{"id":13018,"date":"2017-08-28T09:12:37","date_gmt":"2017-08-28T13:12:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/?p=13018"},"modified":"2017-08-28T09:14:51","modified_gmt":"2017-08-28T13:14:51","slug":"engenheiro-textil-de-campo-verde-compartilha-sua-experiencia-na-industria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/engenheiro-textil-de-campo-verde-compartilha-sua-experiencia-na-industria\/","title":{"rendered":"Engenheiro T\u00eaxtil de Campo Verde compartilha sua experi\u00eancia na ind\u00fastria"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-13019\" src=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/740ba929-8fcc-4904-9f89-97790a246c34-360x270.jpg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"270\" srcset=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/740ba929-8fcc-4904-9f89-97790a246c34-360x270.jpg 360w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/740ba929-8fcc-4904-9f89-97790a246c34-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/740ba929-8fcc-4904-9f89-97790a246c34-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/740ba929-8fcc-4904-9f89-97790a246c34.jpg 1032w\" sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/>O engenheiro t\u00eaxtil Ant\u00f4nio Marcos do Nascimento, de 42 anos, nasceu em Apucarana, no Paran\u00e1 e com 04 anos mudou-se para Ivaipor\u00e3 (PR) onde se criou e permaneceu at\u00e9 os 18 anos, quando foi estudar Engenharia T\u00eaxtil. Ant\u00f4nio Marcos veio para Mato Grosso para auxiliar no projeto de constru\u00e7\u00e3o de uma ind\u00fastria de fios, sendo o respons\u00e1vel peloprojeto industrial, negocia\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas e equipamentos, al\u00e9m da montagem e funcionamento da ind\u00fastria. Atualmente, ele a gerencia e, sua vinda para o Estado, se deu a convite de pessoas que o conheceram no seu primeiro emprego, ap\u00f3s sua gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>1)\u00a0Onde fez sua forma\u00e7\u00e3o em engenharia t\u00eaxtil, por que escolheu esta \u00e1rea e, quando se formou?<\/strong><\/p>\n<p>Me formei em 1998 na Universidade Estadual de Maring\u00e1 \u2013 UEM, na cidade de Goioer\u00ea \u2013 Paran\u00e1. Escolhi essa \u00e1rea porque um tio havia trabalhado na Industria T\u00eaxtil em Apucarana e, eu morava ao lado dessa ind\u00fastria, ent\u00e3o, escutava muito falar sobre a \u00e1rea t\u00eaxtil quando crian\u00e7a. Por\u00e9m, quando terminei o 2\u00baGrau\u00a0estava procurando uma faculdade em Engenharia Mec\u00e2nica, porque desde crian\u00e7a trabalhei com meu pai, Antonio Correa do Nascimento (seu Bit\u00f3), na sua oficina de funilaria em Ivaipor\u00e3 (PR). Mas as faculdades de engenharia mec\u00e2nica eram muito longe e as condi\u00e7\u00f5es financeira eram poucas. Olhando o Guia do Estudante vi a Engenharia T\u00eaxtil, fiz o vestibular somente por experi\u00eancia, mas passei e comecei a estudar. Peguei gosto e me especializei nessa \u00e1rea. Hoje tenho a gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia T\u00eaxtil, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Administra\u00e7\u00e3o de Produ\u00e7\u00e3o, Mestrado em Engenharia da Produ\u00e7\u00e3o e, atualmente curso a faculdade em Gest\u00e3o de Cooperativa, pela Unicesumar.<\/p>\n<p><strong>2)\u00a0Como foram os primeiros anos no mercado de trabalho, ap\u00f3s sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica?