{"id":3089,"date":"2012-08-21T15:12:57","date_gmt":"2012-08-21T18:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/vulnerabilides-as-mudancas-climaticas\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:57","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:57","slug":"vulnerabilides-as-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/vulnerabilides-as-mudancas-climaticas\/","title":{"rendered":"Vulnerabilides \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p><b>Daniel Conrado, D\u00e9borah Eliane Andrade Munhoz, Magna Cunha dos Santos, Reynaldo Fran\u00e7a Lins de Mello e Valmira Braga e Silva<\/b> <\/p>\n<p>O aquecimento global, causador das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas atuais e futuras, traz uma s\u00e9rie de situa\u00e7\u00f5es que caracterizam vulnerabilidades para as popula\u00e7\u00f5es. Este trabalho teve como objetivo discutir, atrav\u00e9s de pesquisa bibliogr\u00e1fica, quais s\u00e3o essas vulnerabilidades e quais as medidas a serem tomadas para minimizar os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no planeta e principalmente no Brasil.<\/p>\n<p>Constatou-se que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas influir\u00e3o na biodiversidade, na agricultura, nas mudan\u00e7as ambientais, nos regimes h\u00eddricos e nas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. A biodiversidade ser\u00e1 afetada na medida em que as esp\u00e9cies ter\u00e3o que se adaptar a novos regimes clim\u00e1ticos, usar\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o para procurar locais mais adequados ou mesmo se extinguir\u00e3o. Isto causar\u00e1 a perda dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, do patrim\u00f4nio gen\u00e9tico e dos conhecimentos tradicionais, tudo isso trazendo preju\u00edzos \u00e0s ind\u00fastrias farmac\u00eautica e qu\u00edmica. A agricultura sofrer\u00e1 abalos com a mudan\u00e7a do regime de chuvas e modifica\u00e7\u00f5es nos solos, com perda de produtividade, preju\u00edzos \u00e0 seguran\u00e7a alimentar e causando migra\u00e7\u00f5es e conflitos. As mudan\u00e7as ambientais poss\u00edveis, al\u00e9m das j\u00e1 citadas, ser\u00e3o principalmente o derretimento das calotas polares, com aumento dos n\u00edveis do oceano e conseq\u00fcente perda de regi\u00f5es costeiras, com preju\u00edzos para a agricultura e o turismo. Os regimes h\u00eddricos sofrer\u00e3o modifica\u00e7\u00f5es pluviom\u00e9tricas que, segundo a regi\u00e3o, poder\u00e3o causar estresse h\u00eddrico ou enchentes, com evidentes preju\u00edzos em todas as \u00e1reas. No aspecto sa\u00fade, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas causar\u00e3o o aumento e a migra\u00e7\u00e3o de vetores, o aumento de epidemias e doen\u00e7as, a redu\u00e7\u00e3o da produtividade e o aumento dos gastos com medicamentos e cuidados \u00e0 sa\u00fade. Para enfrentar estas possibilidades futuras torna-se fundamental o planejamento de a\u00e7\u00f5es que possam minimizar os impactos. Entre as a\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, em primeiro lugar \u00e9 necess\u00e1ria a cria\u00e7\u00e3o de indicadores de impacto e monitoramento, como por exemplo a flora\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores e produ\u00e7\u00e3o de sementes. Alguns itens devem ser contemplados, como avalia\u00e7\u00e3o  de riscos, avalia\u00e7\u00e3o de custos e um planejamento permanente. Especialmente na \u00e1rea da sa\u00fade, ser\u00e1 necess\u00e1rio um planejamento a longo prazo que permita solucionar problemas de nutri\u00e7\u00e3o e manter um programa de informa\u00e7\u00e3o e treinamento de profissionais de sa\u00fade, com o aperfei\u00e7oamento do controle de vetores e o diagn\u00f3stico de doen\u00e7as. <\/p>\n<p><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>O aquecimento global, causador das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas atuais e futuras, traz uma s\u00e9rie de situa\u00e7\u00f5es que caracterizam vulnerabilidades para as popula\u00e7\u00f5es. Este trabalho tem como objetivo discutir, atrav\u00e9s de pesquisa bibliogr\u00e1fica, quais s\u00e3o essas vulnerabilidades e quais as medidas a serem tomadas para minimizar os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no planeta e principalmente no Brasil.