protendido<\/b><\/p>\n<p>O concreto, mistura de aglomerante com \u00e1gua e agregrados (mi\u00fados e gra\u00fados), desde o patenteamento do cimento Portland por Joseph Aspdin, em 1824, vem sofrendo sucessivos incrementos de resist\u00eancia. Em 1931 a norma brasileira que regulamentava o uso do concreto nas obras civis indicava concretos com fck = 12 MPa, sendo fck a resist\u00eancia caracter\u00edstica \u00e0 compress\u00e3o do concreto aos 28 dias. <\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1940 o fck utilizado era de cerca de 16 MPa; na d\u00e9cada de 1990, esse valor j\u00e1 era m\u00e9dio de 25 MPa e, a partir do ano 2000, v\u00ea-se a possibilidade de concretos, com facilidade, da ordem de 40 a 50 MPa (3), chamados de concreto de alto desempenho (CAD), recebendo aditivos para melhora de diversas caracter\u00edsticas, como por exemplo a trabalhabilidade. T\u00eam baix\u00edssima permeabilidade e excelente resist\u00eancia mec\u00e2nica; altos m\u00f3dulos de elasticidade e, dessa maneira, sofrem baixas deforma\u00e7\u00f5es; t\u00eam reduzidos valores de deforma\u00e7\u00f5es lentas, devido a carregamentos de longa dura\u00e7\u00e3o. Podem ter alta resist\u00eancia inicial, diminuindo o tempo de cura e agilizando a desforma das pe\u00e7as estruturais. \u00c9 poss\u00edvel hoje a confec\u00e7\u00e3o de concretos com alt\u00edssima resist\u00eancia, de p\u00f3s-reativos, capazes de suportar compress\u00f5es de at\u00e9 800 MPa (4), mas de uso restrito a laborat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Havendo concretos com elevada resist\u00eancia \u00e0 compress\u00e3o, os mesmos possibilitam a aplica\u00e7\u00e3o em se\u00e7\u00f5es mais esbeltas que concretos menos resistentes, vencendo maiores v\u00e3os e aumentando a \u00e1rea \u00fatil das edifica\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Associados a armaduras passivas (barras de a\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o) formam o concreto armado, moldado &#8220;in loco&#8221; ou pr\u00e9-moldado. \u00c9 o material estrutural mais aplicado em obras civis no mundo, devido \u00e0 facilidade de cria\u00e7\u00e3o de qualquer se\u00e7\u00e3o, m\u00e3o-de-obra barata e n\u00e3o especializada para a confec\u00e7\u00e3o e materiais que o comp\u00f5em dispon\u00edveis em qualquer regi\u00e3o do planeta. Al\u00e9m do crit\u00e9rio resist\u00eancia, as pe\u00e7as formadas por concreto armado devem atender aos limites de deforma\u00e7\u00f5es, e a\u00ed situa-se a fronteira de sua aplica\u00e7\u00e3o: v\u00e3os maiores pedem se\u00e7\u00f5es estruturais maiores, e o peso pr\u00f3prio das pe\u00e7as com grandes \u00e1reas transversais acaba tornando a nova se\u00e7\u00e3o invi\u00e1vel. As principais caracter\u00edsticas do uso do concreto armado s\u00e3o: obten\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as monol\u00edticas, durabilidade, alta resist\u00eancia a choques e vibra\u00e7\u00f5es, bom condutor de calor e som, necessidade de escoramentos durante a fabrica\u00e7\u00e3o, dificuldade de adapta\u00e7\u00f5es e reformas.