{"id":10062,"date":"2012-08-21T15:12:57","date_gmt":"2012-08-21T18:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/a-saude-e-o-meio-ambiente-%c2%96-uma-ligacao-seria-3\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:57","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:57","slug":"a-saude-e-o-meio-ambiente-%c2%96-uma-ligacao-seria-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/a-saude-e-o-meio-ambiente-%c2%96-uma-ligacao-seria-3\/","title":{"rendered":"A sa\u00fade e o meio ambiente \u0096 uma liga\u00e7\u00e3o s\u00e9ria"},"content":{"rendered":"<p>Mar\u00e7al Rog\u00e9rio Rizzo (*),  Fernanda da Concei\u00e7\u00e3o Matoso (**) e  Eliz\u00e2ngela Cristina Martins Fernandes (***)<\/p>\n<p><em>O estado de sa\u00fade ou de doen\u00e7a de uma sociedade pode ter v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es, e isso j\u00e1 vem ocorrendo h\u00e1 milhares de anos.<\/em> <\/p>\n<p>O texto \u0093Sa\u00fade e ambiente\u0094 de autoria de Cristiane Maria Barcellos Magalh\u00e3es da Rocha e de Idael Christiano de Almeida Santa Rosa (Univ. Fed. de Lavras) contribui com esta afirma\u00e7\u00e3o dizendo que, h\u00e1 20 mil anos, o homem de Cr\u00f4-Magnon acreditava que as doen\u00e7as eram explicadas pela introdu\u00e7\u00e3o de maus esp\u00edritos e, portanto, as curas ocorriam com a realiza\u00e7\u00e3o de rituais de magia e po\u00e7\u00f5es para libertarem estes maus esp\u00edritos. O feiticeiro era o respons\u00e1vel pela busca da cura. <\/p>\n<p>J\u00e1 na Idade M\u00e9dia, o homem passou a entender que a sa\u00fade era uma d\u00e1diva de Deus e que a doen\u00e7a era um castigo divino. Em virtude disso, a religi\u00e3o se fortalece, os \u0093m\u00e9dicos\u0094 passam a ser vistos como sacerdotes e as curas como vontade divina.<\/p>\n<p>Ainda na Idade M\u00e9dia, com o aparecimento das feiras e dos burgos, h\u00e1 um incipiente processo de urbaniza\u00e7\u00e3o desordenado que favoreceu a aparecimento das pestil\u00eancias, pois n\u00e3o havia a infra-estrutura adequada para a viv\u00eancia urbana. <\/p>\n<p>Com o passar dos anos e ap\u00f3s muitos estudos realizados, o homem descobre os microorganismos (os parasitas e as bact\u00e9rias) e, j\u00e1 no s\u00e9culo XIX, descobre os v\u00edrus. Outra descoberta importante para os estudiosos da sa\u00fade \u00e9 que a exist\u00eancia de desequil\u00edbrios no ambiente pode levar o homem \u00e0 enfermidade. <\/p>\n<p>Deste modo, \u00e9 imposs\u00edvel discutirmos a sa\u00fade p\u00fablica sem falarmos da sustentabilidade ambiental, em especial do meio urbano. No caso do Brasil, a popula\u00e7\u00e3o das cidades tem aumentado de forma exagerada e ocupado o espa\u00e7o urbano de forma desordenada. Em 1945, a popula\u00e7\u00e3o que vivia nas cidades brasileiras correspondia a 25% da popula\u00e7\u00e3o total. J\u00e1 o censo demogr\u00e1fico do ano de 2000 mostra que a popula\u00e7\u00e3o urbana passou a representar 82% dos 169 milh\u00f5es de habitantes. O \u00eaxodo rural tem sido a principal causa do incha\u00e7o das cidades. A popula\u00e7\u00e3o, por falta de oportunidades no campo, vem para as cidades e ocupa o espa\u00e7o sem planejamento e controle.<\/p>\n<p>Agora, ser\u00e1 que o nosso sistema de sa\u00fade e de vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria acompanhou essa mudan\u00e7a brusca da sociedade? <\/p>\n<p>Uma mat\u00e9ria intitulada \u0093Jeca Tatu, o Retorno\u0094, publicada na Revista Carta Capital de 13 de junho de 2007, de autoria de Rodrigo Martins, vem apresentar o grave problema que a sa\u00fade p\u00fablica brasileira vem passando.<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria mostra que doen\u00e7as infecciosas e parasit\u00e1rias que deveriam estar erradicadas h\u00e1 d\u00e9cadas no Brasil v\u00eam ressurgindo. Isso tem ocorrido por falhas nos programas de vigil\u00e2ncia e controle, ou por neglig\u00eancia e \u0093falta de interesse da ind\u00fastria farmac\u00eautica, por n\u00e3o obter altas taxas de lucro combatendo as mesmas\u0094.