<\/p>\n<p>Alguns pressupostos b\u00e1sicos precisam ser delineados. Segundo os estudos mais recentes (CONFALONIERI, 2002), a variabilidade clim\u00e1tica afeta a sa\u00fade, os impactos do clima sobre a sa\u00fade podem ser quantificados e modelos de previs\u00e3o clim\u00e1tica podem ser usados para estimar riscos para a sa\u00fade humana. Nesses pressupostos baseiam-se as conclus\u00f5es desse artigo.<\/p>\n<p><b>Aquecimento global e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/b><\/p>\n<p>O fen\u00f4meno do aquecimento global, causado pelo ac\u00famulo excessivo de gases chamados do efeito estufa (notadamente o CO2, di\u00f3xido de carbono, o CO, mon\u00f3xido de carbono, e o CH4, metano) em uma camada ao redor do planeta, impedindo a radia\u00e7\u00e3o de raios infravermelhos de volta ao espa\u00e7o e aumentando assim o calor retido na atmosfera, \u00e9 um problema global que j\u00e1 faz sentir seus efeitos. Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, acentua\u00e7\u00e3o do efeito do El Ni\u00f1o, cat\u00e1strofes de grandes propor\u00e7\u00f5es, ondas de calor com milhares de mortos na Europa, desequil\u00edbrio das chuvas, grandes enchentes e frio intenso em regi\u00f5es onde o clima era mais ameno s\u00e3o efeitos j\u00e1 vis\u00edveis da grande modifica\u00e7\u00e3o que o planeta est\u00e1 sofrendo.<\/p>\n<p>O problema tem sua origem no ciclo do carbono no planeta, que vem sendo constantemente acelerado pela atividade antr\u00f3pica, com a extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e carv\u00e3o e a queima dos mesmos, al\u00e9m das queimadas de florestas e das emiss\u00f5es de metano das grandes hidrel\u00e9tricas, planta\u00e7\u00f5es inundadas, como o arroz, e dos grandes rebanhos de gado.<\/p>\n<p>As ilhas do Pac\u00edfico s\u00e3o as mais duramente atingidas. Tuvalu, por exemplo, j\u00e1 teve todas as suas reservas de \u00e1gua doce salinizadas e aguarda em 2004 um fen\u00f4meno que j\u00e1 ocorreu em 2003, uma grande mar\u00e9 que inundar\u00e1 suas terras. Os chamados Pa\u00edses Baixos (Holanda) que t\u00eam uma parcela razo\u00e1vel de seu territ\u00f3rio abaixo do n\u00edvel do mar, esperam com preocupa\u00e7\u00e3o o desenrolar dos efeitos clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p>O derretimento das calotas polares, que levar\u00e1 ao aumento do n\u00edvel dos oceanos e a inunda\u00e7\u00f5es, \u00e9 um fen\u00f4meno que se retroalimenta, j\u00e1 que o albedo do gelo diminui quando ele derrete, e sendo o oceano de cor escura, absorve mais calor e acelera o processo de derretimento. Al\u00e9m disso, o gelo que derrete libera tamb\u00e9m uma quantidade significativa de carbono na atmosfera, contribuindo ainda mais para o efeito estufa.<br \/>\nO derretimento e conseq\u00fcente diminui\u00e7\u00e3o das principais geleiras das montanhas leva a problemas no abastecimento de \u00e1gua das cidades e a preju\u00edzos na \u00e1rea do turismo, pois as principais esta\u00e7\u00f5es de esqui abaixo de uma certa altitude j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam mais neve e tiveram que fechar suas pistas ou fazer neve artificial, a alt\u00edssimo custo.<\/p>\n<p>As conseq\u00fc\u00eancias do aquecimento global para a sa\u00fade humana s\u00e3o evidentes em algumas \u00e1reas, mas podem ser desdobradas em in\u00fameras outras que ser\u00e3o vistas a seguir.<\/p>\n<p><b>Vulnerabilidades<\/b><\/p>\n<p>Algumas defini\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade s\u00e3o necess\u00e1rias para o entendimento do exposto nesse artigo. Segundo Blaikie et al, apud Confalonieri (2002), vulnerabilidade s\u00e3o \u0093caracter\u00edsticas de uma pessoa ou grupo em termos de sua capacidade de antecipar, lidar com, resistir e recuperar\u0096se dos impactos de um desastre clim\u00e1tico.\u0094 Segundo Adger, apud Confalonieri (2002), \u0093\u00e9 a exposi\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos ou grupos ao estresse (mudan\u00e7as inesperadas e rupturas nos sistemas de vida) resultante de mudan\u00e7as s\u00f3cio-ambientais.