{"id":13225,"date":"2017-09-12T14:23:55","date_gmt":"2017-09-12T18:23:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/?p=13225"},"modified":"2017-09-12T16:41:33","modified_gmt":"2017-09-12T20:41:33","slug":"engenheiro-de-petroleo-lucas-soares-fala-de-sua-formacao-e-atuacao-e-destaca-a-probabilidade-de-sucesso-profissional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/engenheiro-de-petroleo-lucas-soares-fala-de-sua-formacao-e-atuacao-e-destaca-a-probabilidade-de-sucesso-profissional\/","title":{"rendered":"Engenheiro de Petr\u00f3leo Lucas Widal fala de sua atua\u00e7\u00e3o e destaca a probabilidade de sucesso profissional"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-13226\" src=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/entrevista-03-340x360.jpg\" alt=\"\" width=\"340\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/entrevista-03-340x360.jpg 340w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/entrevista-03-768x813.jpg 768w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/entrevista-03-968x1024.jpg 968w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/entrevista-03.jpg 1932w\" sizes=\"auto, (max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/>O engenheiro de petr\u00f3leo, Lucas Soares Widal Garcia, \u00e9 natural de C\u00e1ceres (MT), &#8220;a princesinha do rio Paraguai&#8221;, cidade onde viveu at\u00e9 seus 17 anos junto aos seus estimados pais e familiares, que sempre o apoiaram e incentivaram a buscar a melhor prepara\u00e7\u00e3o. De l\u00e1 veio para Cuiab\u00e1 em 2009, ap\u00f3s conclus\u00e3o do ensino m\u00e9dio para complementar os estudos e se preparar para a gradua\u00e7\u00e3o, uma decis\u00e3o que ainda estava em processo de amadurecimento. A sa\u00edda de cidade natal foi a primeira mudan\u00e7a, a grande respons\u00e1vel pelo crescimento pessoal e profissional de Lucas, que sempre buscou aux\u00edlio em Deus para suas decis\u00f5es. Atualmente, o engenheiro reside e trabalha em Cuiab\u00e1, junto com a esposa e o filho.<\/p>\n<p><strong>1- Onde e quando se formou?<\/strong><\/p>\n<p>Me graduei no ano de 2015 em Engenharia de Petr\u00f3leo e G\u00e1s pela Universidade Federal do Amazonas \u2013 UFAM, na cidade de Manaus, capital do Amazonas. Um estado produtor de petr\u00f3leo e principalmente, de g\u00e1s natural, na prov\u00edncia petrol\u00edfera de Urucu. Fa\u00e7o parte da 1\u00aa turma formada naquela institui\u00e7\u00e3o, da qual sou grato por todo apoio e confian\u00e7a e, mesmo com todas as dificuldades inerentes a um curso que se inicia, sempre estimularam o processo de ensino, aprendizagem, pesquisa cient\u00edfica e extens\u00e3o. Em Cuiab\u00e1, conclu\u00ed a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia de Seguran\u00e7a do Trabalho, \u00e1rea em que atuei nos primeiros anos da minha carreira profissional.<\/p>\n<p><strong>2- Por que escolheu o curso de engenharia de petr\u00f3leo?<\/strong><\/p>\n<p>Honestamente, como qualquer jovem rec\u00e9m-formado no ensino m\u00e9dio, as d\u00favidas eram maiores que as certezas, principalmente no que se refere ao curso de gradua\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, meus pais sempre me mostraram que o caminho \u00e9 se preparar bem e ter foco, tendo em vista que as oportunidades aparecem, mas aproveit\u00e1-las \u00e9 a chave para o sucesso. Nesta perspectiva eu buscava algo que me desafiasse e que me trouxesse prazer, tanto em estudar como em, futuramente, exercer a profiss\u00e3o, pois assim, a