{"id":10066,"date":"2012-08-21T15:12:57","date_gmt":"2012-08-21T18:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/dissertando-sobre-o-lixo-3\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:57","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:57","slug":"dissertando-sobre-o-lixo-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/dissertando-sobre-o-lixo-3\/","title":{"rendered":"Dissertando sobre o lixo"},"content":{"rendered":"<p>Mar\u00e7al Rog\u00e9rio  Rizzo (*)<\/p>\n<p>Antes de dissertar sobre o lixo urbano, achei necess\u00e1rio  escrever brevemente sobre as cidades. Na atualidade, \u00e9 quase imposs\u00edvel  imaginarmos o mundo sem discutir a sustentabilidade urbana e pensando nisso logo  surgem perguntas na cabe\u00e7a: Como criar melhores condi\u00e7\u00f5es de vida nas cidades?  Como vivermos em um ambiente saud\u00e1vel nesses aglomerados  urbanos?<\/p>\n<p>A busca por essas respostas \u00e9 complexa, at\u00e9 mesmo em  virtude da popula\u00e7\u00e3o das cidades ter aumentado de forma exagerada. A ocupa\u00e7\u00e3o do  espa\u00e7o urbano tem sido feita desordenadamente e isso tem causado s\u00e9rios  problemas para a sociedade e em especial para o meio ambiente.  <\/p>\n<p>No caso do Brasil, nas \u00faltimas d\u00e9cadas tivemos um  crescimento urbano exagerado. Em 1945, a popula\u00e7\u00e3o que vivia nas  cidades brasileiras correspondia a 25% da popula\u00e7\u00e3o total. J\u00e1 em  2000, a  popula\u00e7\u00e3o urbana passou a representar 82% dos 169 milh\u00f5es de habitantes. O \u00eaxodo  rural foi e continua sendo a principal causa pelo incha\u00e7o  urbano.<\/p>\n<p>O setor p\u00fablico n\u00e3o tem dado conta de atender  prontamente as necessidades dos moradores das cidades. Muitas vezes a aus\u00eancia  do bom senso por parte dos pol\u00edticos e bajuladores vem \u00e0 tona. O meio ambiente  urbano n\u00e3o \u00e9 tratado como merece.<\/p>\n<p>Um dos principais problemas que amea\u00e7a a  sustentabilidade urbana s\u00e3o os res\u00edduos s\u00f3lidos, popularmente conhecidos como  lixo. A palavra lixo \u00e9 derivada do latim e a literatura apresenta duas vers\u00f5es:  a primeira vem da \u0093lixius\u0094 que  significa \u0093\u00e1gua ou objeto sujo\u0094 e a segunda vem do termo \u0093lix\u0094 que significa &#8220;cinza&#8221;.  <\/p>\n<p>Al\u00e9m de gerar uma imagem ruim, um cheiro desagrad\u00e1vel,  trazer in\u00fameras doen\u00e7as e ser um passivo ambiental para as futuras gera\u00e7\u00f5es,  dois aspectos relacionados ao lixo preocupam os estudiosos de plant\u00e3o. O  primeiro deles \u00e9 o aumento acentuado no volume de lixo produzido. O texto \u0093Lixo:  conseq\u00fc\u00eancias, desafios e solu\u00e7\u00f5es\u0094 de autoria de Geila Santos Carvalho afirma  que o volume de lixo produzido no mundo nos \u00faltimos 30 anos foi tr\u00eas vezes maior  que o aumento populacional. Isso vem ocorrendo em virtude da mudan\u00e7a nos padr\u00f5es  de consumo e de produ\u00e7\u00e3o, pois hoje buscam agregar valor em produtos atrav\u00e9s das  embalagens e a parte da sociedade tem atingido altos padr\u00f5es de consumo, que na  maioria das vezes \u00e9 desperdi\u00e7ado. V\u00e1rios produtos tem tido uma vida \u00fatil muito  curta ou \u00e9 descart\u00e1vel e isso obriga a troca por novos produtos.  <\/p>\n<p>Outro ponto que merece destaque nesse artigo \u00e9 que a  maior parte do lixo produzido tem sido disposto de forma inadequada, a c\u00e9u  aberto sobre o solo e h\u00e1 casos que vem contaminando as \u00e1guas dos rios, c\u00f3rregos  e at\u00e9 mesmo o len\u00e7ol fre\u00e1tico. <\/p>\n<p>Diante da apresenta\u00e7\u00e3o do problema qual seria uma  solu\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel em curto prazo j\u00e1 que o planeta Terra tem pressa? <\/p>\n<p>Inicialmente temos que pensar na educa\u00e7\u00e3o. A  sociedade tem que estar educada e sensibilizada para o problema do lixo. A  coleta seletiva deveria ser uma regra e n\u00e3o uma exce\u00e7\u00e3o nos munic\u00edpios, pois  isso viabilizaria a reciclagem, ou seja, a reutiliza\u00e7\u00e3o de materiais. Lembramos  que o impulso para reciclagem adv\u00e9m de dois processos: a gera\u00e7\u00e3o de renda e o  amadurecimento de uma consci\u00eancia ambiental.