\u0094 J\u00e1 segundo Pelling e Uito, apud Confalonieri (2002), \u0093\u00e9 o produto da exposi\u00e7\u00e3o f\u00edsica a um perigo natural e da capacidade humana para se preparar para e recuperar-se dos impactos negativos dos desastres.\u0094<\/p>\n<p>A vulnerabilidade \u00e9 algo inerente a uma popula\u00e7\u00e3o determinada, e variar\u00e1 de acordo com suas possibilidades culturais, sociais e econ\u00f4micas. Segundo o IPCC (2001), aqueles que possuem menos recursos ser\u00e3o os que mais dificilmente se adaptar\u00e3o e portanto s\u00e3o os mais vulner\u00e1veis. A capacidade de adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 dada pela \u0093riqueza, tecnologia, educa\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o, habilidades, infraestrutura, acesso a recursos e capacidade de gest\u00e3o.\u0094<\/p>\n<p><b>Biodiversidaded<\/b><\/p>\n<p>A biodiversidade ser\u00e1 afetada na medida em que as esp\u00e9cies ter\u00e3o que se adaptar a novos regimes clim\u00e1ticos, usar\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o para procurar locais mais adequados ou mesmo se extinguir\u00e3o.<\/p>\n<p>O aquecimento global causa a migra\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, n\u00e3o s\u00f3 de fauna como de flora, como vem acontecendo com as florestas boreais, que avan\u00e7am sobre o c\u00edrculo \u00e1rtico sobrepondo-se \u00e0 tundra. Algumas esp\u00e9cies n\u00e3o sobreviver\u00e3o \u00e0 migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e \u00e0s mudan\u00e7as s\u00fabitas de temperatura, fazendo com que sejam extintas.<\/p>\n<p>A extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, tanto vegetais quanto animais, al\u00e9m das conseq\u00fc\u00eancias graves para o equil\u00edbrio natural, trazem tamb\u00e9m a possibilidade da perda dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, do patrim\u00f4nio gen\u00e9tico e dos conhecimentos tradicionais, o que acarreta preju\u00edzos \u00e0 sa\u00fade, pois muitos medicamentos valiosos para as ind\u00fastrias farmac\u00eautica e qu\u00edmica perdem-se definitivamente sem ao menos terem se tornado conhecidos. Junto com esse patrim\u00f4nio da humanidade, desaparecer\u00e1 a poss\u00edvel cura de tantas doen\u00e7as para as quais os cientistas procuram princ\u00edpios ativos em plantas e animais.<\/p>\n<p>A diminui\u00e7\u00e3o da biodiversidade tamb\u00e9m poder\u00e1 trazer problemas de seguran\u00e7a alimentar. As modifica\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas poder\u00e3o levar a transtornos nas correntes mar\u00edtimas, as quais deixar\u00e3o de levar nutrientes \u00e0s costas da Ant\u00e1rtida, prejudicando o crescimento do krill, crust\u00e1ceo min\u00fasculo que \u00e9 a base da cadeia alimentar dos oceanos. Isto poder\u00e1 levar \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da biota marinha e \u00e0 baixa oferta de alimento a comunidades tradicionalmente consumidoras de pescado e\/ou frutos do mar (NOVACEK e CLELAND, 2000). <\/p>\n<p>Stenseth et al (2002) afirmam que uma grande variedade de animais e plantas sofre redu\u00e7\u00e3o significativa em suas popula\u00e7\u00f5es a cada epis\u00f3dio do El Ni\u00f1o, especialmente durante as varia\u00e7\u00f5es verificadas atualmente, cada vez mais severas para o clima. Segundo o autor, as varia\u00e7\u00f5es de temperatura causam modifica\u00e7\u00f5es na pr\u00f3pria forma e efetividade da ca\u00e7a, trazendo vantagens a determinados predadores, diminuindo a popula\u00e7\u00e3o das presas, desequilibrando assim ecossistemas antes ajustados. A pr\u00f3pria flora\u00e7\u00e3o, ocorrendo mais cedo devido \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o das temperaturas, leva a problemas de adapta\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies animais. O desaparecimento de esp\u00e9cies utilizadas para a alimenta\u00e7\u00e3o dos seres humanos \u00e9 uma vulnerabilidade poss\u00edvel. Segundo Alward, Detling e Milchunas (1999), as modifica\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas ocorrem com maior intensidade nas temperaturas m\u00ednimas, que tendem a aumentar mais. Estas modifica\u00e7\u00f5es causam nas plantas uma vulnerabilidade maior \u00e0 invas\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas e uma menor resist\u00eancia a secas e queimadas.