chance de ser bem-sucedido profissionalmente com certeza seria maior. Foi quando no final de 2009, muito se falava sobre a produ\u00e7\u00e3o no pr\u00e9-sal (grandes acumula\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo leve, de excelente qualidade e com alto valor comercial). Isto acabou colocando o Brasil em uma posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica frente \u00e0 grande demanda de energia mundial e fomentou a cria\u00e7\u00e3o de cursos espec\u00edficos na \u00e1rea, bem como atentou para a possibilidade da grande demanda de m\u00e3o de obra qualificada. Ainda haviam poucas institui\u00e7\u00f5es para exercer a gradua\u00e7\u00e3o, poucas turmas formadas nacionalmente, mas foi ali que eu decidi que seria Engenheiro de Petr\u00f3leo e G\u00e1s, \u00e1rea na qual eu j\u00e1 demonstrava bastante interesse desde o ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p><strong>3- Como \u00e9 o dia a dia de quem trabalha nesta profiss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Como toda engenharia \u00e9 uma atividade extremamente multidisciplinar. Some-se a isto uma grande capacidade de adapta\u00e7\u00e3o, por explorar muitas vezes \u00e1reas in\u00f3spitas e a busca incessante por inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que otimize processos. Basicamente podemos atuar em tr\u00eas grandes \u00e1reas:<\/p>\n<p>1-Upstream: Geologia (explora a origem, forma\u00e7\u00e3o e localiza\u00e7\u00e3o dos hidrocarbonetos); Reservat\u00f3rios (analisa onde os fluidos se depositam, as caracter\u00edsticas dos reservat\u00f3rios e a mec\u00e2nica dos mesmos dentro da forma\u00e7\u00e3o rochosa); Po\u00e7os (Procedimentos e t\u00e9cnicas para perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os e seus variados elementos mec\u00e2nicos e el\u00e9tricos); Eleva\u00e7\u00e3o e Escoamento (otimiza\u00e7\u00e3o do escoamento dos fluidos do reservat\u00f3rio \u00e0 superf\u00edcie);<\/p>\n<p>2-Midstream: Produ\u00e7\u00e3o e processamento (estuda os equipamentos submarinos e terrestres de controle da produ\u00e7\u00e3o e a planta de processamento de fluidos das plataformas ou sondas terrestres) e Estudo Econ\u00f4mico (analisa a viabilidade dos projetos e planeja gastos e ganhos);<\/p>\n<p>3-Downstream:\u00a0\u00c9 a fase log\u00edstica, ou seja, o transporte dos produtos da refinaria at\u00e9 os locais de consumo. Resume-se no transporte, distribui\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o dos derivados do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>O engenheiro petrol\u00edfero pode atuar tanto em escrit\u00f3rios como de forma \u201cembarcada\u201d, onde o profissional permanece, por exemplo, duas semanas no local de trabalho e posteriormente \u201cdesembarca\u201d para usufruir dos dias de folga (financeiramente falando, esta op\u00e7\u00e3o \u00e9 geralmente mais atrativa). O que muitos imaginam, inclusive eu no in\u00edcio da gradua\u00e7\u00e3o, \u00e9 que a \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o \u00e9 restrita ao mar. Por\u00e9m, existem campos de produ\u00e7\u00e3o em terra, como no pr\u00f3prio Estado do Amazonas e, esperamos que futuramente no Mato Grosso tamb\u00e9m, por ficar distante da regi\u00e3o urbana, exigem o embarque.<\/p>\n<p><strong>4-Quais as oportunidades no mercado de trabalho e os maiores desafios enfrentados em MT?