{"id":12852,"date":"2017-08-21T09:04:49","date_gmt":"2017-08-21T13:04:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/?p=12852"},"modified":"2017-08-21T09:09:21","modified_gmt":"2017-08-21T13:09:21","slug":"o-engenheiro-florestal-fabio-ludke-de-aripuana-fala-sobre-suas-percepcoes-na-profissao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/o-engenheiro-florestal-fabio-ludke-de-aripuana-fala-sobre-suas-percepcoes-na-profissao\/","title":{"rendered":"O engenheiro Florestal F\u00e1bio L\u00fcdke, de Aripuan\u00e3, fala sobre suas percep\u00e7\u00f5es na profiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-12853\" src=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/engenheiro-florestal-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/>O engenheiro florestal F\u00e1bio Jean L\u00fcdke, de 38 anos, \u00e9 natural de Missal (PR) e veio para o Mato Grosso aos 6 anos de idade, com seus pais, que viram no Estado novas oportunidades de crescimento. Aos 19 anos come\u00e7ou a faculdade de engenharia florestal na Universidade Federal de Mato Grosso \u2013 UFMT e, desde o in\u00edcio do curso, se interessou pela \u00e1rea de manejo florestal atra\u00eddo pela grandiosidade da Floresta Tropical Amaz\u00f4nica. Atualmente F\u00e1bio possui um escrit\u00f3rio onde trabalha com manejo florestal sustent\u00e1vel; atua na \u00e1rea de licenciamento ambiental de ind\u00fastrias de base florestal, bem como licenciamento ambiental de propriedades rurais. Quando est\u00e1 fora do trabalho, gosta de estar com sua fam\u00edlia e amigos e, com 13 anos de formado, L\u00fcdke nos conta um pouco sobre seu cotidiano e percep\u00e7\u00f5es sobre a profiss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>1)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><strong>Por que motivo optou pela \u00e1rea de engenharia florestal?<\/strong><\/p>\n<p>As atividades relacionadas \u00e0 floresta s\u00e3o uma tradi\u00e7\u00e3o em minha fam\u00edlia. Meus av\u00f4s, de ambos os lados, trabalharam com extra\u00e7\u00e3o florestal e industrializa\u00e7\u00e3o de madeira. Meu pai tinha uma serraria no Paran\u00e1 e continuou trabalhando nessa \u00e1rea no norte de Mato Grosso at\u00e9 o ano de 1994, quando, ao buscar qualidade de vida morando em Chapada, abriu uma marcenaria que funciona at\u00e9 hoje. Al\u00e9m disso, tenho tio e irm\u00e3o engenheiros florestais que me motivaram e inspiraram a seguir essa profiss\u00e3o. Assim, desde muito pequeno fui fascinado pelo meio florestal e absorvi todas essas influ\u00eancias. Nunca me imaginei fazendo outra coisa.<\/p>\n<p><strong>2)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><strong>A partir da formatura, como foram suas primeiras experi\u00eancias no mercado de trabalho?<\/strong><\/p>\n<p>Em 2004, quando me formei, fui um dos poucos que j\u00e1 saiu da faculdade empregado, pois queria muito trabalhar, independente do lugar que fosse. Meu primeiro emprego foi em um escrit\u00f3rio de engenharia florestal em Machadinho D\u00b4Oeste, em Rond\u00f4nia, atuando na \u00e1rea de manejo florestal. Peguei minha mudan\u00e7a, coloquei em um Uno Mille e fui. Foi uma experi\u00eancia incr\u00edvel, sofri no come\u00e7o pela dist\u00e2ncia da fam\u00edlia, mas aprendi muito. Depois passei em um processo seletivo do SENAI para atuar na \u00e1rea de manejo florestal. Foi quando atuei como coordenador do Projeto Jamanchim (parceria entre o SENAI\/Promanejo\/IBAMA), disseminando t\u00e9cnicas e boas pr\u00e1ticas de explora\u00e7\u00e3o de impacto reduzido da floresta. Foi uma grande oportunidade de aprendizado que me proporcionou conhecer quase todos os Estados da Amaz\u00f4nia Legal. Depois disto, fui convidado por um amigo da faculdade para trabalharmos juntos em Aripuan\u00e3 &#8211; um munic\u00edpio que sempre apresentou um potencial enorme para o desenvolvimento da atividade florestal, onde finquei ra\u00edzes.<\/p>\n<p>3)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<strong>Como tem sido trabalhar com manejo florestal sustent\u00e1vel? Como v\u00ea a atividade hoje em Mato Grosso, houve avan\u00e7o tecnol\u00f3gico?