<\/p>\n<p>Determinados parasitas podem ter maior incid\u00eancia com o aumento das temperaturas, levando \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ou mesmo sua extin\u00e7\u00e3o. Recentemente foram constatadas mortes massivas entre le\u00f5es, sapos, p\u00e1ssaros, c\u00e3es selvagens, caramujos, mexilh\u00f5es, cegonhas, \u00e1guias, corais e diversos tipos de plantas, todas causadas por pat\u00f3genos. Fungos e v\u00edrus s\u00e3o especialmente sens\u00edveis a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e podem rapidamente entrar em crescimento quando a temperatura se eleva, especialmente se esta eleva\u00e7\u00e3o for acompanhada de aumento da umidade. Os fungos e insetos t\u00eam sua atividade aumentada e podem ser respons\u00e1veis pela elimina\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies inteiras de \u00e1rvores. As verminoses e parasitoses tanto no gado quanto em animais silvestres tamb\u00e9m s\u00e3o grandemente aumentadas com as temperaturas mais altas (HARVELL et al, 2002).<\/p>\n<p><b>Agricultura<\/b><\/p>\n<p>A agricultura sofrer\u00e1 abalos com a mudan\u00e7a do regime de chuvas e modifica\u00e7\u00f5es nos solos, com perda de produtividade, preju\u00edzos \u00e0 seguran\u00e7a alimentar e causando migra\u00e7\u00f5es e conflitos.<\/p>\n<p>Segundo o IPCC (2001), apesar do aumento da concentra\u00e7\u00e3o de CO2 ser um estimulante ao crescimento das planta\u00e7\u00f5es, as vantagens desse crescimento n\u00e3o compensam os malef\u00edcios causados globalmente pelo excesso do g\u00e1s. As modifica\u00e7\u00f5es nas culturas e na cria\u00e7\u00e3o de animais ser\u00e3o muito caras, pois a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas poder\u00e1 envolver ajustes nas \u00e9pocas de plantio e colheita, quantidades de fertilizante usado, freq\u00fc\u00eancia de irriga\u00e7\u00e3o, cuidados com os cultivares e sele\u00e7\u00e3o de novas esp\u00e9cies de animais mais adaptadas.  <\/p>\n<p>A mudan\u00e7a no regime de chuvas, causando secas em regi\u00f5es que n\u00e3o tinham este problema, e chuvas excessivas em outras regi\u00f5es, causar\u00e1 perdas de produtividade, o que por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 um grande problema que afeta a sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es, aumentando a possibilidade de doen\u00e7as pela desnutri\u00e7\u00e3o. As migra\u00e7\u00f5es causadas pela fome ser\u00e3o um grave problema social gerador de conflitos entre regi\u00f5es e pa\u00edses, e as m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de higiene e seguran\u00e7a das popula\u00e7\u00f5es migrantes promover\u00e3o o aparecimento de doen\u00e7as em grande escala. Conflitos armados podem eclodir pela posse da terra ou de alimentos, o que poder\u00e1 causar enormes perdas de vidas humanas. <\/p>\n<p><b>Mudan\u00e7as ambientais<\/b><\/p>\n<p>As mudan\u00e7as ambientais poss\u00edveis, al\u00e9m das j\u00e1 citadas, ser\u00e3o principalmente o derretimento das calotas polares, com aumento dos n\u00edveis do oceano e conseq\u00fcente perda de regi\u00f5es costeiras, com preju\u00edzos para a agricultura e o turismo.<br \/>\nO derretimento das calotas polares, com o conseq\u00fcente aumento dos n\u00edveis do oceano, ser\u00e1 um problema grave, pois dele decorrer\u00e3o diversas conseq\u00fc\u00eancias que colocar\u00e3o em risco a sa\u00fade e integridade de popula\u00e7\u00f5es. Os grandes deltas de rios, principalmente na \u00c1sia, s\u00e3o as regi\u00f5es de maior densidade populacional e onde se concentram as culturas principais dos povos que os habitam. Essas partes mais baixas dos pa\u00edses ser\u00e3o duramente atingidas, causando um deslocamento massivo de popula\u00e7\u00e3o em busca de abrigo, \u00e1gua e alimentos. A \u00e1gua do mar salinizar\u00e1 as reservas de \u00e1gua doce existentes, destruir\u00e1 as colheitas e terras ar\u00e1veis submergir\u00e3o. Fome e doen\u00e7as surgir\u00e3o, e em associa\u00e7\u00e3o com ondas de calor mais mortes poder\u00e3o ocorrer. Poder\u00e3o acontecer grandes conflitos com as migra\u00e7\u00f5es para outras regi\u00f5es mais altas ou mesmo outros pa\u00edses. A perda de regi\u00f5es costeiras e ilhas ser\u00e1 tamb\u00e9m um golpe para o turismo, pois