<\/strong><\/p>\n<p>No momento, estou atuando na 3\u00aa grande \u00e1rea da Engenharia de Petr\u00f3leo (Downstream), onde envolve o transporte do g\u00e1s natural Boliviano, por meio de dutos terrestres, at\u00e9 o ponto de entrega, que em nosso caso \u00e9 a Usina Termel\u00e9trica em Cuiab\u00e1-MT. Mais precisamente, participo do gerenciamento da integridade do gasoduto e faixa de servid\u00e3o, garantindo que o transporte do g\u00e1s (que tem a finalidade de abastecer as turbinas que geram energia el\u00e9trica) seja eficiente e n\u00e3o comprometa o meio ambiente, sociedade e ativos. J\u00e1 tive a oportunidade tamb\u00e9m de trabalhar nas outras duas grandes \u00e1reas (Upstream e Midstream) na Petrobr\u00e1s.<\/p>\n<p>Vejo que em Mato Grosso, os estudos de explora\u00e7\u00e3o de potenciais jazidas petrol\u00edferas s\u00e3o embrion\u00e1rios. Come\u00e7ando em 1988, com uma descoberta da exsuda\u00e7\u00e3o de g\u00e1s no Rio Teles Pires e posteriores estudos geof\u00edsicos e geoqu\u00edmicos na Bacia do Parecis. Li algo a respeito de R$360 milh\u00f5es de recursos aplicados pela ANP (Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo) para este fim, em mais ou menos 4 po\u00e7os perfurados de 4.000 metros de profundidade cada, que visam, inicialmente, apenas estudar e mapear a bacia sedimentar. Acredito que havendo ind\u00edcios fortes e h\u00e1 grandes ind\u00edcio, pelo conhecimento que tenho, a ANP deve colocar a \u00e1rea na rota de pr\u00f3ximas licita\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o, com expectativa de uma licita\u00e7\u00e3o j\u00e1 em 2018. Estes estudos devem buscam avaliar o volume de g\u00e1s no solo, que se for economicamente vi\u00e1vel, ser\u00e1 muito importante para Mato Grosso, visto que o g\u00e1s natural \u00e9 uma das fontes de energia mais baratas e sustent\u00e1veis, trazendo outra alternativa, al\u00e9m do g\u00e1s Boliviano para utiliza\u00e7\u00e3o em nossos processos.<\/p>\n<p>Eu vejo que os maiores desafios enfrentados aqui em Mato Grosso, sejam os de, primeiramente, investir e viabilizar cada vez mais estudos como estes de explora\u00e7\u00e3o de nossas bacias sedimentares, de forma ecol\u00f3gica e sustent\u00e1vel, em busca destes recursos naturais, atrav\u00e9s de pol\u00edticas p\u00fablicas ou empresas privadas id\u00f4neas e s\u00e9rias e, ap\u00f3s identificado e comprovado em nossa regi\u00e3o este potencial petrol\u00edfero, fomentar a utiliza\u00e7\u00e3o, transporte e cria\u00e7\u00e3o de sistemas de produ\u00e7\u00e3o e processamento de hidrocarbonetos para otimizar ao m\u00e1ximo a utiliza\u00e7\u00e3o destes t\u00e3o valiosos recursos que podem, sem sombra de d\u00favidas, mudar o patamar econ\u00f4mico de nosso Estado.<\/p>\n<p><strong>5- O que um engenheiro de petr\u00f3leo deve fazer para se destacar no mercado?<\/strong><\/p>\n<p>Eu costumo brincar que \u00e9 mais f\u00e1cil um Engenheiro de Petr\u00f3leo em forma\u00e7\u00e3o, que seja fluente em ingl\u00eas, ser contratado em detrimento de um profissional j\u00e1 formado, p\u00f3s-graduado, que n\u00e3o possui esta qualifica\u00e7\u00e3o. O mercado exige e na pr\u00f3pria universidade voc\u00ea j\u00e1 come\u00e7a a certificar esta peculiaridade. Capacidade de adapta\u00e7\u00e3o (j\u00e1 citado), dom\u00ednio de ferramentas como Excel, AutoCAD, MATLAB, entre outras, tamb\u00e9m costuma ser de grande valia na avalia\u00e7\u00e3o de candidatos. Participa\u00e7\u00e3o em confer\u00eancias, semanas acad\u00eamicas, conven\u00e7\u00f5es e demais eventos de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, bem como a pr\u00e1tica de pesquisas e desenvolvimentos de projetos na \u00e1rea e afins e, est\u00e1gios costumam assegurar a prepara\u00e7\u00e3o de um ex\u00edmio candidato a pleitear uma vaga no mercado de trabalho. Por ser uma profiss\u00e3o global tamb\u00e9m experimentar novas culturas, estudos e t\u00e9cnicas na \u00e1rea atrav\u00e9s de interc\u00e2mbio, por exemplo, possibilita um Networking bastante eficaz.