<\/strong><\/p>\n<p>Gosto da minha profiss\u00e3o e me sinto privilegiado por trabalhar todos os dias na \u00e1rea que escolhi e sempre gostei. Como em toda profiss\u00e3o \u00e9 preciso dedica\u00e7\u00e3o e persist\u00eancia para alcan\u00e7ar seus objetivos. Assim como em outros ramos da economia, a engenharia florestal, mais especificamente o manejo florestal, tamb\u00e9m passou por momentos de grande crescimento e expans\u00e3o. Por\u00e9m, em meados de 2015, com a crise que se alastrou no Brasil, o setor de base florestal tamb\u00e9m sofreu, diminuindo significativamente sua produ\u00e7\u00e3o impactando diretamente o setor produtivo de madeira nativa. Entretanto, a \u00e1rea de manejo florestal, a passos lentos, come\u00e7a a demonstrar sinais de retomada de crescimento. Com certeza houve avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos na \u00e1rea de manejo florestal. Na minha \u00e9poca de faculdade aprend\u00edamos interpreta\u00e7\u00e3o de imagens atrav\u00e9s da fotogrametria e hoje, temos informa\u00e7\u00f5es cada vez mais atuais e fidedignas com o uso do georreferenciamento e imagens de v\u00e1rios sat\u00e9lites atualizadas frequentemente. Atualmente existem ferramentas que proporcionam agilidade e precis\u00e3o no processamento de dados, como por exemplo, o programa ArcGIS para a elabora\u00e7\u00e3o de imagens de sat\u00e9lite e planejamento florestal.<\/p>\n<p><strong>4)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><strong>Quais s\u00e3o os maiores desafios desta atua\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Como t\u00e9cnico posso afirmar que houve alguns avan\u00e7os referentes \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o e implanta\u00e7\u00e3o de sistemas digitais, que diminu\u00edram o tempo de an\u00e1lise dos processos no \u00f3rg\u00e3o ambiental, entretanto, a burocracia ainda afeta muito o setor. Outro fator \u00e9 a dificuldade no fluxo de informa\u00e7\u00f5es e di\u00e1logo entre as diferentes institui\u00e7\u00f5es de licenciamento e de fiscaliza\u00e7\u00e3o ambientais, al\u00e9m da falta de intera\u00e7\u00e3o deles conosco. Precisamos quebrar essas barreiras.<\/p>\n<p><strong>5)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><strong>Estamos num Estado de grandes dimens\u00f5es e com muita floresta. Como voc\u00ea v\u00ea a situa\u00e7\u00e3o de Mato Grosso, sempre entre o primeiro ou segundo colocado, junto ao Par\u00e1, como maior desmatador do pa\u00eds? Isso atrapalha de alguma forma a sua atua\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Essa pergunta \u00e9 interessante, pois s\u00e3o muitos os fatores que contribuem para que isso aconte\u00e7a e, com certeza, atrapalham a atua\u00e7\u00e3o do engenheiro florestal. Vou tentar elencar alguns pontos: primeiro, como j\u00e1 dito, a cultura da burocracia no Brasil e a altas taxas cobradas pelo Governo pelos servi\u00e7os ambientais, em especial para fazer a explora\u00e7\u00e3o (corte raso\/ derrubada) de forma legal, o que inviabiliza tal pr\u00e1tica para pequenos e m\u00e9dios propriet\u00e1rios rurais com pouco poder aquisitivo, o que leva alguns \u00e0 pr\u00e1tica de desmate ilegal. Por outro lado, a maior parcela dessas estat\u00edsticas sobre desmatamento adv\u00e9m de \u00e1reas privadas ou p\u00fablicas, invadidas por terceiros de forma ilegal. Mais uma vez a burocracia para a regulariza\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria no Estado, bem como a burocracia jur\u00eddica para a retirada de invasores, o que contribuem significativamente para o aumento dessas estat\u00edsticas. Outro fator significativo \u00e9 o desaparelhamento dos \u00f3rg\u00e3os ambientais com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o. O efetivo \u00e9 muito pequeno para um Estado t\u00e3o grande, por isso, na maioria das vezes, a fiscaliza\u00e7\u00e3o acontece por que j\u00e1 foi detectado o dano ambiental, quer seja pelo servi\u00e7o de monitoramento atrav\u00e9s de imagens ou por den\u00fancias. Por\u00e9m, o poder de a\u00e7\u00e3o \u00e9 muito lento e quando