muitos desses locais s\u00e3o fortes atrativos para visita\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>As ondas de calor ser\u00e3o mais comuns com o aquecimento global. Segundo o IPCC (2001) a sua freq\u00fc\u00eancia e intensidade tendem a aumentar. O impacto do calor extremo no ver\u00e3o tende a ser exacerbado pela maior umidade, devido \u00e0s chuvas mais intensas. As ondas de calor s\u00e3o mais impactantes nas grandes cidades do que no ambiente rural. \u00c1reas urbanas tipicamente apresentam temperaturas mais altas, que se mant\u00e9m \u00e0 noite, devido ao efeito \u0093ilhas de calor\u0094. Em geral as mortes s\u00e3o mais freq\u00fcentes entre as popula\u00e7\u00f5es que sofrem de doen\u00e7as com dist\u00farbios cardiovasculares, c\u00e9rebrovasculares e respirat\u00f3rios. Soma-se a isso os altos n\u00edveis de polui\u00e7\u00e3o das grandes cidades, geralmente elevados quando da ocorr\u00eancia das ondas de calor (IPCC, 2001). Em geral, popula\u00e7\u00f5es pobres sofrem mais com o calor excessivo, por seus poucos recursos, que prejudicam a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es. Ainda segundo o IPCC (2001), as popula\u00e7\u00f5es se aclimatar\u00e3o a climas mais quentes atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de adapta\u00e7\u00f5es de comportamento, fisiol\u00f3gicas e tecnol\u00f3gicas. A aclimata\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica inicial a ambientes quentes pode ocorrer em poucos dias, mas a completa aclimata\u00e7\u00e3o pode levar muitos anos.<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses temperados, \u00e9 poss\u00edvel um decl\u00ednio da mortalidade devido aos invernos mais quentes, e alguns estudos levantam a possibilidade de essa diminui\u00e7\u00e3o contrabalan\u00e7ar o aumento das mortes no ver\u00e3o (IPCC, 2001). As popula\u00e7\u00f5es que sofrer\u00e3o mais, com certeza, ser\u00e3o as das grandes cidades dos pa\u00edses em desenvolvimento, especialmente os tropicais.<\/p>\n<p>Os chamados eventos extremos s\u00e3o bastante preocupantes, j\u00e1 que sua incid\u00eancia dever\u00e1 aumentar e em geral est\u00e3o associados a grande n\u00famero de mortes. As popula\u00e7\u00f5es de pa\u00edses em desenvolvimento s\u00e3o muito mais afetadas por esse tipo de evento. O impacto de eventos relacionados ao clima em pa\u00edses pobres pode ser de 20 a 30 vezes maior do que em pa\u00edses industrializados. Temos como exemplo enchentes e secas devidas ao El Ni\u00f1o de 1982-1983 que levaram a perdas de cerca de 10% do Produto Nacional Bruto em pa\u00edses como a Bol\u00edvia, Chile, Equador e Peru (Jovel, apud IPCC 2001).<\/p>\n<p>Alguns fatores que aumentam a vulnerabilidade a cat\u00e1strofes clim\u00e1ticas s\u00e3o uma combina\u00e7\u00e3o de crescimento populacional, pobreza e degrada\u00e7\u00e3o ambiental. \u00c9 muito comum a presen\u00e7a de popula\u00e7\u00f5es em lugares de alto risco, como \u00e1reas ribeirinhas ou de encostas. Segundo Noji, apud IPCC (2001), os impactos de desastres naturais na sa\u00fade incluem danos f\u00edsicos, diminui\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o nutricional, especialmente em crian\u00e7as, aumento de doen\u00e7as respirat\u00f3rias e diarr\u00e9icas resultantes de ajuntamento de sobreviventes em lugares muitas vezes inadequados, com abrigo insuficiente e acesso limitado a \u00e1gua pot\u00e1vel, impactos na sa\u00fade mental, que em alguns casos podem ser duradouros, risco aumentado de doen\u00e7as relacionadas \u00e0 \u00e1gua devido \u00e0 inutiliza\u00e7\u00e3o de sistemas de \u00e1gua e\/ou esgoto, libera\u00e7\u00e3o ou dissemina\u00e7\u00e3o de produtos qu\u00edmicos perigosos de locais de armazenamento e de descarga em \u00e1guas de aluvi\u00e3o.<\/p>\n<p>As doen\u00e7as mentais e a depress\u00e3o podem ocorrer em escala maior ap\u00f3s desastres, por perdas de entes queridos, de propriedades e convuls\u00f5es sociais. Por exemplo, ap\u00f3s o Furac\u00e3o Andrew, casos de stress p\u00f3s-traum\u00e1tico foram relatados at\u00e9 dois anos depois do incidente (Norris et al., apud IPCC 2001).