{"id":10078,"date":"2012-08-21T15:12:57","date_gmt":"2012-08-21T18:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/quem-sao-os-culpados-4\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:57","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:57","slug":"quem-sao-os-culpados-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/quem-sao-os-culpados-4\/","title":{"rendered":"Quem s\u00e3o os culpados?"},"content":{"rendered":"<p>\nEngenheiro civil e presidente do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON) escreve sobre o colapso da Esta\u00e7\u00e3o Pinheiros do Metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo.<br \/>\n Os paulistanos, os paulistas, enfim, quase todos os brasileiros est\u00e3o perplexos, desapontados e assustados com o acidente de grandes propor\u00e7\u00f5es havido no dia 12 de janeiro com o colapso da Esta\u00e7\u00e3o Pinheiros do Metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo, durante a constru\u00e7\u00e3o da Linha 4, Amarela.<\/p>\n<p>N\u00e3o poderia ser diferente: quando a engenharia falha, as conseq\u00fc\u00eancias podem ser grav\u00edssimas. Uma ponte, um edif\u00edcio, um viaduto, uma estrada, uma barragem, uma galeria de \u00e1guas pluviais ou de esgotos, uma obra de Metr\u00f4, e at\u00e9 uma simples casa, devem ser cuidadosamente projetadas, constru\u00eddas com materiais resistentes e dur\u00e1veis, operadas corretamente e submetidas a manuten\u00e7\u00e3o preventiva e corretiva ao longo de sua vida \u00fatil, assegurando prote\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, conforto, sa\u00fade, economia, rapidez, salubridade aos seus usu\u00e1rios. O patrim\u00f4nio constru\u00eddo \u00e9 um dos maiores bens de uma na\u00e7\u00e3o e est\u00e1 diretamente ligado ao seu desenvolvimento social, industrial e de bem estar.<\/p>\n<p>Como essa engenharia, uma nobre atividade t\u00e9cnica e de tamanha import\u00e2ncia e tradi\u00e7\u00e3o, foi permitir que as obras da Esta\u00e7\u00e3o Pinheiros do Metr\u00f4 chegassem ao colapso? Quem s\u00e3o os culpados, qual a origem do problema e as causas atuantes?<\/p>\n<p>Para identificar os culpados, ser\u00e1 necess\u00e1rio cumprir as seguintes grandes etapas:<\/p>\n<p>1. Formular uma ou mais hip\u00f3teses, adequadas e consistentes, sobre o mecanismo do acidente. Aqui cabe ouvir todos (profissionais e leigos) e deixar a mente fluir &#8220;tempestade cerebral&#8221;, juntando um pouquinho de cada um at\u00e9 a formula\u00e7\u00e3o de uma hip\u00f3tese bem vi\u00e1vel e consistente. O ideal nesta fase \u00e9 contar com um grupo t\u00e9cnico-cient\u00edfico multidisciplinar coordenado por um engenheiro de opini\u00f5es flex\u00edveis. V\u00e1rios especialistas de diferentes entidades de elevada credibilidade deveriam fazer parte deste processo e certamente o far\u00e3o;<\/p>\n<p>2. Com base nessa(s) hip\u00f3tese(s), reunir e analisar toda a documenta\u00e7\u00e3o existente na busca de &#8220;demonstra\u00e7\u00f5es&#8221; ou &#8220;provas&#8221; da(s) hip\u00f3tese(s) formulada(s). Em paralelo e tamb\u00e9m com base nessa(s) hip\u00f3tese(s), sair a campo com muita ast\u00facia, cuidado e aten\u00e7\u00e3o na busca de &#8220;ind\u00edcios evidentes&#8221; e &#8220;provas experimentais e f\u00edsicas&#8221; que permitam comprovar ou negar a(s) hip\u00f3tese(s) anteriormente formuladas. Esta etapa requer pessoal experimentado em per\u00edcias, vistorias, inspe\u00e7\u00f5es, ensaios, an\u00e1lises, de forma a reduzir o risco de perda, destrui\u00e7\u00e3o involunt\u00e1ria ou mascaramento de &#8220;provas&#8221;. Requer tamb\u00e9m muita \u00e9tica, honestidade, compet\u00eancia, forma\u00e7\u00e3o. De qualquer maneira, o ideal \u00e9 que todo este processo de investiga\u00e7\u00e3o, inspe\u00e7\u00e3o e an\u00e1lises seja sempre muito transparente, com a participa\u00e7\u00e3o de representantes de v\u00e1rias entidades;<\/p>\n<p>3. Formular um diagn\u00f3stico final, consubstanciado e consistente do ocorrido, em que fique claro e