<\/p>\n<p>Com o advento do concreto protendido p\u00f4de-se extrair o m\u00e1ximo de efici\u00eancia dos materiais concreto e a\u00e7o: concretos que suportam grandes esfor\u00e7os de compress\u00e3o podem ser pr\u00e9-comprimidos, por cabos de a\u00e7o pr\u00e9-tracionados, e dessa maneira a pe\u00e7a estrutural vence maiores v\u00e3os, j\u00e1 que conseguem combater as deforma\u00e7\u00f5es, podendo at\u00e9 anul\u00e1-las quando da atua\u00e7\u00e3o total dos carregamentos.<\/p>\n<p>Aproveitando o que h\u00e1 de melhor em materiais estruturais economicamente vi\u00e1veis, diversas solu\u00e7\u00f5es podem ser aplicadas visando estabilizar grandes v\u00e3os em pisos de edifica\u00e7\u00f5es civis. Al\u00e9m de sistemas usuais, novas possibilidades podem ser projetadas, de acordo com a criatividade do arquiteto e a sua ousadia na determina\u00e7\u00e3o das formas arquitet\u00f4nicas. <\/p>\n<p>A import\u00e2ncia do conhecimento das possibilidades estruturais, na concep\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica, reside na pr\u00e9via an\u00e1lise das interfer\u00eancias das dimens\u00f5es estruturais no p\u00e9-direito projetado, visando determinar a altura \u00fatil de maneira correta no projeto arquitet\u00f4nico. Al\u00e9m disso, o aproveitamento da estrutura como linguagem est\u00e9tica da arquitetura s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com um projeto arquitet\u00f4nico que demonstre a estrutura o mais fiel poss\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o ao resultado de sua execu\u00e7\u00e3o, contemplando as solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas dispon\u00edveis para a sua concretiza\u00e7\u00e3o. Sob esse prisma, o trabalho conjunto de engenheiros de c\u00e1lculo estrutural e arquitetos, no desenvolvimento do projeto arquitet\u00f4nico, \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p><B>Grelhas de vigas: met\u00e1licas, em concreto armado ou protendido<\/b><\/p>\n<p>As vigas, elementos lineares onde os esfor\u00e7os que atuam nos elementos solicitam a massa da se\u00e7\u00e3o transversal do elemento estrutural, est\u00e3o entre os elementos mais utilizados em pavimentos de edif\u00edcios. Recebem cargas transversais ao eixo que as define e, por terem rigidez, podem transmiti-las aos apoios, sofrendo os esfor\u00e7os simples: flex\u00e3o, cisalhamento, tor\u00e7\u00e3o. Podem tamb\u00e9m absorverem esfor\u00e7os normais, de tra\u00e7\u00e3o ou compress\u00e3o, quando carregadas segundo a linha que define o eixo longitudinal.<br \/>\nVisando a utiliza\u00e7\u00e3o de vigas nos pavimentos de maneira a obter maiores dist\u00e2ncias entre apoios, estas s\u00e3o lan\u00e7adas em sistema reticulado plano, denominado grelha, gerado pelo cruzamento r\u00edgido entre as vigas no plano do pavimento. Os reticulados podem ser ortogonais ou diagonais com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vigas perif\u00e9ricas; a disposi\u00e7\u00e3o diagonal apresenta melhor comportamento, por\u00e9m \u00e9 de dif\u00edcil execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para ter maior efici\u00eancia \u00e9 ideal que as dist\u00e2ncias entre pilares sejam aproximadamente iguais nas duas dire\u00e7\u00f5es, onde essa hip\u00f3tese \u00e9 v\u00e1lida at\u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o L &lt; 2.l, sendo L = maior v\u00e3o entre pilares, em uma dire\u00e7\u00e3o, e l = menor v\u00e3o entre pilares na dire\u00e7\u00e3o ortogonal. <\/p>\n<p>Quando essa rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 