{"id":14052,"date":"2017-11-06T09:00:44","date_gmt":"2017-11-06T12:00:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/?p=14052"},"modified":"2017-11-06T15:48:27","modified_gmt":"2017-11-06T18:48:27","slug":"geografa-eliane-salete-sartor-de-guaranta-do-norte-conta-sua-trajetoria-e-comenta-sobre-o-mercado-de-trabalho-em-mt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/geografa-eliane-salete-sartor-de-guaranta-do-norte-conta-sua-trajetoria-e-comenta-sobre-o-mercado-de-trabalho-em-mt\/","title":{"rendered":"Ge\u00f3grafa Eliane Salete Sartor, de Guarant\u00e3 do Norte, conta sua trajet\u00f3ria e comenta sobre o mercado de trabalho em MT \u00a0"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-14053\" src=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/20171102_082122-2-216x360.jpg\" alt=\"\" width=\"216\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/20171102_082122-2-216x360.jpg 216w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/20171102_082122-2-768x1280.jpg 768w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/20171102_082122-2-614x1024.jpg 614w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/20171102_082122-2.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 216px) 100vw, 216px\" \/>A ge\u00f3grafa Eliane Salete Sartor Cavalheiro, nasceu na cidade de Cascavel\/PR, em 1967. No ensino m\u00e9dio, no curso profissionalizante em Edifica\u00e7\u00f5es, conheceu o jovem Samuel Quinteiro Cavalheiro, que em pouco tempo se tornou seu marido. No ano de 1987 com a chegada de um beb\u00ea, se aventuraram para Cuiab\u00e1, Samuel com emprego garantido e Eliane tomando conta da casa e do filho Alex Sandre, hoje com 30 anos. Algum tempo depois precisou trabalhar para ajudar no or\u00e7amento dom\u00e9stico, inicialmente numa construtora, como desenhista, mas n\u00e3o sentia prazer naquela profiss\u00e3o. Na empresa conheceu o top\u00f3grafo Celestino Baratieri e logo come\u00e7aram uma parceria. Celestino fazia o campo e Eliane os desenhos e memoriais descritivos de loteamentos urbanos. Na \u00e9poca nem se falava em computador, o desenho era na prancheta com esquadros, transferidor, papel vegetal, norm\u00f3grafo &#8211; rel\u00edquias que ela guarda at\u00e9 hoje como s\u00edmbolo do in\u00edcio da sua carreira profissional. Para im\u00f3veis rurais, interpretava em imagem de sat\u00e9lite em meio anal\u00f3gico, colocava o papel vegetal em cima e ia interpretando relevo, rede de drenagens, estradas, \u00e1reas exploradas e outros tipos de fei\u00e7\u00f5es. Nascia ai uma ge\u00f3grafa, mas Eliane nem se dava conta. Estudou, tomando gosto pela \u00e1rea e se aperfei\u00e7oou. Atualmente, trabalha na \u00e1rea de geografia e geoprocessamento, \u00e9 s\u00f3cia-propriet\u00e1ria de uma empresa de presta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os em Cuiab\u00e1, al\u00e9m de fazer parte do quadro t\u00e9cnico de um Centro Empresarial, em Guarant\u00e3 do Norte.<\/p>\n<p><strong>1- Onde e quando se formou e, o que lhe motivou a fazer o curso de geografia?<\/strong><\/p>\n<p>Formei em licenciatura em geografia no ano de 2004 pela Univag. Depois fiz bacharelado em geografia na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e me formei em 2008. Fiz especializa\u00e7\u00e3o em geoprocessamento e georreferenciamento (Fundetec) em 2008; mestrado em Ci\u00eancias Ambientais pela (UTCD), conclu\u00eddo em 2012. O curso de geografia foi t\u00e3o maravilhoso que acabei fazendo licenciatura e depois bacharelado, o que mais me motivou na profiss\u00e3o e que me fez aumentar meu conhecimento, foi o leque de op\u00e7\u00f5es que se abriu ao concluir o curso de geografia. Hoje, posso atuar desde a \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o formal, at\u00e9 me envolver com trabalhos e estudos na \u00e1rea de ecologia e meio ambiente. O geoprocessamento aplicado \u00e0 geografia fornece bases a in\u00fameros estudos, voltados \u00e0s ci\u00eancias da terra, pode subsidiar per\u00edcias t\u00e9cnicas. Hoje posso interagir com \u00f3rg\u00e3os e entidades de fiscaliza\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o ambiental, \u00f3rg\u00e3os de fomento, entre outros.