{"id":10068,"date":"2012-08-21T15:12:57","date_gmt":"2012-08-21T18:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/a-biotecnologia-e-a-agricultura-familiar-2\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:57","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:57","slug":"a-biotecnologia-e-a-agricultura-familiar-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/a-biotecnologia-e-a-agricultura-familiar-2\/","title":{"rendered":"A biotecnologia e a agricultura familiar"},"content":{"rendered":"<p>A introdu\u00e7\u00e3o de tecnologias na agricultura familiar poder\u00e1 ser um instrumento fundamental e decisivo para a cont\u00ednua e mais eficiente participa\u00e7\u00e3o deste importante setor do agroneg\u00f3cio no desenvolvimento social e econ\u00f4mico do Brasil. Entretanto, tecnologias devem ser configuradas como parte de uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento que requerem uma an\u00e1lise ex-ante em rela\u00e7\u00e3o a sua natureza e pujan\u00e7a, associadas a um conjunto de interven\u00e7\u00f5es complementares, que permitam maximizar seus efeitos ben\u00e9ficos e mitigar os custos sociais. <\/p>\n<p>Apesar de pouco conhecido por algumas camadas da popula\u00e7\u00e3o, o setor da agricultura familiar apresenta uma grande diversidade em rela\u00e7\u00e3o ao seu meio ambiente, a sua situa\u00e7\u00e3o e tipos de produtores, \u00e0 aptid\u00e3o \u00e0s terras, \u00e0 disponibilidade de infra-estrutura, ao acesso ao cr\u00e9dito, \u00e0s varia\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, entre outras. <\/p>\n<p>De acordo com o censo agropecu\u00e1rio de 1995\/1996 do IBGE, a agricultura familiar representa 85,2% do total de estabelecimentos, ocupando 30,5% da \u00e1rea total. Apesar de receberem apenas 25,3% do financiamento destinado \u00e0 agricultura, a agricultura familiar tem sido respons\u00e1vel por 37,9% do VBP (Valor Bruto da Produ\u00e7\u00e3o) da agropecu\u00e1ria nacional e a principal fonte geradora de empregos no meio rural.<\/p>\n<p>O acesso \u00e0 tecnologia tem apresentado uma grande varia\u00e7\u00e3o, tanto entre os agricultores familiares como entre os grandes produtores. A utiliza\u00e7\u00e3o da tra\u00e7\u00e3o animal ou mec\u00e2nica ainda \u00e9 muito reduzida em uma grande parcela dos agricultores familiares, onde apenas 16,7% utilizam assist\u00eancia t\u00e9cnica, contra 43,5% entre os grandes produtores. O uso da biotecnologia poder\u00e1 contribuir para a solu\u00e7\u00e3o de diferentes problemas e amplificar, de forma ainda mais significativa, os resultados atingidos pela agricultura familiar, com profundos reflexos na qualidade de vida do agricultor familiar e no agroneg\u00f3cio moderno.<\/p>\n<p>O uso da cultura de tecidos de plantas viabilizar\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o de mudas sadias e livres de doen\u00e7as; as t\u00e9cnicas de reprodu\u00e7\u00e3o na \u00e1rea animal possibilitar\u00e3o o aumento da produtividade; os kits de diagn\u00f3sticos ser\u00e3o utilizados para a identifica\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as; o desenvolvimento de novas vacinas ser\u00e1 um importante componente na sanidade animal; a expans\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o em \u00e1reas que n\u00e3o poderiam ser utilizadas no passado, por meio de culturas tolerantes \u00e0 seca, ao frio e \u00e0 salinidade; o aumento do valor nutricional de diferentes alimentos; as sementes e o leite natural que agrega medicamentos terap\u00eauticos como horm\u00f4nios, anticorpos e outras biomol\u00e9culas de interesse farmac\u00eautico e industrial; a redu\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o a res\u00edduos de defensivos agr\u00edcolas; o aumento do tempo de matura\u00e7\u00e3o de frutos, facilitando sua comercializa\u00e7\u00e3o; a redu\u00e7\u00e3o de perdas de p\u00f3s-colheita; a redu\u00e7\u00e3o de impactos ambientais, gra\u00e7as \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o de defensivos; a indu\u00e7\u00e3o de variabilidade; a biorremedia\u00e7\u00e3o de \u00e1reas alagadas e polu\u00eddas; entre outras. <\/p>\n<p>Para pa\u00edses em desenvolvimento como o Brasil, que querem adotar o desenvolvimento de suas pr\u00f3prias capacidades de inova\u00e7\u00e3o ou adaptar tecnologias \u00e0s condi\u00e7\u00f5es locais, o incremento nos sistemas de pesquisa e desenvolvimento do setor p\u00fablico, focado na produ\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica para a solu\u00e7\u00e3o de demandas, ser\u00e1 um ponto fundamental.<\/p>\n<p> Devido \u00e0 import\u00e2ncia e \u00e0 prioridade estrat\u00e9gica, o desenvolvimento de parcerias para o uso de algumas tecnologias dever\u00e1 ser considerado, com base nos aspectos de propriedade intelectual e biosseguran\u00e7a. Ao longo dos \u00faltimos 25 anos, o Estado tem investido no desenvolvimento da biotecnologia, permitindo o dom\u00ednio de praticamente todas as tecnologias associadas, que poder\u00e3o servir de base para a gera\u00e7\u00e3o de novos produtos e processos. Isto tem sido demonstrado pela Embrapa, por meio da produ\u00e7\u00e3o de plantas de feij\u00e3o, de batata e de mam\u00e3o geneticamente modificados, contendo caracter\u00edsticas como resist\u00eancia a doen\u00e7as, que contribuir\u00e3o para a solu\u00e7\u00e3o de problemas priorit\u00e1rios da agricultura familiar.<\/p>\n<p><b>Elibio Rech<\/b> &#8211; engenheiro agr\u00f4nomo, pesquisador da Embrapa Recursos Gen\u00e9ticos e Biotecnologia e membro do Conselho de Informa\u00e7\u00f5es sobre Biotecnologia.<\/p>\n<p><b>Fonte:<\/b> www.clubedofazendeiro.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A introdu\u00e7\u00e3o de tecnologias na agricultura familiar poder\u00e1 ser um instrumento fundamental e decisivo para a cont\u00ednua e mais eficiente participa\u00e7\u00e3o deste importante setor do agroneg\u00f3cio no desenvolvimento social e econ\u00f4mico do Brasil. 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