atendida, as vigas de maior comprimento, para que o sistema continue eficiente nas duas dire\u00e7\u00f5es, devem ser adequadamente enrijecidas; sen\u00e3o, pode-se imaginar o sistema funcionando apenas na menor dire\u00e7\u00e3o, com as vigas longitudinais podendo at\u00e9 serem mais espa\u00e7adas. <\/p>\n<p>As grelhas podem ser executadas em a\u00e7o, concreto armado ou concreto protendido. Sobre as vigas pode ser criada uma laje de concreto armado maci\u00e7a moldada &quot;in loco&quot;, protendida (para grandes v\u00e3os entre as vigas), ou colocada uma laje &quot;steel deck&quot;. Lajes pr\u00e9-moldadas em concreto armado e protendidas tamb\u00e9m s\u00e3o adequadas: laje alveolar ou se\u00e7\u00e3o &quot;duplo T&quot;, usualmente. Os sistemas de vigas pr\u00e9-moldadas constituem em \u00f3tima solu\u00e7\u00e3o quando exige-se tamb\u00e9m rapidez de execu\u00e7\u00e3o (para isso \u00e9 necess\u00e1ria extrema modula\u00e7\u00e3o dos pilares). A independ\u00eancia do piso com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 grelha de vigas permite a cria\u00e7\u00e3o de domos, ou ent\u00e3o de pisos de vidro, interessantes do ponto de vista arquitet\u00f4nico.<\/p>\n<p><B>Lajes nervuradas em concreto armado e protendido<\/b><\/p>\n<p>O mesmo reticulado de vigas pode ser feito, em concreto armado e protendido, considerando pequenos afastamentos entre os eixos de apoio, menores que 1,10 m, e levando em conta o piso como colaborante na resist\u00eancia das nervuras \u00e0 flex\u00e3o. Este sistema \u00e9 denominado de laje nervurada, e tem sua origem em 1854 (5), quando William Boutland Wilkinson patentou um sistema em concreto armado de pequenas vigas regularmente espa\u00e7adas, onde os vazios entre as nervuras foram obtidos pela coloca\u00e7\u00e3o de moldes de gesso, sendo uma fina capa de concreto executada como plano de piso.<\/p>\n<p>No sistema nervurado tem-se um al\u00edvio do peso pr\u00f3prio da estrutura e um aproveitamento mais eficiente dos materiais, a\u00e7o e concreto, j\u00e1 que a mesa de concreto resiste aos esfor\u00e7os de compress\u00e3o e a armadura os de tra\u00e7\u00e3o, sendo que a nervura de concreto faz a liga\u00e7\u00e3o mesa-alma (6). Os vazios s\u00e3o obtidos com moldes pl\u00e1sticos remov\u00edveis ou ent\u00e3o pela coloca\u00e7\u00e3o de material inerte perdido, como por exemplo o isopor ou pe\u00e7as cer\u00e2micas. <\/p>\n<p>Pode-se ter, para as lajes nervuradas, pain\u00e9is apoiados em vigas mais r\u00edgidas que as nervuras, num sistema chamado de convencional. Contudo, tamb\u00e9m s\u00e3o aplicadas em pisos de lajes sem vigas, conforme Figura 6, gerando assim um teto de espessura \u00fanica, sem elementos abaixo da linha inferior das nervuras, o que \u00e9 vantajoso na determina\u00e7\u00e3o das alturas livres internas dos compartimentos de uma edifica\u00e7\u00e3o. Nesse caso tem-se o apoio diretamente no pilar, sendo necess\u00e1rio que a regi\u00e3o em torno dos pilares seja maci\u00e7a para absorver os momentos negativos que surgem no entorno dos pilares internos e resistir ao efeito de puncionamento, que \u00e9 a tend\u00eancia \u00e0 perfura\u00e7\u00e3o da laje pelo pilar, que ocorre nessa regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Em algumas lajes desse sistema podem ser colocadas vigas de borda, com a fun\u00e7\u00e3o de diminuir os momentos fletores e deslocamentos, absorvendo tamb\u00e9m a tor\u00e7\u00e3o e a pun\u00e7\u00e3o al\u00ed geradas.