<\/strong><\/p>\n<p>Foram \u00f3timos, trabalhei numa excelente empresa, que tenho saudades at\u00e9 hoje &#8211; Fia\u00e7\u00e3o Copasul, onde conheci meu mestre na \u00e1rea t\u00eaxtil, Taguti, com quem aprendi muito e Carlos Menegati, outro mestre, que era meu diretor e, atualmente \u00e9 meu superior direto.\u00a0Foi muito bom. Contudo, financeiramente foi muito dif\u00edcil no in\u00edcio, porque o ganho era pouco, como geralmente \u00e9 para todos quando se inicia. Era t\u00e3o pouco que eu tinha que dar aula a noite para poder completar a minha renda. Ap\u00f3s meu primeiro emprego em Mato Grosso do Sul, fui para Santa Catarina, depois para o Paran\u00e1, at\u00e9 me convidarem para vir para o Mato Grosso para participar do grande projeto de instala\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de fios t\u00easteis\u00a0que gerencio hoje.<\/p>\n<p><strong>3)\u00a0\u00a0Que tipos de trabalho podem ser desenvolvidos por um engenheiro t\u00eaxtil?<\/strong><\/p>\n<p>Um engenheiro t\u00eaxtil pode atuar em diversas \u00e1reas: desde a fibra at\u00e9 a confec\u00e7\u00e3o da roupa. Os segmentos que pode atuar s\u00e3o imensos, sendo: Algodoeira, Fia\u00e7\u00e3o, Malharia, Tecelagem, Tinturaria, Acabamento, Talharia, Confec\u00e7\u00e3o, Bordado, Estamparia de Tecido, Desenvolvimento de Produto T\u00eaxtil, PCP. Dentro desses segmentos, h\u00e1 processos diferentes, dependendo do tipo de fibra a ser utilizada, como fibra natural, sint\u00e9tica ou artificial. Al\u00e9m disto, este engenheiro\u00a0 pode atuar no setor industrial e comercial, em qualquer segmento t\u00eaxtil, seja na ind\u00fastria t\u00eaxtil ou at\u00e9 na fabrica\u00e7\u00e3o de m\u00e1quina t\u00eaxtil.<\/p>\n<p><strong>4)\u00a0Atualmente que atividades desenvolve e onde?<\/strong><\/p>\n<p>Hoje atuo como gerente de uma Industria de fio Open End (Fia\u00e7\u00e3o Open End), que produz mensalmente 1.100 tonelada de fio t\u00eaxtil 100% Algod\u00e3o, na cidade de Campo Verde. MT.<\/p>\n<p><strong>5)\u00a0\u00a0Este ano Mato Grosso bater\u00e1 o recorde na produ\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o, sendo o maior produtor de pluma, respons\u00e1vel por dois ter\u00e7os do algod\u00e3o colhido no pais. Contudo, nosso Estado ainda \u00e9 incipiente na parte da ind\u00fastria t\u00eaxtil. Como o sr. v\u00ea isso hoje e quais as expectativas futuras para esta ind\u00fastria aqui?<\/strong><\/p>\n<p>Hoje nosso Estado \u00e9 forte na agricultura, em outros estados como Minas Gerais, S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1, Santa Catarina h\u00e1 muita ind\u00fastria t\u00eaxtil, coisa que quase n\u00e3o possu\u00edmos. Por\u00e9m, alguns empres\u00e1rios destes outros estados que citei j\u00e1 est\u00e3o observando o nosso, para instalar ind\u00fastrias e j\u00e1 existem alguns empres\u00e1rios se instalando aqui. N\u00f3s temos a mat\u00e9ria prima em abund\u00e2ncia, o que ajuda muito na quest\u00e3o log\u00edstica e minimiza dinheiro parado em estocagem de algod\u00e3o, pois quem est\u00e1 se instalado aqui n\u00e3o precisa estocar muito algod\u00e3o. Enquanto n\u00f3s, no Mato Grosso, temos algod\u00e3o estocado por 10 dias, outra fia\u00e7\u00e3o do Sul mant\u00e9m estocado de 60 a 90 dias, \u00e9 \u201cmuito dinheiro parado\u201d. Contudo, n\u00f3s temos um problema que os outros estados n\u00e3o t\u00eam na mesma propor\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a energia el\u00e9trica. A energia no Estado n\u00e3o \u00e9 est\u00e1vel, varia muito, o que