<\/p>\n<p>Existe um ineg\u00e1vel trabalho realizado hoje no  Brasil pelos \u0093catadores\u0094 de materiais recicl\u00e1veis. Apesar do pequeno n\u00famero de  prefeituras que declaram que t\u00eam programas de coleta seletiva de lixo, eles  est\u00e3o presentes em todos os munic\u00edpios buscando no lixo uma fonte de receita  para a sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 necess\u00e1rio fazer do lixo um meio de gerar  renda e empregos. A Revista da Ind\u00fastria, publicada pela FIESP no m\u00eas de julho  de 2005, traz alguns n\u00fameros interessantes sobre a reciclagem, afirmando que o  aproveitamento de res\u00edduos j\u00e1 \u00e9 alto em alguns setores como, 97% em alum\u00ednio,  77,3% em papel\u00e3o ondulado e 40% em PET. <\/p>\n<p>O economista Sebetai Calderoni, em seu livro  \u0093Os bilh\u00f5es perdidos no lixo\u0094,  afirma que o Brasil perde anualmente  5,8 bilh\u00f5es de reais, porque deixa de reciclar o seu lixo urbano,  deixando claro que nosso \u0093lixo\u0094 vale muito e pode ser uma alternativa de renda  para muitas pessoas que se encontram desempregadas e at\u00e9 mesmo exclu\u00eddas do meio  social. <\/p>\n<p>Devo lembrar da compostagem da mat\u00e9ria org\u00e2nica  existente no lixo que pode se tornar um \u00f3timo adubo org\u00e2nico, mas sobre esse  tema comentarei em futura oportunidade. <\/p>\n<p>Em outro artigo que escrevi sobre o assunto  lembrei da liga\u00e7\u00e3o do lixo com a gera\u00e7\u00e3o de energia. Estudos mostram que a  mat\u00e9ria org\u00e2nica quando se decomp\u00f5e, produz o g\u00e1s metano (CH4) que \u00e9  um g\u00e1s poderos\u00edssimo de efeito estufa, pois \u00e9 21 vezes mais quente que o  CO2. Esse g\u00e1s metano \u0093solto\u0094 na natureza pode causar mudan\u00e7as  clim\u00e1ticas.  Infelizmente o Brasil \u00e9  um grande produtor de g\u00e1s metano. Das 180 mil toneladas produzidas por dia, 31%  \u00e9 abandonado a c\u00e9u aberto. Entretanto, o Minist\u00e9rio de Meio Ambiente fez uma  pesquisa analisando o lixo e os aterros de 91 cidades brasileiras onde constatou  que o potencial energ\u00e9tico a partir do g\u00e1s metano produzido por esses 91 aterros  \u00e9 o suficiente para atender a 6,5 milh\u00f5es de pessoas. <\/p>\n<p>No Brasil a falta de vontade pol\u00edtica  para solucionar o problema do lixo prevalece. Na maioria das cidades, n\u00e3o h\u00e1  estimulo para a coleta seletiva por parte do poder p\u00fablico. H\u00e1 pontos na  legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria que devem ser mudados para estimular a cria\u00e7\u00e3o de novos  neg\u00f3cios e novas empresas na \u00e1rea de reciclagem de produtos. Precisamos  incentivar a mudan\u00e7a nos percentuais de cobran\u00e7a do ICMS para empresas dessa  \u00e1rea, sem contar com as leis de atra\u00e7\u00e3o de novos empreendimentos empresariais,  especialmente das empresas que atuam junto \u00e0 reciclagem. <\/p>\n<p>Finalmente, al\u00e9m dos ganhos econ\u00f4micos que  destaquei neste artigo, temos os ganhos ambientais que s\u00e3o imensur\u00e1veis.<\/p>\n<p>* \u00c9 economista, professor universit\u00e1rio, mestre em Desenvolvimento Econ\u00f4mico pelo Instituto de Economia da Unicamp e doutorando em Din\u00e2mica e Meio Ambiente pela Universidade Estadual Paulista J\u00falio de Mesquita Filho (UNESP de Presidente Prudente &#8211; SP).<\/p>\n<p>marcalprofessor@yahoo.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mar\u00e7al Rog\u00e9rio Rizzo (*) Antes de dissertar sobre o lixo urbano, achei necess\u00e1rio escrever brevemente sobre as cidades. 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