<\/p>\n<p><strong>6- Como voc\u00ea v\u00ea, como engenheiro formado e habilitado, a participa\u00e7\u00e3o em uma entidade de classe? O CREA \u00e9 formado pelos conselheiros, que s\u00e3o eleitos a partir de sua participa\u00e7\u00e3o numa entidade de classe. Consideramos que uma entidade forte, fortalece tamb\u00e9m o Conselho e possibilita mais representatividade para as categorias que comp\u00f5e as discuss\u00f5es plen\u00e1rias.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que o objetivo principal de qualquer entidade de classe \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o profissional. Todos, dentro de suas atribui\u00e7\u00f5es legais, devem intervir para garantir ao profissional e \u00e0 sociedade um exerc\u00edcio profissional \u00e9tico e sustent\u00e1vel. Manter rela\u00e7\u00f5es claras com todos os elementos do sistema profissional e sobretudo com a sociedade, s\u00e3o vitais para manter uma entidade empreendedora, livre, din\u00e2mica, comprometida com valores sociais e com a valoriza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o e sempre isenta de simples ambi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ou meramente econ\u00f4micas.<\/p>\n<p><strong>7- A partir de sua experi\u00eancia que conselhos voc\u00ea daria para os estudantes que queiram fazer Engenharia de Petr\u00f3leo e aos profissionais que est\u00e3o entrando no mercado de trabalho?<\/strong><\/p>\n<p>Inicialmente, para aqueles que realmente desejam ingressar na \u00e1rea de petr\u00f3leo e g\u00e1s, saibam que a probabilidade de sucesso profissional e financeiro \u00e9 realmente grande (seja no Brasil ou em qualquer parte do planeta), para os que se preparam, capacitam-se e n\u00e3o se intimidem diante dos enormes desafios que a atividade apresenta. \u201cBaterei na tecla\u201d novamente de aprender outros idiomas, principalmente o ingl\u00eas. Praticar pesquisas cient\u00edficas e obter recursos para desenvolver projetos de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, al\u00e9m de participar do m\u00e1ximo de eventos poss\u00edveis que venham a agregar valores pessoais e profissionais na \u00e1rea, enriquecendo sua \u201clista de contatos\u201d. N\u00e3o tenho d\u00favidas que a Engenharia de Petr\u00f3leo e G\u00e1s ainda se apresenta como uma das profiss\u00f5es mais promissoras atualmente. O mercado de trabalho pode aparentar \u201cdesaquecido\u201d, muito em virtude de fatores externos (corrup\u00e7\u00e3o, desinvestimentos for\u00e7ados, etc.), que n\u00e3o reflete a necessidade real da obten\u00e7\u00e3o dos recursos naturais provenientes da cadeia petrol\u00edfera. Acreditar em Deus e respeitar ao pr\u00f3ximo, devem ser as palavras de ordem de qualquer profissional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O engenheiro de petr\u00f3leo, Lucas Soares Widal Garcia, \u00e9 natural de C\u00e1ceres (MT), &#8220;a princesinha do rio Paraguai&#8221;, cidade onde viveu at\u00e9 seus 17 anos junto aos seus estimados pais e familiares, que sempre o apoiaram e incentivaram a buscar a melhor prepara\u00e7\u00e3o. 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