{"id":3100,"date":"2012-08-21T15:12:57","date_gmt":"2012-08-21T18:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/o-extrativismo\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:57","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:57","slug":"o-extrativismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/o-extrativismo\/","title":{"rendered":"O extrativismo"},"content":{"rendered":"<p>.<br \/>\n<b>Rubem Mauro Palma de Moura, engenheiro civil e sanitarista, professor do Departamento de Engenharia Sanit\u00e1ria e Ambiental. E-mail: rubemauro@bol.com.br. Artigo veiculado no jornal A Gazeta &#8211; MT<\/b><\/p>\n<p>O extrativismo \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, altamente rent\u00e1vel, independente do bem extra\u00eddo da natureza, por\u00e9m em todas as suas modalidades, lesivas ao meio ambiente. A pesca comercial, praticada em \u00e1guas interiores, a assim chamada &#8220;pesca profissional&#8221;, \u00e9 com certeza, altamente degradante.<\/p>\n<p>Em nenhum pa\u00eds do mundo onde ela foi ou continua sendo praticada, que n\u00e3o tenha levado a um grande transtorno ambiental. No Brasil, a bacia Amaz\u00f4nica, que tem dimens\u00f5es oce\u00e2nicas, j\u00e1 tem apresentado provas da exaust\u00e3o da fauna ictiol\u00f3gica, com diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de indiv\u00edduos nos cardumes, diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de cardumes, e a prova inconteste dessa destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 a predomin\u00e2ncia de elementos jovens na sua composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos anos, o meu saudoso e inesquec\u00edvel pai, Clovis Pitaluga de Moura, empunhou a bandeira da defesa do nosso Pantanal, tendo como uma de suas maiores lutas a tentativa sempre frustrada de se acabar de vez com a pesca profissional que na maioria das vezes \u00e9 predat\u00f3ria. Os dados quanto a isso est\u00e3o dispostos nos \u00f3rg\u00e3os afins, como por exemplo, Fema e Ibama, onde 95% da apreens\u00e3o recai sobre a categoria dos pescadores profissionais.<\/p>\n<p>Essa exaust\u00e3o dos cardumes que j\u00e1 se vislumbra sobre a bacia Amaz\u00f4nica, na bacia do Alto Paraguai, h\u00e1 muito tempo, infelizmente j\u00e1 ocorreu. Os peixes em abund\u00e2ncia em todos os nossos rios s\u00e3o lembran\u00e7a do passado. A pesca profissional e a amadora tur\u00edstica ainda t\u00eam encontrado alguma resposta positiva, quando praticada no baixo Pantanal, na regi\u00e3o de Porto Jofre. No caminhar da saga destruidora com que os predadores atuam, l\u00e1 tamb\u00e9m ser\u00e1 a exemplo da regi\u00e3o de Bar\u00e3o de Melga\u00e7o destru\u00edda em breve.<\/p>\n<p>A imprensa nacional mostrou-nos os desastres ambientais ocorridos na baia de Paranagu\u00e1, pela explos\u00e3o de um navio. O ministro da Pesca determinou de imediato o pagamento de um seguro, em contrapartida, pela impossibilidade da atividade da pesca pelos profissionais da regi\u00e3o. Muito justo.<\/p>\n<p>Aqui, ao contr\u00e1rio, todos os anos, durante o per\u00edodo de defeso, os pescadores profissionais s\u00e3o agraciados com essa benesse, mesmo sabendo-se que uma grande maioria deles s\u00e3o contraventores reincidentes. \u00c9 a \u00fanica categoria profissional que recebe seguro na entressafra, em uma atividade extrativista altamente degradante. Se tudo isso n\u00e3o bastasse, a \u00faltima do Minist\u00e9rio da Pesca \u00e9 fortalecer essa atividade, dando-lhes estruturas necess\u00e1rias para que possam fazer com mais for\u00e7a a destrui\u00e7\u00e3o dos nossos rios. Com financiamento p\u00fablico est\u00e3o aparelhando as col\u00f4nias de pescadores profissionais com novas embarca\u00e7\u00f5es, c\u00e2maras frigor\u00edficas, sonares e outras parafern\u00e1lias que possam facilitar o extrativismo e portanto a acelera\u00e7\u00e3o da degrada\u00e7\u00e3o ambiental, em vez de investir com tecnologia na cria\u00e7\u00e3o em cativeiro, dando a esses profissionais meios de se manterem sem agredir a natureza e de maneira mais digna.<\/p>\n<p>\u00c9 triste constatar que pessoas que bradavam pela preserva\u00e7\u00e3o ambiental s\u00e3o hoje incentivadores da sua destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa atividade, fortalecida pelos incentivos proporcionados, com certeza acelerar\u00e1 a exaust\u00e3o dos cardumes, hoje t\u00e3o fragilizados, inviabilizando de vez a atividade do turismo da pesca esportiva e a vida dos ribeirinhos que vivem da pesca da subsist\u00eancia, assim como o acesso \u00e0s futuras gera\u00e7\u00f5es. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. 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