{"id":3103,"date":"2012-08-21T15:12:57","date_gmt":"2012-08-21T18:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/a-ferramenta-e-o-operario\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:57","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:57","slug":"a-ferramenta-e-o-operario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/a-ferramenta-e-o-operario\/","title":{"rendered":"A ferramenta e o oper\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>.<br \/>\n<b>Adilson Luiz Gon\u00e7alves, engenheiro, professor universit\u00e1rio e Articulista. E-mail: algbr@ig.com.br. Artigo veiculado na revista EngWhere &#8211; www.engwhere.com.br<\/b><\/p>\n<p>A lideran\u00e7a \u00e9 uma atividade que envolve uma imensa responsabilidade. Envolve propens\u00e3o, disponibilidade e treinamento, mas essas qualidades e aprimoramentos n\u00e3o dispensam outras qualidades indispens\u00e1veis a um bom l\u00edder: intelig\u00eancia e sabedoria. <\/p>\n<p>Muitos podem acreditar ou aparentam terem nascido para liderar, mas nem todos t\u00eam ou adquirem habilidade e compet\u00eancia para exercer as responsabilidades decorrentes. Normalmente preferem as prerrogativas do mando e a presun\u00e7\u00e3o da infalibilidade. Nesses casos, o treinamento pode corrigir, mas tamb\u00e9m pode agravar problemas comportamentais. E os efeitos s\u00e3o t\u00e3o piores quanto menor for a faixa et\u00e1ria dos liderados. <\/p>\n<p>\u00c9&#8230; As apar\u00eancias enganam! <\/p>\n<p>Um colega teve um exemplo desse tipo de lideran\u00e7a h\u00e1 alguns anos, quando participava de uma comunidade religiosa: <\/p>\n<p>Um dos grupos &#8211; o mais antigo, formado por adolescentes &#8211; era liderado por um casal que n\u00e3o tinha filhos. Sua atua\u00e7\u00e3o era calcada, basicamente, no emocional. Quando lhes perguntavam por que n\u00e3o adotavam filhos, eles respondiam, incontinentes, que todos eles eram seus filhos&#8230; Mas tinham os seus &#8220;prediletos&#8221;, aos quais delegavam todas as fun\u00e7\u00f5es importantes do grupo e por meio destes controlavam os demais. <\/p>\n<p>At\u00e9 a\u00ed, nada de mal, mas todo o questionamento mais complexo &#8211; fosse sobre uma decis\u00e3o tomada ou sobre quest\u00f5es religiosas ou filos\u00f3ficas &#8211; era respondido com, estrat\u00e9gicas, crises de choro ou hipertens\u00e3o ou, pior, com a men\u00e7\u00e3o de que haviam feito um curso de treinamento de lideran\u00e7a religiosa&#8230; N\u00e3o eram respostas, mas pontos finais! Isso tamb\u00e9m n\u00e3o seria t\u00e3o grave se o posicionamento lac\u00f4nico e absoluto n\u00e3o fosse, em alguns casos, baseado, apenas, em conclus\u00f5es pessoais, desprovidas de qualquer coer\u00eancia e suporte l\u00f3gico. Faltava a humildade de reconhecer sua ignor\u00e2ncia sobre certos aspectos e encaminhar para quem pudesse explicar adequadamente, aproveitando para, tamb\u00e9m, aprender. Ou talvez tivessem medo de ver sua ascend\u00eancia sobre o grupo ser enfraquecida, por uma &#8211; na id\u00e9ia deles &#8211; demonstra\u00e7\u00e3o de limita\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Isso ocorreu, de forma patente, no dia em que um dos adolescentes do grupo mostrou ao meu colega uma &#8220;estrela de Davi&#8221; que havia encontrado na rua. Disse que ia procurar o casal para perguntar-lhe se havia algum problema em us\u00e1-la&#8230; Como ele j\u00e1 vinha observando as atitudes deles h\u00e1 algum tempo, antecipou-lhe que o Rei Davi era um personagem fundamental do Antigo Testamento, que o pr\u00f3prio Cristo havia nascido de uma fam\u00edlia de sua linhagem. N\u00e3o havia, portanto, nenhum problema em usar aquele s\u00edmbolo. Como ele insistiu em procur\u00e1-los, meu colega exortou-o a consultar, depois, o p\u00e1roco local. Gra\u00e7as a Deus, assim ele fez! <\/p>\n<p>Poucos minutos depois o jovem retornou, assentindo com a cabe\u00e7a e exibindo um sorriso. Motivo: o casal &#8211; com sua &#8220;autoridade&#8221; de praxe &#8211; havia dito &#8211; com ar grave e professoral &#8211; que ele n\u00e3o deveria usar a &#8220;estrela de Davi&#8221;, porque os judeus n\u00e3o reconheciam Cristo como o Messias! Em contrapartida, o p\u00e1roco confirmou tudo o que ele havia dito e estimulou o rapaz a us\u00e1-la sem preocupa\u00e7\u00f5es. Se essa experi\u00eancia n\u00e3o lhe serviu para outra coisa, ao menos demonstrou a necessidade de consultar mais de uma fonte antes de concluir sobre um assunto &#8211; o que n\u00e3o foi pouco. Mas a grande reflex\u00e3o \u00e9 sobre o exerc\u00edcio positivo da lideran\u00e7a: N\u00e3o basta querer ser l\u00edder e estar dispon\u00edvel para s\u00ea-lo! Da mesma forma, tamb\u00e9m \u00e9 grande a responsabilidade de quem pretende escolher l\u00edderes, pois lideran\u00e7a pressup\u00f5e responsabilidade, intera\u00e7\u00e3o, consci\u00eancia, humildade e, principalmente, autocr\u00edtica! \u00c8 imposs\u00edvel sustenta-la ou tirar-lhe proveito coletivo tendo por base: pouca racionalidade natural e muita emotividade, sincera ou n\u00e3o. <\/p>\n<p>Assim, qualquer que seja a \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o: o verdadeiro l\u00edder n\u00e3o deve ser um peso ou um limite para os liderados &#8211; se o for n\u00e3o se pode esperar nada de melhor do grupo-; disponibilidade e vontade s\u00e3o caracter\u00edsticas importantes, mas nunca determinantes na sele\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as; e, principalmente, deve-se ter cuidado redobrado ao treinar os selecionados por esses crit\u00e9rios, pois a ferramenta certa nas m\u00e3os do oper\u00e1rio errado pode transformar-se numa perigosa arma! <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. 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