{"id":3098,"date":"2012-08-21T15:12:57","date_gmt":"2012-08-21T18:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/a-pesquisa-florestal-brasileira\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:57","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:57","slug":"a-pesquisa-florestal-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/a-pesquisa-florestal-brasileira\/","title":{"rendered":"A pesquisa florestal brasileira"},"content":{"rendered":"<p>.<br \/>\n<b>Moacir Jos\u00e9 Sales Medrado, engenheiro agr\u00f4nomo, Doutor  em Agronomia, especialista em Planejamento Agr\u00edcola e em Manejo de Agroecossistemas, atualmente Chefe Geral da Embrapa Florestas. Artigo veiculado no site www.ecoterrabrasil.com.br<\/b><\/p>\n<p>O Brasil possui um dos maiores remanescentes de florestas nativas no mundo (cerca de 5,1 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados), v\u00e1rias representa\u00e7\u00f5es de zonas clim\u00e1ticas e in\u00fameros biomas, dentre eles a Amaz\u00f4nia brasileira. Em fun\u00e7\u00e3o disso det\u00eam 20% das esp\u00e9cies do mundo. H\u00e1 estimativas de que a biodiversidade brasileira, se explorada adequadamente e em sua totalidade, poderia gerar dois trilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano, cerca de quatro vezes o nosso Produto Interno Bruto &#8211; PIB de 2003. Al\u00e9m disso, nossas \u00e1reas exploradas com atividades agropecu\u00e1rias e florestais ainda est\u00e3o longe de atingirem seu potencial m\u00e1ximo produtivo.<\/p>\n<p>Mesmo assim, as estat\u00edsticas econ\u00f4micas mostram que o agroneg\u00f3cio florestal brasileiro j\u00e1 representa  5% de nosso PIB, 17% das exporta\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio e 8% do total das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, gerando 1,6 milh\u00f5es de empregos diretos e 5,6 milh\u00f5es de indiretos. Isto diz respeito a borracha natural, madeira, celulose, papel e m\u00f3veis e seria muito mais impactante se fossem inclu\u00eddas as atividades ligadas aos demais produtos n\u00e3o-madeireiros e os servi\u00e7os ambientais.<\/p>\n<p>Apesar de sua contribui\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica, tem-se atribu\u00eddo ao agroneg\u00f3cio florestal brasileiro grande parte da responsabilidade sobre os danos ambientais decorrentes do mau uso agropecu\u00e1rio e florestal nos diferentes biomas brasileiros, em especial no Cerrado, na Floresta Atl\u00e2ntica e na Amaz\u00f4nia. Em fun\u00e7\u00e3o disto e da crescente demanda por produtos madeireiros, gerando um d\u00e9ficit equivalente ao plantio anual de cerca de trezentos mil hectares de esp\u00e9cies florestais de r\u00e1pido crescimento (hoje, dados do setor de base florestal apontam para cerca de trezentos e noventa mil hectares), o governo brasileiro formulou o Programa Nacional de Florestas onde a Embrapa tem tido importante participa\u00e7\u00e3o com proposi\u00e7\u00f5es e com pesquisas.<\/p>\n<p>No mundo, com o aumento da popula\u00e7\u00e3o e do consumo per-capita, estima-se um consumo de madeira da ordem de 1,6 bilh\u00e3o de metros c\u00fabicos\/ano, havendo proje\u00e7\u00f5es para 2050 (FAO) de 2 a 3 bilh\u00f5es de  m3 \/ano com um aumento aproximado de 60 milh\u00f5es de m3, ao ano. Atender a demanda futura sem degradar as florestas naturais somente poder\u00e1 ser conseguido se aumentarmos a efici\u00eancia e efic\u00e1cia da produ\u00e7\u00e3o, da explora\u00e7\u00e3o e da convers\u00e3o da mat\u00e9ria-prima.