{"id":3099,"date":"2012-08-21T15:12:57","date_gmt":"2012-08-21T18:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/a-opcao-por-um-mundo-mais-limpo-e-justo\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:57","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:57","slug":"a-opcao-por-um-mundo-mais-limpo-e-justo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/a-opcao-por-um-mundo-mais-limpo-e-justo\/","title":{"rendered":"A op\u00e7\u00e3o por um mundo mais limpo e justo"},"content":{"rendered":"<p>.<br \/>\n<b>Paulo Guilherme Salvador Wadt, engenheiro agron\u00f4mo e pesquisador da Embrapa Acre. E-mail: paulo@cpafac.embrapa.br<\/b><\/p>\n<p>A cat\u00e1strofe clim\u00e1tica, prevista e com data marcada, \u00e9 decorr\u00eancia do aumento da concentra\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa &#8211; GEE (g\u00e1s carb\u00f4nico, metano, anidrido sulfuroso) emitidos, principalmente, pela combust\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis. Esta cat\u00e1strofe resulta da intensifica\u00e7\u00e3o de um fen\u00f4meno natural, chamado Efeito Estufa, que faz com que a temperatura terrestre tenha m\u00e9dia anual global de 15\u00baC em fun\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de cada g\u00e1s que comp\u00f5e a atmosfera do planeta.<\/p>\n<p>A industrializa\u00e7\u00e3o, baseada na matriz energ\u00e9tica dependente de combust\u00edveis f\u00f3sseis (carv\u00e3o, petr\u00f3leo e g\u00e1s), que representam 80% da oferta de energia, desequilibrou a composi\u00e7\u00e3o dos GEE, aumentando a temperatura m\u00e9dia da Terra. Em conseq\u00fc\u00eancia, acentuam-se os extremos clim\u00e1ticos, que tamb\u00e9m se tornam mais intensos, como \u00e9 o caso de inunda\u00e7\u00f5es, secas, tempestades, ciclones, nevascas, etc. E que, tamb\u00e9m, provoca o derretimento do gelo das calotas polares, aumentando o n\u00edvel dos oceanos em um cent\u00edmetro ao ano.<\/p>\n<p>As lideran\u00e7as mundiais, tanto pol\u00edticas quanto cient\u00edficas, buscam f\u00f3rmulas para reverter este quadro e uma destas iniciativas \u00e9 o Protocolo de Kyoto que entrar\u00e1 em vigor em fevereiro de 2005, j\u00e1 que a R\u00fassia apresentou os documentos necess\u00e1rios comprovando sua ades\u00e3o ao Protocolo. Pelo acordo, os pa\u00edses industrializados dever\u00e3o reduzir suas emiss\u00f5es de GEE em 5,2% at\u00e9 o ano de 2010, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s emiss\u00f5es de 1990. Sua efic\u00e1cia, todavia, ainda \u00e9 limitada, j\u00e1 que os Estados Unidos &#8211; pa\u00eds que sozinho responde por 36% das emiss\u00f5es de gases que criam o efeito estufa &#8211; se recusam a cumprir as determina\u00e7\u00f5es do protocolo. Isto porque sua base industrial depende de energia n\u00e3o renov\u00e1vel baseada no petr\u00f3leo, g\u00e1s natural e carv\u00e3o mineral. Portanto, a diminui\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de gases traria s\u00e9rios preju\u00edzos \u00e0 economia norte-americana.<\/p>\n<p>Com o Protocolo de Kyoto criou-se ainda o mecanismo denominado mercado de carbono, que permite \u00e0s empresas do Primeiro Mundo comprar certificados de seq\u00fcestro e fixa\u00e7\u00e3o de carbono ou de substitui\u00e7\u00e3o de energia f\u00f3ssil por energias renov\u00e1veis de pa\u00edses que s\u00e3o mais &#8220;ecologicamente corretos&#8221;. Este mercado se baseia na id\u00e9ia de que a contamina\u00e7\u00e3o ignora fronteiras. Se para um pa\u00eds desenvolvido \u00e9 mais rent\u00e1vel ajudar outro a reduzir suas emiss\u00f5es, em vez de tomar medidas em seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio, o resultado para a atmosfera \u00e9 exatamente o mesmo.