{"id":10093,"date":"2012-08-21T15:12:57","date_gmt":"2012-08-21T18:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/nao-basta-ser-flex-2\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:57","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:57","slug":"nao-basta-ser-flex-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/nao-basta-ser-flex-2\/","title":{"rendered":"N\u00e3o basta ser flex"},"content":{"rendered":"<p>O formid\u00e1vel avan\u00e7o tecnol\u00f3gico que tornou a ind\u00fastria automobil\u00edstica nacional uma das mais competitivas e lucrativas do mundo n\u00e3o desobriga as montadoras dos ajustes necess\u00e1rios para enfrentar as crescentes amea\u00e7as impostas pelo aquecimento global. Estabelecer metas mais agressivas para aumentar a efici\u00eancia dos motores e reduzir as emiss\u00f5es de gases estufa na atmosfera deveriam ser quest\u00f5es n\u00e3o-vinculadas apenas \u00e0s demandas do livre mercado, mas a objetivos estrat\u00e9gicos que fossem objeto de alguma regula\u00e7\u00e3o do Estado. <\/p>\n<p>A mistura do \u00e1lcool \u00e0 gasolina, a expans\u00e3o da frota de ve\u00edculos movidos a g\u00e1s e o boom dos motores flex contribuem para isso, mas n\u00e3o livram os ve\u00edculos automotores do estigma de ainda serem os principais vil\u00f5es do aquecimento global nos grandes centros urbanos \u0097 como S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro \u0097 bem como da polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, com impactos importantes sobre a sa\u00fade e a qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>\u0093\u00c9 poss\u00edvel reduzir a amea\u00e7a do aquecimento global e se beneficiar economicamente disso\u0094, declarou recentemente o secret\u00e1rio de Meio Ambiente da Calif\u00f3rnia, Alan Lloyd, com a autoridade de quem introduziu uma regulamenta\u00e7\u00e3o sem precedentes para o setor automotivo num Estado onde circulam 23 milh\u00f5es de ve\u00edculos (11% de todo o CO2 emitido pelos ve\u00edculos nos Estados Unidos t\u00eam origem na Calif\u00f3rnia). Pelas novas regras, os ve\u00edculos dever\u00e3o emitir gradativamente menos gases estufa a partir do ano de 2009, devendo alcan\u00e7ar at\u00e9 2016 uma redu\u00e7\u00e3o de 30%. <\/p>\n<p>No Brasil, a legisla\u00e7\u00e3o que define as regras do Programa de Controle de Emiss\u00f5es Veiculares estabelece metas e prazos para que as montadoras reduzam as emiss\u00f5es de alguns gases poluentes, mas o texto da Resolu\u00e7\u00e3o Conama n 315 de 2002 n\u00e3o estabelece qualquer compromisso dos fabricantes em reduzir as emiss\u00f5es dos gases que agravam o aquecimento global, em particular de CO2 (di\u00f3xido de carbono), apontado pelos cientistas como o principal g\u00e1s estufa. Em resumo, a situa\u00e7\u00e3o poderia ser descrita da seguinte maneira: sabemos como fazer, mas n\u00e3o somos obrigados a fazer. <\/p>\n<p>A supera\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica implica custos extras para os fabricantes que o consumidor saber\u00e1 recompensar, seja pelo diferencial em termos de rendimento e efici\u00eancia \u0097 num mercado extremamente competitivo isso conta pontos preciosos em favor do produto \u0097 seja pelo desejo de contribuir para o n\u00e3o-agravamento do maior problema ambiental do s\u00e9culo XXI, assunto que mobiliza cada vez mais fortemente governos, empresas e sociedade civil. Ali\u00e1s, em vez de usar a publicidade para fomentar o desejo de possuir um b\u00f3lido cada vez mais veloz \u0097 em cidades cada vez mais engarrafadas, o que poderia ser entendido como propaganda enganosa \u0097 a ind\u00fastria automobil\u00edstica poderia assegurar novos ganhos (financeiros e de imagem) investindo no conceito de \u0093mais eficiente\u0094. <\/p>\n<p>Depois de um \u00f3timo ano de 2005, em que foram vendidos 1,715 milh\u00e3o de ve\u00edculos \u0097 o m\u00eas de dezembro foi o melhor da hist\u00f3ria \u0097 com previs\u00e3o de um aumento de 7,1% das vendas para este ano, as montadoras brasileiras n\u00e3o t\u00eam mais motivos para reclamar redu\u00e7\u00e3o de impostos (quantas vezes o setor se beneficiou isoladamente da redu\u00e7\u00e3o do IPI?) e poderia aproveitar o c\u00e9u de brigadeiro para al\u00e7ar v\u00f4o na dire\u00e7\u00e3o do que em breve dever\u00e1 ser entendido como regra nos principais mercados mundiais. <\/p>\n<p>N\u00e3o basta disponibilizar o flex \u0097 que j\u00e1 responde por mais de 70% das vendas de ve\u00edculos no pa\u00eds \u0097 e transferir para o consumidor a escolha do combust\u00edvel que julgue mais apropriado de acordo com as conveni\u00eancias: o bolso, o meio ambiente, ou circunstancialmente os dois. \u00c9 preciso fazer melhor e mais r\u00e1pido. A defini\u00e7\u00e3o de prazos para que as montadoras acelerem o ritmo das inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas em favor da redu\u00e7\u00e3o dos gases estufa \u00e9 algo poss\u00edvel, necess\u00e1rio e urgente. <\/p>\n<p><b>Andr\u00e9 Trigueiro<\/b> &#8211;  Jornalista, p\u00f3s graduado em Gest\u00e3o Ambiental, autor do livro Mundo Sustent\u00e1vel, consultor e articulista do site www.ecopop.com.br<br \/>\n<b>Fonte:<\/b> www.ecoterrabrasil.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O formid\u00e1vel avan\u00e7o tecnol\u00f3gico que tornou a ind\u00fastria automobil\u00edstica nacional uma das mais competitivas e lucrativas do mundo n\u00e3o desobriga as montadoras dos ajustes necess\u00e1rios para enfrentar as crescentes amea\u00e7as impostas pelo aquecimento global. 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