<\/p>\n<p><strong>2- Qual sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Atuo na \u00e1rea da cartografia digital\/geoprocessamento, elaborando mapas a partir de imagens de sat\u00e9lite em conjunto com banco de dados geogr\u00e1fico. Recentemente aceitei o desafio de participar do corpo t\u00e9cnico de um grupo de trabalho, o qual tem como programa rural a sustentabilidade ambiental e a cria\u00e7\u00e3o de novas Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, como forma de compensa\u00e7\u00e3o ambiental. As Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o possibilitam a popula\u00e7\u00e3o interagir com a natureza, seja de forma contemplativa, seja atrav\u00e9s de estudos mais diretos. Mato Grosso \u00e9 o terceiro maior Estado em dimens\u00f5es territoriais, e essa sua \u201cgrandeza\u201d, propicia in\u00fameras possibilidades para se atuar na \u00e1rea de geografia.<\/p>\n<p><strong>3-Conte-nos um pouco de sua trajet\u00f3ria profissional como ge\u00f3grafa?<\/strong><\/p>\n<p>Inicialmente comecei atrav\u00e9s de uma parceria com um top\u00f3grafo, onde atuava como desenhista\/projetista. Anos mais tarde fomos convidados a fazer parte do quadro de funcion\u00e1rios de uma empresa de assessoria ambiental, onde tudo era computadorizado. Aceitei o convite e o desafio, pois sequer sabia ligar um computador. O gostoso \u00e9 isso mesmo, enfrentar os desafios. Talvez deva correr no sangue de um ge\u00f3grafo, ser curioso, observador, insistir. Tentar e tentar de novo e, de novo, quantas vezes forem necess\u00e1rias pra chegar num resultado satisfat\u00f3rio. Em pouco tempo o n\u00famero de funcion\u00e1rios foi crescendo e eu administrando cursos em diferentes empresas de assessoria ambiental. As portas foram se abrindo e novos desafios foram surgindo. Depois de minhas gradua\u00e7\u00f5es, especializa\u00e7\u00e3o e mestrado, conheci dois profissionais fabulosos que me deram a m\u00e3o, assim como se ensina uma crian\u00e7a a andar. Ambos me ensinaram na pr\u00e1tica tudo que havia ouvido em sala de aula. Hoje, agrade\u00e7o \u00e0s pessoas maravilhosas que fizeram parte do meu aprendizado, pois agora posso dar minha contribui\u00e7\u00e3o, por exemplo, na elabora\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias para que nas regi\u00f5es aconte\u00e7am ocupa\u00e7\u00f5es com o m\u00ednimo de impacto poss\u00edvel ao ambiente. E isso \u00e9 maravilhoso!<\/p>\n<p><strong>4- Quais foram as maiores dificuldades encontradas no mercado de trabalho?<\/strong><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o diria dificuldades encontradas e sim desprezo ou preconceito. Por in\u00fameras vezes me perguntaram em que eu era formada, e eu respondo com muito orgulho, sou formada em geografia. Numa quest\u00e3o de segundos aquele olhar curioso se definha como se me diminu\u00edsse profissionalmente. Ent\u00e3o, me pergunto: qual o problema? Ser formado em Geografia \u00e9 poder, inclusive, ser professor de Geografia! Embora eu n\u00e3o atue como tal, dentro de uma sala de aula, eu tenho enorme orgulho de meus colegas de gradua\u00e7\u00e3o, que escolheram a sala aula como meta profissional, pois transformaram a forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica em uma profiss\u00e3o que \u00e9 um projeto de vida! Principalmente, porque em termos financeiros o professor no Brasil \u00e9 muito mal remunerado pela fun\u00e7\u00e3o. E, ser professor de Geografia, \u00e9 n\u00e3o esperar por nenhum tipo de reconhecimento pela sociedade. Por\u00e9m, s\u00e3o esses profissionais que t\u00eam o compromisso com a constante constru\u00e7\u00e3o do conhecimento e a forma\u00e7\u00e3o de cada crian\u00e7a, de cada adolescente, que formar\u00e3o a massa cr\u00edtica dos cidad\u00e3os de nossa sociedade. Mas a Geografia, como disse anteriormente, abre um leque para a atua\u00e7\u00e3o profissional e trabalhos t\u00e9cnico-cient\u00edficos voltados \u00e0s ci\u00eancias da terra. Est\u00e1 em alta no mercado e h\u00e1 uma car\u00eancia de profissionais atuando neste setor.