{"id":3095,"date":"2012-08-21T15:12:57","date_gmt":"2012-08-21T18:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/aco-inflaciona-o-custo-brasil\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:57","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:57","slug":"aco-inflaciona-o-custo-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/aco-inflaciona-o-custo-brasil\/","title":{"rendered":"A\u00e7o inflaciona o Custo Brasil"},"content":{"rendered":"<p>.<br \/>\n<b>Adilson Valera Ruiz, ge\u00f3logo, presidente do Sindicato das Ind\u00fastrias da Constru\u00e7\u00e3o do Estado de Mato Grosso (Sinduscon-MT). E-mail: avaleraruiz@geoeste.com.br<\/b><\/p>\n<p>O pre\u00e7o de um dos principais insumos para o setor da Constru\u00e7\u00e3o aumenta m\u00eas ap\u00f3s m\u00eas sem maiores barreiras. Estou falando do a\u00e7o, fabricado por poucas empresas no Brasil que ditam os pre\u00e7os que querem praticar, sem serem incomodadas pelo Cade &#8211; Conselho Administrativo de Defesa Econ\u00f4mica, o \u00f3rg\u00e3o do governo federal que deveria combater a carteliza\u00e7\u00e3o, o dumping e outros males contr\u00e1rios \u00e0 iniciativa privada. Pesquisa do Sindicato das Ind\u00fastrias da Constru\u00e7\u00e3o do Estado de Mato Grosso (Sinduscon-MT) mostra que, em fevereiro de 2003, o a\u00e7o CA 60 4,2 mm custava R$ 2,27 o quilo. Dois anos ap\u00f3s, em janeiro de 2005, o pre\u00e7o tinha pulado para R$ 3,80, uma alta de 67,4%. Ora, nenhum \u00edndice inflacion\u00e1rio no per\u00edodo apontou tamanha gula.<\/p>\n<p>Outros exemplos podem ser dados. O a\u00e7o CA 50 8,0 mm, no per\u00edodo entre fevereiro de 2003 e janeiro de 2005, pulou 65,87%, saindo de R$ 2,11 para R$ 3,50. De fato, todos os produtos que t\u00eam o a\u00e7o como base tiveram altas exageradas. Do pequeno prego 16&#215;24, que subiu 20,30%, \u00e0 janela basculante de ferro 0,60 x0,60m, com alta de 74,01%.<\/p>\n<p>Essas altas n\u00e3o representam preju\u00edzo apenas para o setor da constru\u00e7\u00e3o, mas para todo o pa\u00eds. O a\u00e7o \u00e9 insumo b\u00e1sico da infra-estrutura nacional. Tais altas exageradas significam aumento do \u0093Custo-Brasil\u0094. O Sinduscon-MT comparou custos de uma casa popular de 32 m2 em fevereiro de 2003 e janeiro de 2005. Antes de divulgar os dados, importante a ressalva de que h\u00e1 diferentes modelos de casa popular. O caso concreto refere-se a unidades comuns em Mato Grosso.<\/p>\n<p>No modelo pesquisado pelo Sinduscon, a casa de 32 m2 gasta 62 quilos de a\u00e7o CA 60 4,2mm. O custo total desse produto, em fevereiro de 2003, ficava em R$ 140,74. Em janeiro deste ano, pulou para R$ 235,60. Esse tipo de a\u00e7o est\u00e1 entre os 20 itens com maior peso no custo de uma casa popular. Se multiplicarmos a diferen\u00e7a entre o total gasto neste ano com a totaliza\u00e7\u00e3o de 2003 e multiplicarmos por mil unidades, encontramos o valor de R$ 94.860,00. Apenas um produto \u00e0 base de a\u00e7o, considerando mil casas, consumiu quase R$ 95 mil de dinheiro a mais por conta dos reajustes impunes do cartel do a\u00e7o.<\/p>\n<p>O mesmo projeto de casa popular utiliza 15 quilos de a\u00e7o CA 50 8,0 mm, que eram adquiridos a R$ 31,65 em fevereiro de 2003 e, agora, n\u00e3o saem por menos de R$ 52,00. Eu poderia seguir com o c\u00e1lculo, mostrando as diferen\u00e7as no per\u00edodo envolvendo o arame, a porta de ferro, a janela basculante&#8230; Mas creio que os exemplos acima j\u00e1 demonstram o quanto a popula\u00e7\u00e3o brasileira sofre com tais reajustes, at\u00e9 porque o racioc\u00ednio acima poderia ser transposto para obras de escolas, hospitais, pr\u00e9dios, silos e, saindo do setor da Constru\u00e7\u00e3o, para autom\u00f3veis, tratores, utens\u00edlios dom\u00e9sticos&#8230;<\/p>\n<p>Interessante que o Brasil \u00e9 grande produtor de min\u00e9rio de ferro, com destaque na exporta\u00e7\u00e3o do produto. As altas, portanto, n\u00e3o se referem a quest\u00f5es internas. O que explica tais altas \u00e9 o interesse do fabricante do a\u00e7o em jogar com o pre\u00e7o de forma a ter lucros com o mercado internacional. H\u00e1 car\u00eancia de a\u00e7o no mundo e, logicamente, o pre\u00e7o sobe com a elevada procura. Se houvesse real concorr\u00eancia entre fabricantes, a rela\u00e7\u00e3o oferta-procura seria mais justa, com aumentos amenizados. Mas o que se presencia \u00e9 uma concorr\u00eancia para \u0093ingl\u00eas ver\u0094.<\/p>\n<p>Normalmente, presenciamos o Cade &#8211; Conselho Administrativo de Defesa Econ\u00f4mica &#8211; ser not\u00edcia coibindo fus\u00f5es de empresas fabricantes de chocolate e pasta de dente. Nada contra, afinal s\u00e3o setores de grande import\u00e2ncia, sem sombra de d\u00favida, e que n\u00e3o podem ficar \u00e0 merc\u00ea da carteliza\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m j\u00e1 \u00e9 hora do importante conselho melhor se posicionar em outras \u00e1reas, onde a concorr\u00eancia privada n\u00e3o ocorre de verdade. A sociedade n\u00e3o pode mais ser ref\u00e9m de setores que atuam \u00e0 base da imposi\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. 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