<br \/>\nDiversas varia\u00e7\u00f5es podem ser obtidas pela protens\u00e3o \u00e0s lajes nervuradas; uma das mais interessantes \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de faixas maci\u00e7as, embutidas ou n\u00e3o na espessura da laje nervurada, ligando os pilares perif\u00e9ricos e centrais em uma ou duas dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O pr\u00e9-dimensionamento destas estruturas protendidas, para a determina\u00e7\u00e3o da altura da laje, fica determinado pela seguinte equa\u00e7\u00e3o: h = l\/23 a l\/28, sendo h = altura da laje nervurada e l = dist\u00e2ncia entre os apoios (pilares), em cm. Podem chegar a v\u00e3os da ordem de 20 m (7).<\/p>\n<p>Para o pr\u00e9-dimensionamento destas lajes, em concreto armado, pode ser utilizado \u00e1baco apresentado por Rebello (8).<\/p>\n<p><B>Lajes lisas e cogumelo protendidas, sem e com vigas-faixa<\/b><\/p>\n<p>Visando obter tetos sem a presen\u00e7a de elementos enrijecedores nas lajes, tem-se a solu\u00e7\u00e3o estrutural de laje maci\u00e7a protendida, sem vigas, tamb\u00e9m chamada de lajes lisa protendida. A placa \u00e9 apoiada diretamente sobre os pilares. Este tipo de solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo muito utilizado atualmente, principalmente em edifica\u00e7\u00f5es residencias e comerciais. A ordem m\u00e1xima de v\u00e3o obtido com esse sistema \u00e9 de 12 m; para v\u00e3os maiores a laje torna-se demasiadamente espessa, inviabilizando o seu uso. <\/p>\n<p>As lajes maci\u00e7as sem vigas tamb\u00e9m sofrem o efeito do puncionamento junto aos pilares, ou seja, for\u00e7as cortantes elevadas nos apoios que tentam furar o pano de laje; dessa maneira, outra solu\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel para esse sistema \u00e9 criar um enrijecimento junto aos pilares, por meio de um engrossamento da laje (\u00e1baco) ou um engrossamento do pilar (capitel, que pode ser em tronco de pir\u00e2mide ou de cone). Este sistema \u00e9 tamb\u00e9m denominado de laje cogumelo protendida e, com esse sistema, pode-se diminuir a espessura da placa fora da regi\u00e3o do pilar.<\/p>\n<p>A protens\u00e3o das lajes geralmente \u00e9 feita por meio de cordoalhas engraxadas de a\u00e7o flex\u00edvel colocadas dentro de tubos pl\u00e1sticos para n\u00e3o aderirem ao concreto, em um sistema de protens\u00e3o denominado &#8220;sem ader\u00eancia&#8221;, onde o efeito da tra\u00e7\u00e3o do cabo \u00e9 transmitido por meio de ancoragens nas bordas da laje.<br \/>\nAbaixo tem-se a Figura 9, onde s\u00e3o apresentadas estruturas em lajes protendidas com e sem engrossamento junto aos pilares. <\/p>\n<p>As lajes lisas sem vigas t\u00eam a espessura pr\u00e9-dimensionada da seguinte maneira: h = l\/30 a l\/40, sendo h = altura da laje maci\u00e7a e l = dist\u00e2ncia entre os pilares, em cm. As lajes cogumelo (com engrossamentos junto aos pilares) t\u00eam a espessura pr\u00e9-dimensionada por: h = l\/34 a l\/44 (9).