a equipe de fiscaliza\u00e7\u00e3o chega a campo, o dano j\u00e1 \u00e9 bem maior, isto quando conseguem chegar. Considero que se houvesse mais fiscaliza\u00e7\u00e3o efetiva a campo, buscando agir antes do conhecimento do dano por parte dos \u00f3rg\u00e3os ambientais, ajudaria bastante a inibir tais pr\u00e1ticas. Quando falo em fiscaliza\u00e7\u00e3o efetiva, quero dizer regular, orientando as pessoas como proceder de forma correta para se regularizarem. Tudo isso, com certeza, diminuiriam significativamente os danos ambientais e abriria um leque de servi\u00e7os ligados \u00e0 engenharia, n\u00e3o somente ao manejo florestal.<\/p>\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel que tivemos avan\u00e7os no setor de licenciamento de propriedades rurais, contudo continuamos \u201cengessados\u201d, ainda h\u00e1 muito a se fazer. \u00c9 preciso simplificar procedimentos, diminuir taxas e impostos, criar mecanismos p\u00fablicos para fomentar a cadeia produtiva da madeira e do agroneg\u00f3cio, tornando e mostrando que \u00e9 vi\u00e1vel a produ\u00e7\u00e3o legal para o setor produtivo. Isso aumentaria a\u00a0competitividade\u00a0dos produtos de Mato Grosso, aumentando a produ\u00e7\u00e3o e, consequentemente, a arrecada\u00e7\u00e3o do Estado, fomentando toda a cadeia. Precisamos quebrar paradigmas e desburocratizar o setor produtivo, isso certamente refletiria positivamente na nossa \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>6)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><strong>Voc\u00ea como engenheiro registrado e habilitado, como percebe a import\u00e2ncia de participar de uma entidade de classe?<\/strong><\/p>\n<p>Em 2005 ingressei na Associa\u00e7\u00e3o Mato-Grossense de Engenheiros Florestais (AMEF) e desde ent\u00e3o, vejo a luta da entidade junto aos \u00f3rg\u00e3os ambientais, ao CREA-MT e outras autarquias do Estado. Hoje possu\u00edmos cadeira na C\u00e2mara T\u00e9cnica Florestal do Estado de Mato Grosso e no Conselho de Meio Ambiente do Estado, ajudando e debatendo leis e procedimentos t\u00e9cnicos, sempre buscando e cobrando melhorias para os engenheiros florestais e n\u00e3o somente para os seus associados, mas para todos os engenheiros florestais e o setor produtivo de base florestal. Devido ao grande espa\u00e7o que conquistou no Estado, a AMEF \u00e9 uma das entidades de classe ligadas a engenharia florestal mais atuantes do Brasil e, juntamente com outras Associa\u00e7\u00f5es de engenheiros florestais da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, procura dirimir esses entraves burocr\u00e1ticos e enfrentar os desafios inerentes a profiss\u00e3o e ao avan\u00e7o das atividades de base florestal.<\/p>\n<p><strong>7)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><strong>A partir de sua experi\u00eancia, que conselhos voc\u00ea daria aos profissionais que est\u00e3o entrando no mercado de trabalho atualmente?<\/strong><\/p>\n<p>A engenharia florestal tem um campo muito vasto de atua\u00e7\u00e3o, indo da produ\u00e7\u00e3o de mudas, reflorestamento, plantio e recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas\u00a0degradadas, licenciamento de propriedades rurais, manejo de florestas nativas e plantadas, explora\u00e7\u00e3o e transporte florestal, chegando at\u00e9 a tecnologia e industrializa\u00e7\u00e3o da madeira. Assim, o rec\u00e9m-formado n\u00e3o pode ter medo de abra\u00e7ar oportunidades desde o primeiro emprego. Cada oportunidade de trabalho tem que ser vista como forma de adquirir experi\u00eancia pr\u00e1tica: quanto mais, melhor. Mas n\u00e3o podem se esquecer de sua responsabilidade profissional e com o meio ambiente. \u00c9 importante gostar de estar em contato com o meio ambiente e ter disponibilidade para trabalhar no interior.<\/p>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O engenheiro florestal F\u00e1bio Jean L\u00fcdke, de 38 anos, \u00e9 natural de Missal (PR) e veio para o Mato Grosso aos 6 anos de idade, com seus pais, que viram no Estado novas oportunidades de crescimento. 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