<\/p>\n<p>As enchentes est\u00e3o associadas a grandes perigos para os seres humanos. Segundo o IPCC (2001), os impactos \u00e0 sa\u00fade podem ser divididos em imediatos, a m\u00e9dio prazo e a longo prazo. Os imediatos incluem afogamento e ferimentos ao ser atirado em objetos ao ser levado pela correnteza. Os a m\u00e9dio prazo s\u00e3o as doen\u00e7as que podem ocorrer devido \u00e0 ingest\u00e3o de \u00e1gua contaminada (c\u00f3lera, hepatite A) ou contato com \u00e1gua contaminada (leptospirose), ou doen\u00e7as respirat\u00f3rias resultantes de superpopula\u00e7\u00e3o de abrigos. Ap\u00f3s a enchente, pode haver o crescimento de fungos que resultam em aumento de manifesta\u00e7\u00f5es al\u00e9rgicas. J\u00e1 os efeitos a longo prazo incluem um aumento de suic\u00eddios, alcoolismo e desordens comportamentais e psicol\u00f3gicas , especialmente em crian\u00e7as.<\/p>\n<p>As tempestades ou ciclones tropicais, tamb\u00e9m chamados furac\u00f5es ou tuf\u00f5es, s\u00e3o particularmente impactantes em popula\u00e7\u00f5es densas e empobrecidas, em \u00e1reas planas e ambientalmente degradadas. Os ciclones podem causar tamb\u00e9m deslizamento de terras e enchentes.<\/p>\n<p>Um outro problema que pode vir a ter s\u00e9rias conseq\u00fc\u00eancias \u00e9 o aquecimento das \u00e1guas superficiais do mar, especialmente em regi\u00f5es costeiras. Em geral as \u00e1guas costeiras est\u00e3o contaminadas com esgoto e dejetos de ind\u00fastrias. As altas temperaturas encorajam o crescimento de pat\u00f3genos. O vibri\u00e3o col\u00e9rico em geral est\u00e1 presente em \u00e1guas com temperaturas acima do normal. O aquecimento das \u00e1guas superficiais pode levar a uma maior concentra\u00e7\u00e3o de toxinas em frutos do mar. A prolifera\u00e7\u00e3o intensa de algas pode matar determinadas esp\u00e9cies de peixes e causar perdas econ\u00f4micas e alimentares. Envenenamentos podem ocorrer devido \u00e0 ingest\u00e3o de peixes ou frutos do mar com toxinas que se desenvolvem em \u00e1guas superficiais aquecidas (IPCC, 2001). <\/p>\n<p><b>Regimes h\u00eddricos <\/b><\/p>\n<p>Os regimes h\u00eddricos sofrer\u00e3o modifica\u00e7\u00f5es de tal monta que, segundo a regi\u00e3o, poder\u00e3o causar estresse h\u00eddrico ou enchentes, com evidentes preju\u00edzos em todas as \u00e1reas.<\/p>\n<p>A falta de \u00e1gua pot\u00e1vel ser\u00e1 um dos fatores cruciais para o aumento das doen\u00e7as entre as popula\u00e7\u00f5es. O aumento do n\u00edvel dos oceanos pode comprometer as reservas de \u00e1gua doce de pa\u00edses inteiros, levando a epidemias de dif\u00edcil controle.<\/p>\n<p><b>Condi\u00e7\u00e7\u00f5es de sa\u00fade<\/b><\/p>\n<p>No aspecto sa\u00fade, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas causar\u00e3o o aumento e a migra\u00e7\u00e3o de vetores, o aumento de epidemias e doen\u00e7as, a redu\u00e7\u00e3o da produtividade e o aumento dos gastos com medicamentos e cuidados \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>Segundo Confalonieri (2002), as flutua\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas podem levar a eventos metereol\u00f3gicos extremos e conseq\u00fcentemente a acidentes e traumas. Os mesmos eventos extremos, como inunda\u00e7\u00f5es, podem levar tamb\u00e9m \u00e0 transmiss\u00e3o de doen\u00e7as infecciosas, como a leptospirose. As modifica\u00e7\u00f5es de temperatura e regime de chuvas podem trazer maior abund\u00e2ncia e dissemina\u00e7\u00e3o de vetores e pat\u00f3genos. Segundo o autor, est\u00e1 provada a rela\u00e7\u00e3o entre, por exemplo, a incid\u00eancia de c\u00f3lera e o aumento de temperatura das \u00e1guas do mar em Bangladesh, em estudo feito em 1994, tamb\u00e9m entre a mal\u00e1ria na Venezuela e o fen\u00f4meno El Ni\u00f1o, entre 1910 e 1935, tamb\u00e9m entre a temperatura do ar e a infec\u00e7\u00e3o por Ciclospora Cayetanensis em Lima, Peru, entre 1992 e 1994.