transparente, no m\u00ednimo, os aspectos relacionados ao mecanismo do colapso, aos agentes causadores do acidente e \u00e0s origens do problema. Um diagn\u00f3stico correto deve esclarecer qual o mecanismo consistente, efetivo e real de ruptura ocorrido, ou seja, como se deu o colapso. <\/p>\n<p>Na seq\u00fc\u00eancia deve enumerar os agentes causadores do colapso, distinguindo os agentes diretos (espessura insuficiente de rocha sobre o arco do t\u00fanel, resist\u00eancia inadequada dessa rocha, dinamite em quantidade excessiva ou dinamite em local inadequado, aus\u00eancia de dados de monitoramento ou monitoramento inadequado, etc.) daqueles agentes aceleradores ou agravantes (chuva, vibra\u00e7\u00f5es decorrentes do tr\u00e1fego na Marginal do Rio Pinheiros, interfer\u00eancia nefasta das funda\u00e7\u00f5es da grua nas paredes do po\u00e7o\/shaft, etc). <\/p>\n<p>O terceiro aspecto do diagn\u00f3stico deve considerar o processo complexo de uma constru\u00e7\u00e3o dessa natureza e identificar em que fase do processo o problema teve origem: se no ante-projeto (do Metr\u00f4, no caso); se na licita\u00e7\u00e3o e quantitativos estimados; se num projeto estrutural e geot\u00e9cnico inadequado; se numa constru\u00e7\u00e3o apressada e temer\u00e1ria; se num insuficiente ou incorreto monitoramento de recalques e alinhamento; se num controle de qualidade deficiente; ou se num gerenciamento de projetos e execu\u00e7\u00e3o pouco \u00e1gil. <\/p>\n<p>Assim, poder-se-\u00e1 precisar em qual dessas fases do processo houve o in\u00edcio do problema.<\/p>\n<p>No ponto de vista de v\u00e1rios especialistas, o papel direto da Engenharia termina com esse diagn\u00f3stico t\u00e9cnico no qual n\u00e3o s\u00e3o indicados culpados. Um bom diagn\u00f3stico t\u00e9cnico descreve o mecanismo, os agentes causadores, indica a origem do problema, a fase em que o problema principal ocorreu, mas n\u00e3o d\u00e1 nomes aos culpados. Identifica a fase do processo que houve falhas, mas nunca nomes.<\/p>\n<p>Indicar culpados \u00e9 papel e dever da Justi\u00e7a, com base nos laudos, per\u00edcias e relat\u00f3rios t\u00e9cnicos, que n\u00e3o ser\u00e3o, jamais, exclusivos de uma \u00fanica institui\u00e7\u00e3o ou de uma s\u00f3 das partes envolvidas. Dever\u00e3o existir v\u00e1rios laudos\/relat\u00f3rios t\u00e9cnicos, que, estes sim, no seu conjunto, ser\u00e3o analisados e julgados no \u00e2mbito da Justi\u00e7a, e n\u00e3o da Engenharia Civil.<\/p>\n<p>Falha zero \u00e9 imposs\u00edvel e invi\u00e1vel economicamente. Reduzir riscos de falhas e aprendizado permanente \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o da Engenharia. Cabe agora aprender a li\u00e7\u00e3o e daqui pra frente fortalecer as a\u00e7\u00f5es naquela fase do processo que mais falhou. Conhecer o diagn\u00f3stico permitir\u00e1 tamb\u00e9m saber se h\u00e1 hoje uma defici\u00eancia cr\u00f4nica e patol\u00f3gica de forma de contrata\u00e7\u00e3o, de insuficiente forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, de incorreta legisla\u00e7\u00e3o profissional, de aus\u00eancia de normaliza\u00e7\u00e3o e\/ou outras que precisem sofrer uma revis\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Paulo Helene, 57, engenheiro civil, \u00e9 presidente do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON) e professor titular da Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo, onde leciona nas disciplinas de Concreto (materiais) e Patologia e Reabilita\u00e7\u00e3o de Estruturas de Concreto. \u00c9 tamb\u00e9m coordenador internacional da Red Rehabilitar CYTED e membro do fib(CEB-FIP) Model Code for Service Life Design.<\/p>\n<p><B>Autor:<\/B> Paulo Helene<br \/>\n<b>Fonte:<\/B> SuperObra.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Engenheiro civil e presidente do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON) escreve sobre o colapso da Esta\u00e7\u00e3o Pinheiros do Metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo. 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