<\/p>\n<p>Outra possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o da laje protendida moldada &#8220;in loco&#8221; \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de vigas-faixa ligando os pilares, em uma ou duas dire\u00e7\u00f5es. Esse recurso possibilita que, fora das faixas, a laje possa ter espessura menor que aquela obtida com uma laje de espessura constante. A Figura 10 mostra esse tipo de laje. Podem ter v\u00e3os m\u00e1ximos da ordem de 13 m, e t\u00eam o seguinte pr\u00e9-dimensionamento para a laje: h = l\/35 a l\/45, sendo h = altura da laje maci\u00e7a e l = dist\u00e2ncia entre os pilares, em cm. A faixa t\u00eam altura pr\u00e9-estimada como hfaixa = l\/18 a l\/25, sendo hfaixa = altura da faixa maci\u00e7a e l = dist\u00e2ncia entre os pilares, em cm (10).<\/p>\n<p><B>Sistemas com se\u00e7\u00e3o caix\u00e3o em concreto armado e protendido<\/B><\/p>\n<p>As se\u00e7\u00f5es celulares s\u00e3o altamente resistentes \u00e0 flex\u00e3o, por possu\u00edrem grande in\u00e9rcia, e comumente aplicadas em pisos de pontes com grandes v\u00e3os. Este conceito tamb\u00e9m pode ser utilizado em estruturas de piso, possibilitando a cria\u00e7\u00e3o do grande v\u00e3o, al\u00e9m de possibilitar a exist\u00eancia de grandes balan\u00e7os nas lajes.<\/p>\n<p>Uma das maneiras mais usuais de aplicar os conceitos de se\u00e7\u00e3o celular, em pisos, \u00e9 a configura\u00e7\u00e3o de lajes nervuradas com caix\u00e3o perdido, ou seja, com mesas superior e inferior, obtidas pela coloca\u00e7\u00e3o de um material inerte entre as duas camadas de laje (caixotes de madeira, blocos de isopor ou tubos circulares de papel\u00e3o, por exemplo).<\/p>\n<p>Nesse sistema o balan\u00e7o pode ser implementado em fun\u00e7\u00e3o da mesa comprimida existente na face inferior, onde a nervura pode ser considerada como uma se\u00e7\u00e3o &#8220;I&#8221;, diferente de uma laje nervurada com capa apenas superior: nestas, na regi\u00e3o de momentos fletores negativos (aqueles que tracionam em cima), n\u00e3o existindo a capa inferior, somente as se\u00e7\u00f5es retangulares das vigas dever\u00e3o suportar \u00e0 flex\u00e3o, sem a colabora\u00e7\u00e3o da laje para a forma\u00e7\u00e3o de se\u00e7\u00f5es &#8220;T&#8221; mais resistentes.<\/p>\n<p>Para o pr\u00e9-dimensionamento destas lajes, em concreto armado, pode ser utilizado \u00e1baco apresentado por Rebello (11).<\/p>\n<p><b>Coment\u00e1rios finais<\/b><\/p>\n<p>Grandes v\u00e3os em pisos pedem solu\u00e7\u00f5es estruturais que apliquem os materiais mais resistentes e menos deform\u00e1veis, em tipologias adequadas \u00e0 forma arquitet\u00f4nica e que organizem a distribui\u00e7\u00e3o dos carregamentos at\u00e9 os apoios, preferencialmente locados de maneira modulada nas dire\u00e7\u00f5es ortogonais.<\/p>\n<p>A pr\u00e9via escolha da tipologia estrutural tem a import\u00e2ncia de fornecer subs\u00eddios \u00e0 representa\u00e7\u00e3o correta da arquitetura, por meio da defini\u00e7\u00e3o de alturas livres e, consequentemente, p\u00e9s-direito adequados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, pode-se tirar proveito da linguagem estrutural para a est\u00e9tica da Arquitetura.<\/p>\n<p>Enfim, como mostrado em Engel (12), o agente respons\u00e1vel pela arquitetura, seu projeto e sua realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 o arquiteto; \u00e9 ele, ent\u00e3o, quem desenvolve o conceito de estrutura para seus projetos em sua linguagem profissional. <\/p>\n<p><b>Notas<\/b><\/p>\n<p>1<br \/>\nDORFMAN, G. Flexibilidade como balizador do desenvolvimento das t\u00e9cnicas de edifica\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XX. Dispon\u00edvel em: . Acesso em 23 set 2003.