<\/p>\n<p>Por exemplo, o Brasil participa do primeiro projeto j\u00e1 aprovado pela ONU, dentro do mecanismo de desenvolvimento limpo, onde a Holanda financiou e ajudou a desenvolver um projeto para diminuir as emiss\u00f5es de g\u00e1s metano nos esgotos de Nova Igua\u00e7u-RJ, em troca de menor redu\u00e7\u00e3o em suas pr\u00f3prias emiss\u00f5es de CO2. Ganha o Brasil e ganha a Holanda em termos ambientais, sociais e econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento do Brasil apoia iniciativas para gerar tecnologias capazes de aumentar a produ\u00e7\u00e3o e a produtividade das culturas energ\u00e9ticas como \u00e1reas de reflorestamento, cultivo de cana-de-a\u00e7\u00facar e oleaginosas, al\u00e9m do aproveitamento de res\u00edduos e dejetos da atividade agr\u00edcola. Tamb\u00e9m haver\u00e1 um investimento em tecnologias de processamento e obten\u00e7\u00e3o de energia a partir de fontes renov\u00e1veis. Al\u00e9m do \u00e1lcool, que j\u00e1 \u00e9 uma realidade, pretende-se, pela via tecnol\u00f3gica, viabilizar outros biocombust\u00edveis como biodiesel, ecodiesel, biog\u00e1s, carv\u00e3o vegetal, briquetes e outros produtos derivados da biomassa.<\/p>\n<p>O objetivo final \u00e9 tornar o Brasil um exemplo de uso de biocombust\u00edveis no mundo. Ainda, para fortalecer o mercado de carbono, a Embrapa atualmente conduz, sob a lideran\u00e7a da pesquisadora Magda Lima (Embrapa Meio Ambiente), o projeto Rede Agrogases cujo objetivo \u00e9 quantificar e avaliar o estoque, o balan\u00e7o de carbono e as emiss\u00f5es de GEE provenientes de diferentes sistemas de uso da terra para estabelecer uma rede de informa\u00e7\u00f5es integradas capaz de subsidiar a gera\u00e7\u00e3o de tecnologias sustent\u00e1veis e mitigadoras de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>Neste projeto, os biomas de cerrados, floresta amaz\u00f4nica, mata atl\u00e2ntica, caatinga, pantanal mato-grossense e zona de clima temperado no Sul est\u00e3o contemplados por diversas a\u00e7\u00f5es de pesquisa. No total, s\u00e3o 104 pesquisadores de 18 centros de pesquisa da Embrapa e de 13 institui\u00e7\u00f5es parceiras entre nacionais e estrangeiras. No Acre, a Embrapa e a Universidade Federal do Acre atuam em tr\u00eas diferentes atividades. Uma delas \u00e9 gerar informa\u00e7\u00f5es para a compreens\u00e3o do balan\u00e7o de carbono no solo sob diferentes sistemas de uso da terra e quantificar os estoques nos solos Amaz\u00f4nicos, fornecendo subs\u00eddios para a elabora\u00e7\u00e3o de invent\u00e1rios, conforme protocolos definidos pela ONU, nos pain\u00e9is intergovernamentais periodicamente realizados sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Estes invent\u00e1rios consistir\u00e3o na moeda de troca do governo brasileiro frente ao mercado de carbono. Isto \u00e9 particularmente importante pois \u00e9 poss\u00edvel que determinados sistemas agropecu\u00e1rios e florestais desempenhem um significativo papel na absor\u00e7\u00e3o de carbono e que algumas alternativas de uso da terra sejam mais ben\u00e9ficas do que outras e com reflexos em melhores \u00edndices de produtividade. No Brasil, duas companhias do setor de papel e celulose (Klabin e Suzano) j\u00e1 ofertaram neste mercado 7 milh\u00f5es de toneladas de CO2, valor resultante do c\u00e1lculo feito com base nas \u00e1reas de florestas plantadas pelas duas empresas.<\/p>\n<p>Espera-se que os resultados da Rede Agrogases contribuam para a melhoria de pr\u00e1ticas agropecu\u00e1rias, florestais e agroflorestais, bem como \u00e0 sustentabilidade dos sistemas de produ\u00e7\u00e3o e \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de impactos ambientais, sobretudo aqueles relacionados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais. Dentro desta perspectiva, a op\u00e7\u00e3o adotada pela Embrapa representa um caminho muito diferente daquele atualmente utilizado por alguns pa\u00edses industrializados, como os Estados Unidos, onde, o respeito ao meio ambiente est\u00e1 limitado aos interesses de ordem puramente econ\u00f4mica. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. 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