{"id":3102,"date":"2012-08-21T15:12:57","date_gmt":"2012-08-21T18:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/umidade-ascendente\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:57","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:57","slug":"umidade-ascendente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/umidade-ascendente\/","title":{"rendered":"Umidade ascendente"},"content":{"rendered":"<p>.<br \/>\n<b>Sylvio Nogueira, arquiteto CREA347-D\/RJ. Escrit\u00f3rio em Curitiba\/PR. Ex-bolsista na Technische Hochschule Stuttgart. Ex-professor na PUC\/PR<\/b><\/p>\n<p>S\u00e3o muitos os adquirentes de im\u00f3veis que sofrem (e construtores que recebem reclama\u00e7\u00f5es) por pulverul\u00eancias de revestimentos em faixas inferiores de paredes t\u00e9rreas. A causa mais freq\u00fcente, desse dano, est\u00e1 vinculada ao fen\u00f4meno chamado umidade ascendente, sobre o qual se faz necess\u00e1rio comentar : <\/p>\n<p>Poucos construtores, professores e pesquisadores \u0096 hoje vinculados a obras civis convencionais \u0096 j\u00e1 ouviram falar de &#8220;papel\u00e3o alcatroado&#8221;; e, dentre aqueles que ouviram, a esmagadora maioria est\u00e1 convicta de que se tratava, apenas, de &#8220;uma forma, muito antiga, de impermeabilizar as vigas-baldrame&#8221;. <\/p>\n<p>Baseados nessa enganosa &#8220;certeza&#8221;, muitos arquitetos, engenheiros, construtores, mestres-de-obras, etc, abandonaram aquele &#8220;idoso produto&#8221;, passando a besuntar as faces expostas dos baldrames com emuls\u00f5es asf\u00e1lticas (ou acr\u00edlicas), pois tal procedimento lhes pareceu &#8220;mais l\u00f3gico&#8221;, &#8220;mais pr\u00e1tico&#8221; ou &#8220;mais moderno&#8221;&#8230; <\/p>\n<p>Sucede, contudo, que estamos presenciando, h\u00e1 d\u00e9cadas, um flagrante e constrangedor equ\u00edvoco t\u00e9cnico, cujas conseq\u00fc\u00eancias t\u00eam sido suportadas por legi\u00f5es de leigos &#8211; e indefesos &#8211; adquirentes de im\u00f3veis, que sofrem sob danos em revestimentos ou marcenarias, forma\u00e7\u00f5es de fungos, recintos insalubres, alem de intermin\u00e1veis tentativas de reparos (com massas polim\u00e9ricas e afins) , per\u00edcias t\u00e9cnicas e\/ou demandas judiciais. <\/p>\n<p>Com efeito, vejamos: <\/p>\n<p>1 O concreto \u0096 sabidamente poroso \u0096 deve ser obvia e adequadamente impermeabilizado, contra a umidade do solo, seja por adi\u00e7\u00e3o de densificadores, hidr\u00f3fugos de massa ou por quaisquer outros processos assemelhados; mesmo porque a umidade pode ascender pelos pr\u00f3prios corpos do lastros. <\/p>\n<p>2 Ocorre que o banido papel\u00e3o alcatroado (ou cart\u00e3o &#8220;kraft&#8221; betumado) desempenhava fun\u00e7\u00f5es \u00fanicas, imposs\u00edveis de substitui\u00e7\u00e3o por emuls\u00f5es, asf\u00e1lticas ou sint\u00e9ticas, ou por quaisquer outras pel\u00edculas selantes; de fato, cortado segundo largura folgadamente superior \u00e0 do baldrame, o &#8220;esquecido&#8221; cart\u00e3o sobrava para os dois lados, a saber: <\/p>\n<p>2.1 Para o exterior: formando &#8220;dente&#8221; inclinado (apoiado em ripa chanfrada), que servia de gabarito ao embo\u00e7o, operando, depois, como pingadeira pluvial; <\/p>\n<p>2.2 Para o interior: aba de 4 ou 5 cent\u00edmetros, provisoriamente dobrada, para cima, at\u00e9 o lan\u00e7amento do lastro; esta dobra servia, apenas, para retornar \u00e0 horizontal \u0096 antes do lan\u00e7amento do contrapiso \u0096cobrindo (vedando) a interface baldrame x lastro, onde surgem, fatalmente, fissuras capilares por retra\u00e7\u00e3o deste \u00faltimo.<br \/>\n3 Ora, a umidade retida no solo (seja pelo perfil do terreno e suas vizinhan\u00e7as, seja por drenagem insuficiente do len\u00e7ol, etc, etc) tende a ascender pelas interfaces desprotegidas (\u00f3bvio que entre o lastro e o flanco &#8211; apenas besuntado &#8211; do baldrame persistir\u00e1 uma fresta capilar) e pelas paredes t\u00e9rreas (tijolos, chapisco, embo\u00e7o, reboco), gerando pulverul\u00eancias em massas e ru\u00ednas em pinturas (tintas acr\u00edlicas sofrem sob a forma de bolhas). <\/p>\n<p>Como se v\u00ea, a constru\u00e7\u00e3o civil urbana brasileira ainda n\u00e3o se deu conta de que trocou um produto comprovadamente eficaz (e barat\u00edssimo!) por emuls\u00f5es vedantes literalmente in\u00fateis (e bem mais caras); e tampouco tem considerado a alternativa de usar mantas pl\u00e1sticas, espessas, para desempenhar aquela fundamental e proscrita fun\u00e7\u00e3o. A pr\u00e1tica em patologias construtivas revela que grande parte dos diagn\u00f3sticos se forma a partir do exame de geometrias e\/ou de procedimentos tradicionais faltantes, com realce para aqueles atropelados (esquecidos) pelo distanciamento te\u00f3rico das c\u00e1tedras acad\u00eamicas e pela flagrante desinforma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica hoje observada nos canteiros de obras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. Sylvio Nogueira, arquiteto CREA347-D\/RJ. Escrit\u00f3rio em Curitiba\/PR. Ex-bolsista na Technische Hochschule Stuttgart. Ex-professor na PUC\/PR S\u00e3o muitos os adquirentes de im\u00f3veis que sofrem (e construtores que recebem reclama\u00e7\u00f5es) por pulverul\u00eancias de revestimentos em faixas inferiores de paredes t\u00e9rreas. A causa mais freq\u00fcente, desse dano, est\u00e1 vinculada ao fen\u00f4meno chamado umidade ascendente, sobre o qual [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3102","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3102","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3102"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3102\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3102"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3102"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3102"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}