{"id":25387,"date":"2019-11-29T14:23:14","date_gmt":"2019-11-29T18:23:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/?p=25387"},"modified":"2019-11-29T14:26:56","modified_gmt":"2019-11-29T18:26:56","slug":"calagem-e-adubacao-asseguram-mais-lucratividade-aos-produtores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/calagem-e-adubacao-asseguram-mais-lucratividade-aos-produtores\/","title":{"rendered":"Calagem e aduba\u00e7\u00e3o asseguram mais lucratividade aos produtores"},"content":{"rendered":"<p><strong><em> Pioneiro no agroneg\u00f3cio em MT, pecuarista que tem inova\u00e7\u00e3o como marca reconhecida ensina: investimento em tecnologia \u00e9 necess\u00e1rio para crescimento ou mesmo manuten\u00e7\u00e3o no setor<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O crescimento e os investimentos no setor do agroneg\u00f3cio em Mato Grosso, ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, al\u00e7aram o Estado ao status de maior produtor agr\u00edcola e pecu\u00e1rio do pa\u00eds. Mas a capacidade ociosa, sobretudo na cria\u00e7\u00e3o de bovinos, ainda \u00e9 enorme, alertam especialistas, devido \u00e0 ainda relativamente baixa empregabilidade de tecnologia no segmento. O pioneiro Arno Schneider \u00e9 uma das vozes do campo a defender que a produ\u00e7\u00e3o de gado ainda tem muito a crescer para competir com o mercado dos gr\u00e3os. H\u00e1 mais de 40 anos na atividade, o produtor atesta que a reforma e corre\u00e7\u00e3o do solo das pastagens com o uso regular de calc\u00e1rio est\u00e3o entre os caminhos seguros para a evolu\u00e7\u00e3o da pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>O produtor observa que a t\u00e9cnica de manejo do solo, ainda que comum em culturas como a soja desde a d\u00e9cada de 70, j\u00e1 no s\u00e9culo 21 ainda n\u00e3o se popularizou na pecu\u00e1ria. Mais uma evid\u00eancia de que a sustentabilidade ambiental e financeira da atividade passa pela incorpora\u00e7\u00e3o de adubo e calc\u00e1rio \u00e0s pastagens, com planejamento e doses adequadamente prescritas por profissionais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Confira a \u00edntegra da entrevista com o produtor rural Arno Schneider:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pode-se afirmar categoricamente que a pecu\u00e1ria faz uso do calc\u00e1rio muito aqu\u00e9m da agricultura?<\/strong><\/p>\n<p>Arno Schneider: Na agricultura, 101% dos produtores usam o calc\u00e1rio. Seria imposs\u00edvel plantar sem usar o calc\u00e1rio. Na pecu\u00e1ria de corte, s\u00e3o utilizadas terras mais f\u00e9rteis, de melhor qualidade, por isso os pecuaristas n\u00e3o t\u00eam conhecimento quanto a uma boa fertiliza\u00e7\u00e3o e acham que fazer pastagem \u00e9 derrubar o cerrado, gradear, jogar semente, forrar a pastagem. Com o passar do tempo, continua o uso indefinido daquela regi\u00e3o sem nada a repor. Esse \u00e9 o retrato da pecu\u00e1ria do pa\u00eds. H\u00e1 alguns poucos pecuaristas que fazem an\u00e1lise de solo e corrigem com o calc\u00e1rio essa \u00e1rea, mediante a necessidade, mas esse percentual \u00e9 pequeno.<\/p>\n<p><strong> Ent\u00e3o pode-se afirmar que, quanto \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de tecnologia, a agricultura est\u00e1 \u00e0 frente da pecu\u00e1ria?<\/strong><\/p>\n<p>Arno Schneider: N\u00e3o tem nem compara\u00e7\u00e3o o n\u00edvel t\u00e9cnico utilizado na agricultura com o n\u00edvel t\u00e9cnico utilizado na pecu\u00e1ria. A pecu\u00e1ria \u00e9, com toda certeza, o setor mais atrasado do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>O senhor acredita que, al\u00e9m de uma quest\u00e3o meramente financeira, existe medo dos pecuaristas em usar o calc\u00e1rio?<\/p>\n<p>Arno Schneider: Eles sabem que o calc\u00e1rio vai ajudar, mas talvez muitos devam pensar que isso \u00e9 coisa de agricultura e que n\u00e3o tem nada a ver com pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>No que se refere aos quesitos t\u00e9cnicos, qual a maior defici\u00eancia na pecu\u00e1ria de hoje?<\/strong><\/p>\n<p>Arno Schneider: Na pecu\u00e1ria existe uma coisa chamada \u00edndices zoot\u00e9cnicos e outros \u00edndices agron\u00f4micos. No primeiro, o pecuarista investe em um touro de qualidade, na vermifuga\u00e7\u00e3o, nas vacinas contra as principais doen\u00e7as, faz um pacote sanit\u00e1rio e segue os protocolos, oferece ao rebanho um sal melhorado (com prote\u00ednas). A partir disso, vai melhorando a cria\u00e7\u00e3o, zootecnicamente. Isso \u00e9 o que os propriet\u00e1rios fazem, boa parte deles. A defici\u00eancia no setor se d\u00e1 ao fato de que essa t\u00e9cnica j\u00e1 se esgotou dentro daquilo que \u00e9 o razo\u00e1vel. Entretanto, muitos se esquecem dos \u00edndices agron\u00f4micos. Ou seja, os pecuaristas cuidam muito bem do gado mas n\u00e3o da sua alimenta\u00e7\u00e3o, do pasto, que \u00e9 o grosso da alimenta\u00e7\u00e3o. A maioria ainda acha que a pastagem \u00e9 uma coisa que n\u00e3o tem que ser cuidada. &#8220;Fica l\u00e1 e pronto&#8221;. Portanto, se aquele ambiente sinaliza que a lota\u00e7\u00e3o \u00e9 uma cabe\u00e7a por hectare, n\u00e3o h\u00e1 investimentos para mudar e o propriet\u00e1rio se acomoda naquela situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o investir no solo acontece por falta de conhecimento ou por falta de est\u00edmulo?