<\/p>\n<p><strong>5- O que voc\u00ea considera importante para se destacar nesta profiss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Um ge\u00f3grafo tem que ser curioso, observador, gostar de atividades fora de escrit\u00f3rios, de ter contato real e concreto com o espa\u00e7o geogr\u00e1fico, com o territ\u00f3rio, com o meio ambiente. E, acima de tudo, compreender as din\u00e2micas sociais e naturais, pois nada \u00e9 est\u00e1tico, tudo \u00e9 um processo. Um processo de produ\u00e7\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o geogr\u00e1fico.<\/p>\n<p><strong>6- Como voc\u00ea v\u00ea, como ge\u00f3grafa habilitada e registrada, a participa\u00e7\u00e3o no CREA-MT?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Meu coment\u00e1rio vai a n\u00edvel estadual. Participar do CREA em Mato Grosso me possibilita atuar na minha profiss\u00e3o com mais seguran\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es entre o objeto do trabalho, o cliente e a minha capacidade produtiva. Um exemplo disso, \u00e9 a Anota\u00e7\u00e3o de Responsabilidade T\u00e9cnica (ART), que para mim \u00e9 um instrumento que me ajuda, inclusive, a impor certo respeito no meu exerc\u00edcio profissional; pois me torno respons\u00e1vel pelo produto que entrego \u00e0quele que me contratou e com o aval de um conselho, que tem como uma de suas fun\u00e7\u00f5es a fiscaliza\u00e7\u00e3o. Apesar dos ge\u00f3grafos serem muitas vezes substitu\u00eddos por profissionais que apenas manuseiam \u201cmouses\u201d e interpretam apenas virtualmente imagens de sat\u00e9lites ou outros sensores remotos, como fotos a\u00e9reas, por exemplo, h\u00e1 necessidade de se realizar o reconhecimento real e concreto do espa\u00e7o geogr\u00e1fico objeto da an\u00e1lise, pois a simples interpreta\u00e7\u00e3o virtual pode ser err\u00f4nea e causar preju\u00edzos econ\u00f4micos. Na \u00e1rea de per\u00edcias t\u00e9cnicas, por exemplo, \u00e9 muito importante valorizar o trabalho do profissional cuja forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica o tornou habilitado para tal.<\/p>\n<p><strong>7- A partir de sua experi\u00eancia que conselhos voc\u00ea daria para os estudantes que ainda est\u00e3o definindo o curso que ir\u00e3o fazer, aos que j\u00e1 est\u00e3o fazendo Geografia e para os profissionais que est\u00e3o entrando no mercado de trabalho?<\/strong><\/p>\n<p>O candidato ao curso de geografia pode optar por licenciatura e ou bacharelado. No caso da licenciatura, h\u00e1 bastante espa\u00e7o na \u00e1rea educacional, tanto para ensino fundamental, m\u00e9dio ou superior e cabe a cada um escolher qual a faixa et\u00e1ria que melhor se adapte para desenvolver um bom trabalho. No caso de bacharelado, o mercado tamb\u00e9m \u00e9 carente de profissionais. Entretanto, independentemente da pessoa optar por licenciatura ou bacharelado, ou ambos, como foi meu caso, h\u00e1 que se ter em mente que as dificuldades sempre existir\u00e3o e quando se cursa as disciplinas que envolvem trabalhos de campo, o esfor\u00e7o ser\u00e1 muito gratificante. Pois \u00e9 a partir da\u00ed que se come\u00e7a, de fato, a se ter entendimento das intera\u00e7\u00f5es entre o estudo te\u00f3rico, os conceitos, etc. e a realidade concreta, onde se tem a exata percep\u00e7\u00e3o da grandeza do objeto de trabalho do Ge\u00f3grafo. \u00c0queles que j\u00e1 se formaram, que sejam bem vindos nesse universo maravilhoso chamado Geografia, logo, logo estar\u00e3o empregados ou trabalhando como profissionais liberais, pois o mercado \u00e9 amplo e cabe a cada um n\u00f3s buscarmos o melhor lugar para atuar com confian\u00e7a na sua capacidade. E, finalmente, mas n\u00e3o menos importante, meu conselho a todos que atuam na \u00e1rea de Geografia \u00e9 que se atualizem sempre, pois como parte das Ci\u00eancias da Terra, o processo de avan\u00e7o t\u00e9cnico e tecnol\u00f3gico no mundo \u00e9 um fato e n\u00e3o pode ser mais negligenciado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ge\u00f3grafa Eliane Salete Sartor Cavalheiro, nasceu na cidade de Cascavel\/PR, em 1967. No ensino m\u00e9dio, no curso profissionalizante em Edifica\u00e7\u00f5es, conheceu o jovem Samuel Quinteiro Cavalheiro, que em pouco tempo se tornou seu marido. 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