{"id":30698,"date":"2021-06-18T10:15:07","date_gmt":"2021-06-18T14:15:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/?p=30698"},"modified":"2021-06-18T10:15:07","modified_gmt":"2021-06-18T14:15:07","slug":"a-maior-cratera-de-meteorito-da-america-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/a-maior-cratera-de-meteorito-da-america-do-sul\/","title":{"rendered":"A maior cratera de meteorito da Am\u00e9rica do Sul"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-30222 alignleft\" src=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Caiubi-360x240.jpg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Caiubi-360x240.jpg 360w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Caiubi-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Caiubi-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Caiubi-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Caiubi.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/>Quando o leitor observa em uma noite de lua cheia, a superf\u00edcie do sat\u00e9lite natural da Terra, pode identificar in\u00fameras estruturas circulares, que s\u00e3o antigas crateras de meteoritos. Na Terra, encontrar o registro dos antigos impactos de corpos celestes \u00e9 algo muito mais dif\u00edcil, e neste texto ser\u00e1 explicado brevemente por que isso acontece. A maior cratera conhecida na Am\u00e9rica do Sul est\u00e1 localizada na divisa entre os estados de Mato Grosso e Goi\u00e1s, possui 40 km de di\u00e2metro e foi formada h\u00e1 cerca de 254 milh\u00f5es de anos. Dentro da \u00e1rea da cratera existem hoje duas cidades: Araguainha (MT) e Ponte Branca (MT).<\/p>\n<p>Os processos que agem na superf\u00edcie da lua e da Terra s\u00e3o muito diferentes. No sat\u00e9lite natural n\u00e3o existe processo de tect\u00f4nica de placas e processos atmosf\u00e9ricos que favore\u00e7am a altera\u00e7\u00e3o e eros\u00e3o das rochas, isso facilita a preserva\u00e7\u00e3o de registros de impactos de meteoritos muito antigos. Algumas das crateras que observamos na superf\u00edcie lunar podem possuir uma idade superior a 4 bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>O planeta Terra, por outro lado, \u00e9 extremamente din\u00e2mico devido aos processos externos e internos. Quando se observa a hist\u00f3ria contada pela tect\u00f4nica de placas, \u00e9 poss\u00edvel ver que h\u00e1 130 milh\u00f5es de anos, a \u00c1frica e a Am\u00e9rica do Sul estavam juntas, se voltarmos mais ainda no tempo, a uma idade pr\u00f3xima a data em que foi formada a cratera do Domo de Araguainha, veremos o Supercontinente Pangeia. Os registros geol\u00f3gicos guardados nas rochas, permitem dizer que este ciclo de forma\u00e7\u00e3o e fragmenta\u00e7\u00e3o de supercontinentes ocorreu pelo menos cinco vezes na Terra. Abrindo e fechando antigos oceanos e formando antigas cordilheiras. Por outro lado, os processos atmosf\u00e9ricos como a chuva, o vento, o clima e a vegeta\u00e7\u00e3o, ajudam a modificar as rochas, transform\u00e1-las em solo e tamb\u00e9m transportar seus fragmentos para outros locais. Essas mudan\u00e7as fazem com que ocorram muitas modifica\u00e7\u00f5es nas rochas, o que pode praticamente apagar ou tornar muito dif\u00edcil de serem reconhecidas antigas crateras de meteoritos.<\/p>\n<p>Os locais que guardam o registro de antigos impactos, com certeza possuem uma relev\u00e2ncia para o entendimento da hist\u00f3ria do planeta e dos seres que nele vivem. Tenho certeza que a maioria dos leitores se interessa em observar uma rocha que foi modificada por um impacto de meteorito. Por\u00e9m, devido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e as modifica\u00e7\u00f5es que elas fazem na superf\u00edcie do planeta, \u00e0s vezes \u00e9 dif\u00edcil encontrar locais onde \u00e9 poss\u00edvel observar rochas com bom estado de preserva\u00e7\u00e3o, que possam ajudar a contar a hist\u00f3ria do nosso planeta.<\/p>\n<p>Desde o ano 2020, as entidades de geologia acompanham com apreens\u00e3o as obras de pavimenta\u00e7\u00e3o da MT-100, que cruza o Domo de Araguainha, e que pode ocasionar destrui\u00e7\u00e3o ou soterramento de importantes locais onde se podem observar rochas que contam a hist\u00f3ria deste antigo impacto de meteorito. A pavimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 muito positiva para regi\u00e3o, por\u00e9m, este tipo de obra, quando passa por locais onde exista uma riqueza geol\u00f3gica t\u00e3o grande, precisa ser planejada de forma diferente, pensando na preserva\u00e7\u00e3o dos locais de observa\u00e7\u00e3o das rochas e tamb\u00e9m criando pontos com placas informativas e acostamentos, para que o cidad\u00e3o curioso, tamb\u00e9m possa parar e conhecer um pouco sobre a hist\u00f3ria fant\u00e1stica contada pelas rochas do local.<\/p>\n<p>As obras de pavimenta\u00e7\u00e3o na \u00e1rea do Domo de Araguainha n\u00e3o foram as \u00fanicas que causaram preocupa\u00e7\u00e3o da comunidade geol\u00f3gica sobre os danos que poderiam acontecer a locais especiais do Brasil, que possuem rochas que contam a hist\u00f3ria do planeta. Isso demonstra o quanto o Brasil precisa sintonizar por meio de suas pol\u00edticas p\u00fablicas o desenvolvimento, a hist\u00f3ria, o turismo e a educa\u00e7\u00e3o. Locais onde as rochas e as paisagem s\u00e3o verdadeiros laborat\u00f3rios e livros abertos na superf\u00edcie do planeta, devem ser tratados de forma diferenciada, pensando os mais diversos usos poss\u00edveis para esses territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Caiubi Kuhn, Professor na Faculdade de Engenharia (UFMT), ge\u00f3logo, especialista em Gest\u00e3o P\u00fablica (UFMT), mestre em Geoci\u00eancias (UFMT)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Caiubi Emanuel Souza Kuhn- Docente do Instituto de Engenharia, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Doutorando em Geoci\u00eancias e Meio Ambiente, Universidade Estadual Paulista (UNESP)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o leitor observa em uma noite de lua cheia, a superf\u00edcie do sat\u00e9lite natural da Terra, pode identificar in\u00fameras estruturas circulares, que s\u00e3o antigas crateras de meteoritos. 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