<\/p>\n<p>A pesquisa florestal \u00e9 um dos caminhos para enfrentar esta situa\u00e7\u00e3o. No Brasil ela compreende cinq\u00fcenta e quatro institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, cerca de vinte empresas privadas, Universidades Federais como as de Lavras, Vi\u00e7osa, Paran\u00e1, Mato Grosso e estaduais como a de S\u00e3o Paulo atrav\u00e9s da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queir\u00f3z.. Apesar do excelente clima e solos existentes no Brasil e dispon\u00edveis para serem utilizados para implanta\u00e7\u00e3o de planta\u00e7\u00f5es florestais, tem sido a pesquisa brasileira a principal respons\u00e1vel pelos excelentes rendimentos das principais esp\u00e9cies florestais que contribuem para o crescimento do agroneg\u00f3cio florestal, em especial do p\u00ednus, do eucalipto e da ac\u00e1cia-negra. Al\u00e9m disso ela, tamb\u00e9m, tem desenvolvido expressivos trabalhos com esp\u00e9cies nativas; apenas os livros Esp\u00e9cies Florestais Brasileiras do pesquisador Paulo Ernani R. Carvalho, editado pela Embrapa e \u00c1rvores Brasileiras de Harri Lorenzi editado pela Editora Plantarum, organizam o conhecimento sobre cerca de quatrocentas esp\u00e9cies nativas do Brasil. Deve-se ressaltar ainda os trabalhos realizados nas \u00e1reas de manejo florestal sustent\u00e1vel para explora\u00e7\u00e3o de madeiras em florestas naturais na Amaz\u00f4nia Legal e muitos estudos feitos com esp\u00e9cies de usos m\u00faltiplos e com sistemas agroflorestais.<\/p>\n<p>A Embrapa tem contribu\u00eddo sobremaneira para a melhoria da competitividade do setor florestal com seus projetos sobre conserva\u00e7\u00e3o e uso de recursos gen\u00e9ticos florestais, controle biol\u00f3gico de pragas e doen\u00e7as florestais, manejo sustent\u00e1vel de planta\u00e7\u00f5es florestais e de florestas naturais, desenvolvimento de modelos de predi\u00e7\u00e3o de crescimento e avalia\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de planta\u00e7\u00f5es florestais, aproveitamento de res\u00edduos, dentre outros. Duas de suas tecnologias, o controle biol\u00f3gico da vespa da madeira (lan\u00e7ada em 1995 e adotada no mesmo ano) e o uso do sistema computacional para gest\u00e3o florestal &#8211; SISPLAN (lan\u00e7ada em 1995 e adotada em 1996) ocasionaram um impacto positivo da ordem de cento e trinta e oito milh\u00f5es de reais, at\u00e9 2003.<\/p>\n<p>Neste s\u00e9culo, certamente ser\u00e1 mais exigida pois desenha-se um cen\u00e1rio em que as t\u00e9cnicas moleculares complementar\u00e3o as de melhoramento gen\u00e9tico convencional, haver\u00e1 uma integra\u00e7\u00e3o interdisciplinar da engenharia gen\u00e9tica, t\u00e9cnicas in vitro, cruzamentos convencionais e bioinform\u00e1tica e o mapeamento e an\u00e1lise da biodiversidade se constituir\u00e3o no ponto central para a manuten\u00e7\u00e3o do germoplasma, para o controle biol\u00f3gico e para os processos simbi\u00f3ticos. Tudo isto associado ao estabelecimento de um sistema de informa\u00e7\u00e3o florestal que democratize os conhecimentos dispon\u00edveis e pelo investimento dos setores p\u00fablicos e privados na pesquisa.<\/p>\n<p>Para atender a esse novo perfil, os institutos de pesquisa p\u00fablicos e privados, especialmente a Embrapa investir\u00e3o na profissionaliza\u00e7\u00e3o de seus gestores em ci\u00eancia e tecnologia, na melhoria de sua infraestrutura de pesquisa, na incorpora\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias em modernas \u00e1reas de pesquisa e na atualiza\u00e7\u00e3o constante de seu j\u00e1 experiente quadro de profissionais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. Moacir Jos\u00e9 Sales Medrado, engenheiro agr\u00f4nomo, Doutor em Agronomia, especialista em Planejamento Agr\u00edcola e em Manejo de Agroecossistemas, atualmente Chefe Geral da Embrapa Florestas. 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