<\/strong><\/p>\n<p>Arno Schneider: \u00c9 falta de conhecimento e falta de capital para uma intensifica\u00e7\u00e3o maior, tamb\u00e9m. Em grande parte dos casos, a pecu\u00e1ria de corte n\u00e3o tem muito financiamento para fazer cobrir a car\u00eancia e executar um projeto desse calibre. Na agricultura, tudo \u00e9 mais simples porque o ciclo se completa em cinco meses. Na pecu\u00e1ria, posso contrair um financiamento e comprar uma novilha, sendo que o prazo para quita\u00e7\u00e3o seria de dois anos. Entre adquirir uma novilha, enxertar, tempo de gesta\u00e7\u00e3o e tempo de desmame, j\u00e1 se passou o per\u00edodo para pagar o financiamento e o novo bezerro vai valer menos que aquela novilha. Sem contar todo o custo zoot\u00e9cnico e de alimenta\u00e7\u00e3o que foi investido em ambos. Na agricultura, o prazo para se quitar um financiamento \u00e9, geralmente, de 10 a 11 meses e nesse per\u00edodo o agricultor planta, colhe e ainda tem prazo para vender. Ent\u00e3o, o pouco investimento nas quest\u00f5es de aduba\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o do solo com o calc\u00e1rio pode-se atribuir, principalmente, \u00e0 falta de financiamentos com prazos de pagamento mais longos e uma car\u00eancia m\u00ednima de dois anos. A\u00ed voc\u00ea teria uma condi\u00e7\u00e3o muito melhor de intensificar na pecu\u00e1ria de corte.<\/p>\n<p><strong>Com os constantes investimentos em tecnologia na agricultura, como o pecuarista pode continuar crescendo no mercado?<\/strong><\/p>\n<p>Arno Schneider: O agricultor pode colher 100 sacas de soja por hectare, enquanto um pecuarista, no m\u00e9todo extensivo, coloca uma vaca por hectare. Logo, se o arrendat\u00e1rio paga de 10 a 12 sacas de soja por hectare a um pecuarista, isso j\u00e1 \u00e9 tr\u00eas ou quatro vezes mais que o ganho com o gado. Ent\u00e3o, provavelmente, o avan\u00e7o da agricultura vai arrastar consigo a pecu\u00e1ria de corte e ela n\u00e3o vai avan\u00e7ar zootecnicamente. Ela vai avan\u00e7ar agronomicamente. Para aqueles que ficarem, pode-se prever o aumento na atividade atrelado \u00e0 aduba\u00e7\u00e3o e calagem. O fazendeiro n\u00e3o \u00e9 muito ousado na utiliza\u00e7\u00e3o de novas tecnologias, fato. Ele \u00e9 mais lento e mesmo a falta de capital \u00e9 um problema. No entanto, para se adequar ao futuro ser\u00e1 necess\u00e1ria uma virada tecnol\u00f3gica. Isso vai, certamente, incidir na fertilidade do solo. Ser\u00e1 poss\u00edvel garantir uma melhora do pasto e da fertilidade, sem d\u00favidas, mediante uso do calc\u00e1rio e com aduba\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Para o senhor, o investimento em corre\u00e7\u00e3o do solo e recupera\u00e7\u00e3o com o calc\u00e1rio pode garantir ganhos de escala em at\u00e9 que propor\u00e7\u00e3o? Seria poss\u00edvel dobrar a produ\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Arno Schneider: \u00c9 muito f\u00e1cil dobrar a produ\u00e7\u00e3o. Se eu tenho 1.000 vacas em 1.000 hectares e eu coloco, por exemplo, 1.000 kg de calc\u00e1rio e 300 kg de adubo por hectare, em um determinado per\u00edodo, eu j\u00e1 dobrei a produ\u00e7\u00e3o. Para dobrar e n\u00e3o fazer nada, voc\u00ea teria que comprar uma outra propriedade. Al\u00e9m da compra, voc\u00ea teria que montar uma estrutura de moradia, empregados, plantar pastos, fazer todas as cercas, curral, montar uma equipe de trabalhadores, adquirir ve\u00edculos. Ou voc\u00ea pode colocar calc\u00e1rio e adubo e ter o dobro. Fazer isso \u00e9 extremamente mais simples e mais barato. Ent\u00e3o, se voc\u00ea tem capital para comprar outra terra, vai ter muito mais capital para intensificar a produ\u00e7\u00e3o numa \u00e1rea onde j\u00e1 h\u00e1 atividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Fonte: Assessoria \u00a0Sinecal-MT\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pioneiro no agroneg\u00f3cio em MT, pecuarista que tem inova\u00e7\u00e3o como marca reconhecida ensina: investimento em tecnologia \u00e9 necess\u00e1rio para crescimento ou mesmo manuten\u00e7\u00e3o no setor &nbsp; O crescimento e os investimentos no setor do agroneg\u00f3cio em Mato Grosso, ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, al\u00e7aram o Estado ao status de maior produtor agr\u00edcola e pecu\u00e1rio do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-25387","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25387"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25387\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25388,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25387\/revisions\/25388"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}