<\/p>\n<p>2<br \/>\nDORFMAN, G. Op. cit.<\/p>\n<p>3<br \/>\nABCP. Concreto de alto desempenho (CAD). Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Cimento Portland. CD-ROM, 1999.<\/p>\n<p>4<br \/>\nREVISTA GLOBO CI\u00caNCIA. A revolu\u00e7\u00e3o do superconcreto. Rio de Janeiro: Editora Globo, fev. 1998.<\/p>\n<p>5<br \/>\nCf. LIMA, E. L.; BALAT, V. H.; BISSIO, J. F. Hormig\u00f3n Armado: Notas sobre su evoluci\u00f3n y la de su teor\u00eda. Dispon\u00edvel em: . Acesso em: 23 set. 2003.<\/p>\n<p>6<br \/>\nFRANCA, A. B. M.; FUSCO, P. B. As lajes nervuradas na moderna constru\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios. S\u00e3o Paulo: Afala &amp; Abrapex, 1997.<\/p>\n<p>7<br \/>\nAALAMI. Cf. ALMEIDA FILHO, F. M. de. Estruturas de pisos de edif\u00edcios com a utiliza\u00e7\u00e3o de cordoalhas engraxadas. Tese de Mestrado, Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos, Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Carlos, 2002.<\/p>\n<p>8<br \/>\nREBELLO, Y. C. P. A concep\u00e7\u00e3o estrutural e a Arquitetura. S\u00e3o Paulo: Zigurate Editora, 2000.<\/p>\n<p>9<br \/>\nAALAMI. Op. cit.<\/p>\n<p>10<br \/>\nAALAMI. Op. cit.<\/p>\n<p>11<br \/>\nREBELLO. Op. cit.<\/p>\n<p>12<br \/>\nENGEL, H. (2002). Sistemas Estruturais. Barcelona: Editorial Gustavo Gili.<\/p>\n<p><b>Bibliografia complementar<\/b><\/p>\n<p>ASSOCIA\u00c7\u00c3O BRASILEIRA DE NORMAS T\u00c9CNICAS. Texto base para revis\u00e3o da NB1\/78- NBR61118: Projeto de revis\u00e3o e coment\u00e1rios. Rio de Janeiro, 2000.<\/p>\n<p>ATEX. Apresenta descri\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica (caracter\u00edsticas e aplica\u00e7\u00e3o) de formas pl\u00e1sticas para a confec\u00e7\u00e3o de lajes nervuradas. Dispon\u00edvel em: . Acesso em 23 set. 2003.<\/p>\n<p>ATHENAEUM. Apresenta biografia da Arq. Lina Bo Bardi. Dispon\u00edvel em: . Acesso em 18 nov. 2003.<\/p>\n<p>DIAS, L. A. M. Estruturas de a\u00e7o: conceitos, t\u00e9cnicas e linguagens. S\u00e3o Paulo: Editora Zigurate, 1998.<\/p>\n<p>DIMIBU. Apresenta descri\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica (caracter\u00edsticas e aplica\u00e7\u00e3o) de tubos de papel\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o civil. Dispon\u00edvel em: . Acesso em 18 nov. 2003.<\/p>\n<p>LSI.USP. Apresenta biografia do Arq. Jo\u00e3o Vilanova Artigas. Dispon\u00edvel em: . Acesso em 18 nov. 2003.<\/p>\n<p>NAWY, E.G. Reinforced concrete: a fundamental approach. New Jersey: Pretince-Hall, 1995.<\/p>\n<p>STRUCTURAE. Apresenta base de dados de tipologias e obras estruturais executadas no mundo. Dispon\u00edvel em: . Acesso em 18 nov. 2003.<\/p>\n<p><b>Mais informa\u00e7\u00f5es acesse:<\/b><\/p>\n<p>http:\/\/www.vitruvius.com.br\/arquitextos\/arq000\/esp214.asp<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. Ricardo Henrique Dias, engenheiro civil, mestre em Engenharia de Estruturas pela Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos, EESC-USP, e professor no Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1 \u0096 PUCPR. 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