{"id":10096,"date":"2012-08-21T15:12:57","date_gmt":"2012-08-21T18:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/pragas-2\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:57","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:57","slug":"pragas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/pragas-2\/","title":{"rendered":"PRAGAS"},"content":{"rendered":"<p>Existem algumas \u0093pragas\u0094 no exerc\u00edcio profissional da engenharia e da Arquitetura. Elas s\u00e3o decorr\u00eancia natural do \u0093discurso da crise\u0094 e da \u0093apologia do apocalipse\u0094.   Uma dessas \u0093pragas\u0094 \u00e9 a BAIXA AUTO-ESTIMA dos profissionais (cujas ra\u00edzes v\u00eam das salas de aula das universidades \u0096 mas isso j\u00e1 \u00e9 outro assunto, ali\u00e1s, amplamente discutido no artigo &#8220;Por que \u00e9 que a gente \u00e9 assim, publicado em 2002).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 raro encontrar o profissional que executa, efetivamente o seu trabalho, mas n\u00e3o consegue cobrar pelo servi\u00e7o o pre\u00e7o justo (e p\u00f5e as culpas na crise!).  \u00c9 a submiss\u00e3o aos caprichos (muitas vezes absurdos) dos clientes (uma das conseq\u00fc\u00eancias diretas da baixa auto-estima dos profissionais).<\/p>\n<p>Muitos clientes, por exemplo, querem aproveitar as brechas da lei para fazer obras que s\u00e3o legais por\u00e9m imorais. Esses clientes precisam ser descartados, para o bem (a sustentabilidade) da cidade e da profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso vai custar a perda de um bom neg\u00f3cio, eu sei.  Esse \u00e9 o pre\u00e7o que se paga para construir uma profiss\u00e3o sustent\u00e1vel com dignidade.<\/p>\n<p>Outra praga terr\u00edvel, que arrasa nosso ambiente profissional, s\u00e3o as BRIGAS INTERNAS.  \u00c9 Arquiteto brigando com Engenheiro Civil, que briga com Engenheiro Eletricista, que briga com os t\u00e9cnicos, que brigam com os Agr\u00f4nomos&#8230; Enquanto o mundo l\u00e1 fora segue o seu rumo.  Sem n\u00f3s! <\/p>\n<p>Muitas brigas internas entre profissionais do sistema nada mais s\u00e3o do que manifesta\u00e7\u00f5es da nossa baixa auto-estima. \u00c9 a falta de coragem para brigar com agentes externos que s\u00e3o os nossos verdadeiros \u0093inimigos\u0094.<\/p>\n<p>A INCOMPET\u00caNCIA tamb\u00e9m n\u00e3o deixa de ser uma praga consider\u00e1vel.<\/p>\n<p>Existem  profissionais que, apesar de cobrar um pre\u00e7o razo\u00e1vel pelos seus servi\u00e7os, n\u00e3o d\u00e3o aos seus clientes um servi\u00e7o com qualidade m\u00ednima e, com isto acabam por maltratar a imagem de todos os seus colegas.<\/p>\n<p>Esses acreditam no \u0093fim dos tempos\u0094: acreditam que n\u00e3o h\u00e1 vantagem alguma em trabalhar direito, pois todo mundo faz as coisas pela metade e n\u00e3o acontece nada e a impunidade \u00e9 geral e o fim dos tempos est\u00e1 pr\u00f3ximo&#8230; (esse tipo de discurso apocal\u00edptico).  Tentar vencer na vida usando truques, desvios, atalhos&#8230; \u00e9 o caminho escolhido pelos que acreditam que \u0093tudo est\u00e1 perdido!\u0094<\/p>\n<p>Por fim, a m\u00e3e de todas as desgra\u00e7as. A praga \u00e9tica do ACOBERTAMENTO, que grassa de Norte \u00e0 Sul do pa\u00eds.  Esta \u00e9, certamente, a mais importante de todas as pragas das nossas profiss\u00f5es.  Filha da incompet\u00eancia e da leviandade.  Afilhada da toler\u00e2ncia e da omiss\u00e3o dos honestos.  O acobertamento se sustenta, principalmente, na omiss\u00e3o dos profissionais corretos. <\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o me parece recordar a frase dita por Ulisses Guimar\u00e3es no discurso de aprova\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira: \u0093N\u00e3o roubar. N\u00e3o deixar roubar. E por na cadeia quem rouba\u0094. <\/p>\n<p>O esp\u00edrito dessa famosa frase deve ser trazido para o nosso exerc\u00edcio profissional: N\u00e3o acobertar. N\u00e3o deixar que nenhum colega acoberte. Denunciar e punir os que acobertam&#8230;  E quando eu falo em punir os acobertadores n\u00e3o estou falando apenas na puni\u00e7\u00e3o formal, oficial, decorrente de processos nas inst\u00e2ncias profissionais como entidades de classe, CREA ou CONFEA.<\/p>\n<p>Falo da puni\u00e7\u00e3o moral que cada um de n\u00f3s pode aplicar aos acobertadores conhecidos, negando-lhes espa\u00e7o social e oportunidades na pol\u00edtica profissional.   O acobertador que n\u00e3o aceita o caminho da reintegra\u00e7\u00e3o profissional precisa ser banido das nossas rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>Engenheiros, Arquitetos e Agr\u00f4nomos, no exerc\u00edcio de suas profiss\u00f5es precisam estar atentos a isso para n\u00e3o perder de vista suas imensas responsabilidades.  Em \u00faltima an\u00e1lise, somos respons\u00e1veis n\u00e3o apenas pelas obras que fazemos mas tamb\u00e9m pelas obras que n\u00e3o fazemos (e permitimos, por omiss\u00e3o, que sejam feitas por quem n\u00e3o sabe fazer direito)<\/p>\n<p>Deus nos deu alguns talentos e habilidades.  A sociedade nos deu a oportunidade de desenvolv\u00ea-los.  Todo Engenheiro, Arquiteto ou Agr\u00f4nomo tem um compromisso com o mundo. \u00c9 \u00e0 sociedade, em \u00faltima an\u00e1lise, a quem devemos essa retribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lembremos sempre das palavras que dissemos no primeiro minuto de nossas carreiras de engenheiro, de arquiteto ou de agr\u00f4nomo, no nosso juramento: &#8220;Prometo que, no cumprimento do meu dever de Engenheiro, n\u00e3o me deixarei cegar pelo brilho excessivo da tecnologia, de forma a n\u00e3o me esquecer de que trabalho para o bem do Homem e n\u00e3o da m\u00e1quina.   Respeitarei a natureza, evitando projetar ou construir equipamentos que destruam o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico ou poluam, al\u00e9m de colocar todo o meu conhecimento cient\u00edfico a servi\u00e7o do conforto e desenvolvimento da humanidade.   Assim sendo, estarei em paz Comigo e com Deus.&#8221;<\/p>\n<p>S\u00f3 isso! <\/p>\n<p><b>\u00canio Padilha &#8211; <\/b>engenheiro eletricista pela UFSC &#8211; p\u00f3s-graduado em Marketing Empresarial pela (UNERJ \u0096 1997)<b>http:\/\/www.eniopadilha.com.br\/<\/B><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existem algumas \u0093pragas\u0094 no exerc\u00edcio profissional da engenharia e da Arquitetura. Elas s\u00e3o decorr\u00eancia natural do \u0093discurso da crise\u0094 e da \u0093apologia do apocalipse\u0094. 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