{"id":3118,"date":"2012-08-21T15:12:57","date_gmt":"2012-08-21T18:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/medicos-construtores\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:57","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:57","slug":"medicos-construtores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/medicos-construtores\/","title":{"rendered":"M\u00e9dicos construtores"},"content":{"rendered":"<p>.<br \/>\n<b>\u00canio Padilha, engenheiro eletricista, especializado em Marketing para Engenharia, Arquitetura e Agronomia. E-mail: eniopadilha@uol.com.br. Site: www.eniopadilha.com.br<\/b><\/p>\n<p>Deu no Jornal Nacional de s\u00e1bado, dia 31 de julho: Profissionais especializados aproveitam os fins de semana para melhorar a qualidade das constru\u00e7\u00f5es nos bairros pobres, aumentando a seguran\u00e7a das obras e reduzindo o n\u00famero de acidentes com crian\u00e7as. <\/p>\n<p>A reportagem, que durou exatos 2 minutos, n\u00e3o mostrou nenhum arquiteto, nem engenheiro, tecn\u00f3logo, t\u00e9cnico ou qualquer outro profissional ligado ao sistema CONFEA\/CREA.  Os \u0093profissionais\u0094 apresentados na mat\u00e9ria usavam mais do que capacetes brancos. Usavam tamb\u00e9m jalecos e guarda-p\u00f3s igualmente brancos: eram m\u00e9dicos, fisioterapeutas e enfermeiros&#8230; <\/p>\n<p>Os fatos s\u00e3o os seguintes: no ano passado 7500 crian\u00e7as ca\u00edram de lajes desprotegidas na cidade de S\u00e3o Paulo.  \u00c9 que, por falta de pra\u00e7as e parques, as crian\u00e7as se divertem brincando em cima das lajes. E, como elas s\u00e3o constru\u00eddas sem as devidas prote\u00e7\u00f5es, os acidentes s\u00e3o inevit\u00e1veis. <\/p>\n<p>S\u00f3 no bairro mostrado na reportagem, na zona leste da cidade, s\u00e3o 35 acidentes por m\u00eas (e nas f\u00e9rias este n\u00famero triplica). <\/p>\n<p>Sens\u00edveis ao problema, m\u00e9dicos de uma Organiza\u00e7\u00e3o N\u00e3o Governamental resolveram agir: h\u00e1 mais de tr\u00eas anos aproveitam os fins de semana para dar orienta\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a aos moradores das comunidades pobres. Passam de casa em casa e alertam os pais sobre os riscos de as crian\u00e7as utilizarem as lajes sem os muros de prote\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Como o n\u00famero de acidentes n\u00e3o diminuiu, eles resolveram (como disse a rep\u00f3rter) \u0093encarar o tijolo e o cimento para tentar mudar as estat\u00edsticas\u0094. Resolveram eles pr\u00f3prios \u0093botarem a m\u00e3o na massa\u0094 e ajudarem na constru\u00e7\u00e3o dos muros de prote\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>N\u00e3o sem uma consultoria especializada, evidentemente. O consultor escolhido foi o \u0093seu\u0094 Orlando, um pedreiro do bairro, que deu as especifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e as quantidades dos materiais a serem utilizados na obra. <\/p>\n<p>No fim da reportagem o Dr. S\u00e9rgio Branco, Neurocirurgi\u00e3o, concluiu satisfeito: \u0093O m\u00e9dico tem que mostrar que n\u00f3s estamos construindo um pa\u00eds. N\u00f3s temos a for\u00e7a de tentar levantar e movimentar a comunidade\u0094. <\/p>\n<p>Dados os fatos, n\u00f3s, os 850 mil profissionais do sistema CONFEA\/CREA podemos chegar a algumas conclus\u00f5es e tomar algumas decis\u00f5es.  Podemos, por exemplo, concluir que houve um flagrante exerc\u00edcio ilegal da profiss\u00e3o e decidir aplicar ao Dr. S\u00e9rgio e sua turma os rigores da lei (n\u00e3o esquecer de cobrar da Rede Globo uma indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais); <\/p>\n<p>Podemos, por outro lado, enviar uma carta ao Dr. S\u00e9rgio (com c\u00f3pia para a Rede Globo) parabenizando a iniciativa e o senso de cidadania. E agradecendo por nos abrir os olhos e pela sugest\u00e3o de a\u00e7\u00e3o social relevante, sem considerar a fant\u00e1stica oportunidade de fazer marketing institucional das nossas atividades profissionais; <\/p>\n<p>Podemos botar a nossa decantada intelig\u00eancia para funcionar e criar, dentro do sistema, leis que desamarrem (e mantenham sob nosso controle) o varejo da constru\u00e7\u00e3o civil, um poderoso segmento de mercado que, inexplicavelmente, foi abandonado tanto pela Arquitetura quanto pela Engenharia e conquistado, pouco-a-pouco, por curiosos de todas as forma\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Por que n\u00e3o permitir, por exemplo, que estudantes (de 4o ou 5o ano) de Engenharia e de Arquitetura tenham autoriza\u00e7\u00e3o para fazer obras de at\u00e9 70 ou 80 metros quadrados, mediante o registro de uma ART especial? <\/p>\n<p>Por que n\u00e3o estimular a cria\u00e7\u00e3o de \u0093brigadas\u0094 de ajuda \u00e0s constru\u00e7\u00f5es de baixa renda, sem as amarra\u00e7\u00f5es legais e taxas disso e daquilo.  O retorno em reconhecimento p\u00fablico do valor das profiss\u00f5es seria muito mais relevante do que eventuais receitas perdidas. <\/p>\n<p>N\u00e3o podemos perder o dom\u00ednio do ambiente profissional da constru\u00e7\u00e3o civil para m\u00e9dicos, fisioterapeutas, enfermeiros e pedreiros!  E, nessas circunst\u00e2ncias, nem podemos acus\u00e1-los de coisa alguma. Afinal eles nada mais fizeram do que ocupar um lugar que estava abandonado. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. \u00canio Padilha, engenheiro eletricista, especializado em Marketing para Engenharia, Arquitetura e Agronomia. E-mail: eniopadilha@uol.com.br. 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