<\/p>\n<p>Confalonieri (2002) alerta, no entanto, que os diferentes ecossistemas podem comportar-se de formas diferentes em rela\u00e7\u00e3o a determinados vetores. No caso de precipita\u00e7\u00f5es muito intensas, na floresta tropical existir\u00e1 um escoamento superficial, sendo as larvas de mosquito arrastadas, levando a uma diminui\u00e7\u00e3o da mal\u00e1ria. J\u00e1 no semi-\u00e1rido, as mesmas precipita\u00e7\u00f5es levar\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de po\u00e7as d\u0092\u00e1gua, que servir\u00e3o como criadouro para os vetores, aumentando assim a incid\u00eancia da doen\u00e7a. No semi-\u00e1rido igualmente, as chuvas em maior intensidade que a usual provocar\u00e3o um aumento da produtividade ecossist\u00eamica, fazendo com que haja um aumento na popula\u00e7\u00e3o de roedores reservat\u00f3rios, ocasionando surtos de peste bub\u00f4nica. Por sua vez, nas favelas urbanas, pela deficiente coleta de lixo e m\u00e1 drenagem, poder\u00e3o ocorrer surtos de leptospirose. Vemos assim que cada ecossistema reage de forma diferente e merece estudos aprofundados localizados.     <\/p>\n<p>O aumento da faixa de clima tropical no planeta levar\u00e1 a um recrudescimento dos vetores de doen\u00e7as mais comuns, causando pandemias. A migra\u00e7\u00e3o dos vetores para \u00e1reas que antes n\u00e3o contavam com tais transmissores ser\u00e1 um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica, pois os sistemas de sa\u00fade, se n\u00e3o tiverem uma vis\u00e3o de longo prazo e pr\u00f3-ativa, ser\u00e3o pegos de surpresa por doen\u00e7as com as quais n\u00e3o est\u00e3o acostumados. Temos no Brasil alguns exemplos disso: a dengue e a leishmaniose, doen\u00e7as j\u00e1 esquecidas pela maioria dos m\u00e9dicos, pois n\u00e3o apareciam h\u00e1 muitas d\u00e9cadas de maneira t\u00e3o intensa, causaram muitas v\u00edtimas. No caso da leishmaniose, recente surto no estado de Mato Grosso do Sul levou a dificuldades de diagn\u00f3stico, causando \u00f3bitos que poderiam ter sido evitados se a doen\u00e7a fosse prontamente diagnosticada.<\/p>\n<p>No caso dos fen\u00f4menos de seca, segundo Confalonieri (2002), a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 afetada inicialmente pela condi\u00e7\u00e3o de fome epid\u00eamica, que leva a um sistema imunol\u00f3gico deprimido, \u00e0 migra\u00e7\u00e3o e a problemas s\u00f3cio-econ\u00f4micos, todos trazendo um risco aumentado de infec\u00e7\u00e3o. Os problemas de sa\u00fade exercer\u00e3o press\u00e3o na infraestrutura de sa\u00fade p\u00fablica, causando superocupa\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, degradando o atendimento. A seca tamb\u00e9m traz inc\u00eandios florestais, causando doen\u00e7as respirat\u00f3rias e espalhando os vetores de doen\u00e7as, como o mosquito transmissor da mal\u00e1ria para centros urbanos. As m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias, causadas entre outras raz\u00f5es pela falta de \u00e1gua, levam a um aumento de doen\u00e7as diarr\u00e9icas, as quais debilitam mais ainda a popula\u00e7\u00e3o, especialmente crian\u00e7as. Tamb\u00e9m devido \u00e0 falta de higiene, podem ocorrer doen\u00e7as como tracoma e escabiose (IPCC, 2001). <\/p>\n<p>Com mais pessoas doentes e\/ou afetadas por desnutri\u00e7\u00e3o, a produtividade cai e ocorre um aumento dos gastos com medicamentos e cuidados \u00e0 sa\u00fade. A economia dos pa\u00edses, principalmente os em desenvolvimento, poder\u00e1 ser seriamente abalada em um quadro como esse.<\/p>\n<p><b>Planejamento estrtat\u00e9gico para minimiza\u00e7\u00e3o de impactos<\/b><\/p>\n<p>Para enfrentar estas possibilidades futuras torna-se fundamental o planejamento de a\u00e7\u00f5es que possam minimizar os impactos. Entre as a\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, em primeiro lugar \u00e9 necess\u00e1ria a cria\u00e7\u00e3o de indicadores de impacto e monitoramento, como por exemplo a flora\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores e produ\u00e7\u00e3o de sementes. Alguns itens devem ser contemplados, como avalia\u00e7\u00e3o  de riscos, avalia\u00e7\u00e3o de custos e um planejamento permanente. <\/p>\n<p>Especialmente na \u00e1rea da sa\u00fade, ser\u00e1 necess\u00e1rio um planejamento a longo prazo que permita solucionar problemas de nutri\u00e7\u00e3o e manter um programa de informa\u00e7\u00e3o e treinamento de profissionais de sa\u00fade, com o aperfei\u00e7oamento do controle de vetores e o diagn\u00f3stico de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Quanto aos problemas relativos \u00e0 biodiversidade, o IPCC (2001) sugere que devam ser criados ref\u00fagios, parques e corredores biol\u00f3gicos que possibilitem a migra\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e tamb\u00e9m a captura e cria\u00e7\u00e3o em cativeiro de animais silvestres para evitar sua extin\u00e7\u00e3o. Essas alternativas, no entanto, podem tornar-se excessivamente caras no futuro.