<\/p>\n<p>Estamos presenciando, todos os anos, os novos surtos de dengue, de mal\u00e1ria, de hansen\u00edase, de tuberculose, de doen\u00e7a de Chagas e de leishmaniose visceral entre outras enfermidades. <\/p>\n<p>No entanto, h\u00e1 um fator agravante, j\u00e1 que estudos mostram que a ocorr\u00eancia de tais doen\u00e7as sempre \u00e9 mais comum em comunidades pobres, devido \u00e0s prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o, o que tornam as mesmas mais vulner\u00e1veis. A classe mais pobre \u00e9 a v\u00edtima das velhas patologias.<\/p>\n<p>Ainda, o texto de Rodrigo Martins vem ao encontro da necessidade de investimentos em infra-estrutura, uma vez que os dados do \u0093Relat\u00f3rio de Desenvolvimento Humano 2006, feito pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), 25% da popula\u00e7\u00e3o brasileira (ou 51,8% dos domic\u00edlios) n\u00e3o t\u00eam acesso ao esgoto ou \u00e0 fossa s\u00e9ptica. A coleta de lixo tamb\u00e9m \u00e9 benef\u00edcio para poucos. Apenas 36% das casas contam com o servi\u00e7o\u0094.<br \/>\nNo caso de enfermidades como a leishmaniose e da dengue t\u00eam liga\u00e7\u00e3o direta com a limpeza p\u00fablica. Matagais e \u00e1reas que acumulam contribuem diretamente para o aumento de casos de leishmaniose e a \u00e1gua parada em recipientes amplia o n\u00famero de casos de dengue. Existem falhas nos programas de controle e vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Entretanto, a popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o faz a sua parte, pois joga lixo em lugares inadequados, deixa acumular \u00e1gua em recipientes, n\u00e3o limpa os terrenos baldios entre outras a\u00e7\u00f5es. A informa\u00e7\u00e3o junto da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia, pois a falta de conscientiza\u00e7\u00e3o s\u00f3 traz agravantes. <\/p>\n<p>Outro fator que dificulta a melhoria da sa\u00fade p\u00fablica do Brasil \u00e9 a escassez de recursos, que acaba retardando o diagn\u00f3stico, fato que, em algumas doen\u00e7as, como a hansen\u00edase, diminui as chances de o tratamento surtir efeito ou, no pior dos casos, n\u00e3o h\u00e1 nada a fazer.<\/p>\n<p>Este problema de escassez de recursos com a sa\u00fade p\u00fablica \u00e9 algo antigo. Rocha e Santa Rosa (no texto \u0093Sa\u00fade e ambiente\u0094) mostram que \u0093os gastos com sa\u00fade eram, por\u00e9m, irris\u00f3rios. O or\u00e7amento de 1889 destinava \u00e0 higiene p\u00fablica parcos 597 contos de r\u00e9is, o que correspondia a 0,4% do or\u00e7amento, enquanto eram destinados 19,6% para a Marinha e Guerra, 37% para vias f\u00e9rreas [&#8230;]\u0094.  <\/p>\n<p>Devemos lembrar que a ind\u00fastria farmac\u00eautica tamb\u00e9m possui sua parcela de culpa, por n\u00e3o dar a devida aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pesquisas de novas drogas e medicamentos para essas enfermidades, pois n\u00e3o geram um lucro t\u00e3o alto, uma vez que os governos e a iniciativa privada direcionam os investimentos \u00e0s pesquisas que geram altos lucros.<\/p>\n<p>Os homens p\u00fablicos de plant\u00e3o devem olhar com mais aten\u00e7\u00e3o para as a\u00e7\u00f5es que envolvam o meio ambiente e sa\u00fade. \u00c9 ineg\u00e1vel que exista uma liga\u00e7\u00e3o \u0093umbilical\u0094 entre essas \u00e1reas, pois o meio ambiente \u00e9 o gerador de sa\u00fade ou de doen\u00e7a de uma sociedade!<\/p>\n<p>* \u00c9 economista, professor universit\u00e1rio, mestre em Desenvolvimento Econ\u00f4mico pelo Instituto de Economia da UNICAMP e doutorando em Din\u00e2mica e Meio Ambiente pela Universidade Estadual Paulista J\u00falio de Mesquita Filho (UNESP) Campus de Presidente Prudente (SP).<\/p>\n<p>** Acad\u00eamica do curso de Administra\u00e7\u00e3o na Universidade Federal da Grande Dourados\/MS (UFGD).<\/p>\n<p>***  Graduada em An\u00e1lise de Sistemas pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e acad\u00eamica do curso de Administra\u00e7\u00e3o na Universidade Federal da Grande Dourados\/MS (UFGD).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mar\u00e7al Rog\u00e9rio Rizzo (*), Fernanda da Concei\u00e7\u00e3o Matoso (**) e Eliz\u00e2ngela Cristina Martins Fernandes (***) O estado de sa\u00fade ou de doen\u00e7a de uma sociedade pode ter v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es, e isso j\u00e1 vem ocorrendo h\u00e1 milhares de anos. 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