faz cair a produ\u00e7\u00e3o e provoca a queima de componentes el\u00e9tricos e eletr\u00f4nicos das m\u00e1quinas, um preju\u00edzo enorme para uma ind\u00fastria. \u00c9 o que muito empres\u00e1rio questiona na hora de instalar ind\u00fastrias aqui. Mas acredito que com uma for\u00e7a pol\u00edtica grande, com incentivos, futuramente Mato Grosso poder\u00e1 ser um polo t\u00eaxtil no pa\u00eds, pois agregamos valor no algod\u00e3o, ao inv\u00e9s de vende-lo em fardo, podemos vender algod\u00e3o transformado em fio \u00a0ou roupa pronta.<strong>.<\/strong><\/p>\n<p><strong>6)\u00a0Quais s\u00e3o os maiores desafios que este setor enfrenta hoje para poder expandir-se?<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o v\u00e1rios, mas o maior problema s\u00e3o as taxas de impostos;\u00a0 tamb\u00e9m a importa\u00e7\u00e3o de roupa pronta da China; o c\u00e2mbio do d\u00f3lar e do euro, pois muitas\u00a0maquinas e pe\u00e7as do setor vem do exterior, al\u00e9m da energia cara e de m\u00e1 qualidade.<\/p>\n<p><strong>7)\u00a0Para os rec\u00e9m-formados na \u00e1rea, que conselhos o sr. deixaria?<\/strong><\/p>\n<p>Muita perseveran\u00e7a, se especializar na \u00e1rea que escolher dentro do ramo t\u00eaxtil, porque o crescimento \u00e9 gradativo. E procurar registrar-se no CREA para que a categoria se fortale\u00e7a, assim como o Conselho.<\/p>\n<p><strong>8)\u00a0Hoje o CREA-MT n\u00e3o tem nenhum representante da \u00e1rea t\u00eaxtil ocupando uma de suas cadeiras, situa\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m reflete a inexist\u00eancia de uma entidade de classe que represente esta modalidade da engenharia. Como o sr. v\u00ea isto?<\/strong><\/p>\n<p>Acho p\u00e9ssimo. Esse \u00e9 o maior problema do engenheiro t\u00eaxtil, estar migrando da \u00e1rea ap\u00f3s sua forma\u00e7\u00e3o. Por exemplo, na constru\u00e7\u00e3o de um pr\u00e9dio de uma ind\u00fastria t\u00eaxtil \u00e9 obrigat\u00f3rio ter um engenheiro Civil, mas para funcionar essa mesma\u00a0ind\u00fastria t\u00eaxtil, em alguns lugares n\u00e3o se exige um Engenheiro T\u00eaxtil. Se cobra da empresa em constru\u00e7\u00e3o o engenheiro civil, mas n\u00e3o cobram um respons\u00e1vel t\u00e9cnico da \u00e1rea t\u00eaxtil, quando a mesma est\u00e1 funcionando. Anualmente, no Brasil, formam aproximadamente 70 alunos de engenharia t\u00eaxtil, mas muitas ind\u00fastrias n\u00e3o possuem nenhum engenheiro t\u00eaxtil. Precisamos urgentemente ter n\u00e3o s\u00f3 um, mas sim, v\u00e1rios representantes da engenharia t\u00eaxtil, nos CREA\u00b4s de todos os estados.<\/p>\n<p><strong>9)\u00a0De que forma o CREA pode contribuir mais com os profissionais que atuam na sua \u00e1rea?<\/strong><\/p>\n<p>Fiscalizando mais as ind\u00fastrias t\u00eaxtis no Brasil, iniciando nos polos t\u00eaxtis de Santa Catarina, S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1, estados do Nordeste, Minas Gerais, Goi\u00e1s, exigindo que as mesmas possuam um engenheiro t\u00eaxtil como respons\u00e1vel t\u00e9cnico, vinculado ao CREA. Assim como \u00e9 feito com as categorias de Civil, de Seguran\u00e7a, Agronomia, etc.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O engenheiro t\u00eaxtil Ant\u00f4nio Marcos do Nascimento, de 42 anos, nasceu em Apucarana, no Paran\u00e1 e com 04 anos mudou-se para Ivaipor\u00e3 (PR) onde se criou e permaneceu at\u00e9 os 18 anos, quando foi estudar Engenharia T\u00eaxtil. 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