<\/p>\n<p>Algumas solu\u00e7\u00f5es interessantes seriam fazer um invent\u00e1rio de esp\u00e9cies, um levantamento das esp\u00e9cies atingidas, bancos de germoplasma e o est\u00edmulo ao resgate do conhecimento tradicional de popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, mulheres, mateiros e raizeiros.<\/p>\n<p>No caso da agricultura, seria adequado aumentar a ecoefici\u00eancia das culturas, promover o manejo adequado do solo, dar prioridade \u00e0s sementes crioulas, incentivar a agroecologia, promover a redu\u00e7\u00e3o das monoculturas e investir na forma\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as rurais, com treinamento e divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es pertinentes. Segundo Tilman (2001), uma revolu\u00e7\u00e3o ambientalmente sustent\u00e1vel \u00e9 necess\u00e1ria, baseada na valoriza\u00e7\u00e3o de produtos e servi\u00e7os dos ecossistemas, como \u00e1gua pot\u00e1vel, biodiversidade, seq\u00fcestro de carbono, controle biol\u00f3gico de pragas, poliniza\u00e7\u00e3o, criat\u00f3rios de peixes e recrea\u00e7\u00e3o. Ainda segundo Tilman (2001), \u0093o conhecimento existente, se amplamente usado, pode reduzir significativamente os impactos ambientais da agricultura e aumentar a produtividade.\u0094<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s mudan\u00e7as ambientais, seria adequado promover a mudan\u00e7a da matriz energ\u00e9tica, projetar programas de mudan\u00e7a de popula\u00e7\u00f5es de forma ordenada e planejada, realizar monitoramento do n\u00edvel do mar de forma mais incisiva, criar linhas de cr\u00e9dito especiais para ind\u00fastrias, de forma a facilitar mudan\u00e7as de tecnologia, e fomentar a ado\u00e7\u00e3o de uma arquitetura bioclim\u00e1tica, visando minimizar as perdas de conforto clim\u00e1tico advindas das modifica\u00e7\u00f5es do clima.<\/p>\n<p>No caso das modifica\u00e7\u00f5es esperadas nos regimes h\u00eddricos, seria correto promover a ecoefici\u00eancia no uso da \u00e1gua, o reflorestamento em regi\u00f5es de mananciais, a gest\u00e3o de bacias hidrogr\u00e1ficas e estabelecer planos de emerg\u00eancia, como resgate de pessoas e animais e abastecimento emergencial de \u00e1gua.<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0 sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es, seria \u00fatil um grande programa de nutri\u00e7\u00e3o, com pesquisa de alimentos alternativos e diferentes formas de preparo, al\u00e9m certamente de um grande esfor\u00e7o de informa\u00e7\u00e3o e treinamento de profissionais da sa\u00fade, para que estivessem aptos quando as necessidades aparecerem.<\/p>\n<p>Basicamente, e subjacente a toda e qualquer medida, est\u00e1 a absoluta necessidade do repasse de informa\u00e7\u00f5es corretas sobre o fen\u00f4meno do aquecimento global, sublinhando-se suas eventuais conseq\u00fc\u00eancias, de forma que governos e sociedade possam realizar estudos e planejamento para preparar-se. O enfrentamento de situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia, epidemias e grandes demandas de servi\u00e7os p\u00fablicos, especialmente de sa\u00fade, pode ser grandemente alavancado se houver anteriormente uma prepara\u00e7\u00e3o. Planos contingenciais detalhados devem ser feitos ap\u00f3s estudo minucioso das regi\u00f5es pass\u00edveis de sofrer os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A\u00e7\u00f5es preventivas de toda ordem devem ser encaminhadas, pois os eventos previstos s\u00e3o de grande magnitude e necessitar\u00e3o de todos os recursos dispon\u00edveis, ao tempo e quantidades corretos. <\/p>\n<p><b>Bibliografia<\/b><\/p>\n<p>ALWARD, Richard D., DETLING, James K., MILCHUNAS, Daniel G. Grassland Vegetation Changes and Nocturnal Global Warming, in Science\u0092s Compass Review. Vol. 283, 08 de janeiro de 1999.<br \/>\n(dispon\u00edvel em www.sciencemag.org )<\/p>\n<p>CONFALONIERI, Ulisses E. C. 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