A viola de cocho é uma característica marcante da cultura mato-grossense, uma vez que está presente nas principais manifestações populares da região, como o cururu, siriri, a dança de São Gonçalo, o rasqueado e as festas religiosas tradicionais. Todas essas manifestações são constantemente difundidas nacionalmente e internacionalmente, de forma a exaltar as raízes mato-grossenses.

Devido a sua importância, a viola de cocho foi reconhecida como Patrimônio Imaterial Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Este registro significa o reconhecimento oficial por parte da República Federativa do Brasil do valor cultural de uma determinada expressão humana para a construção da identidade nacional.

Por estas razões, escolhemos esse ícone para criar a identidade do CREA-MT, vinculada ao Estado de Mato Grosso, surgiu à ideia de utilizar um ícone que representasse o Estado, sem privilegiar nenhuma profissão cadastrada no Conselho.

 

História

A viola de cocho é fabricada também de outras madeiras, como a mangueira, cajá manga, imbiruçu, consideradas madeiras macias, onde proporciona uma excelente ressonância. As cordas são de tripas, normalmente de macacos, ouriços que eram as melhores e sua durabilidade não era tão duravel quanto a linha de pescar. Pois as cordas das tripas de animais logo começava a esfarelar e partia devido o seu ressecamento. A linha de pescar oferece uma ressonancia melhor acompanhada do canutilho, a quarta corda de violão.

De origem portuguesa, a viola-de-cocho abrasileirou-se na madeira, nas cordas e no jeito de tocar e é hoje uma característica marcante da cultura mato-grossense e sul-mato-grossense. É endêmico do Pantanal e deu vida aos ritmos pantaneiros: o cururu e o siriri, que são usados para celebrar os folguedos populares onde homens, mulheres e crianças se juntam sob a igualdade de uma cultura que já ultrapassa um centenário.

É usada também em manifestações populares da região, como a dança de São Gonçalo, folião, ladainha, rasqueado limpa banco (ou rasqueado cuiabano), e em festas religiosas tradicionais realizadas por devotos associados em irmandades.

Existem relatos sobre a viola desde o fim do século XIX, quando o cientista alemão Karl von den Steinen descreveu as festas religiosas do Pantanal, onde se cantava o cururu. No Brasil, as origens são pouco claras: acredita-se que tenha vindo de São Paulo, acompanhando a expansão bandeirante para a região centro-oeste.

Com a chegada da televisão e do rádio na região, por volta dos anos 1950, a viola-de-cocho começou a perder a popularidade entre a comunidade local, que a produzia de forma artesanal.

Esse processo quase levou à extinção do instrumento. A arte de esculpir e tanger violas de cocho é de domínio, em geral, de pessoas de mais idade. Com a chegada da televisão, por volta da década de 50, seu uso foi ficando cada vez mais restrito às área mais distantes das cidades.

Mas nos últimos 15 anos, a viola- de-cocho voltou a ser um dos instrumentos mais populares de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Parte dessa reviravolta aconteceu por conta de iniciativas pessoais e institucionais, como os trabalhos de Julieta Andrade, do músico e pesquisador Roberto Corrêa e, também, de Abel Santos Anjos Filho, músico e professor da Universidade Federal do Mato Grosso. A pesquisadora Julieta Andrade publicou importante trabalho intitulado “Cocho Mato-Grossense” no qual faz uma genealogia do instrumento. Roberto Corrêa pesquisou a viola de cocho já na década de 1980, em trabalho publicado pelo, então, Instituto Nacional do Folclore, juntamente com a pesquisadora Elizabeth Travassos. Abel Santos esteve em Brasília para lançar o livro “Uma Melodia Histórica”, no qual explora as raízes da viola-de-cocho e conta a história do instrumento desde antes da chegada ao Brasil.

Em janeiro de 2005 o Ministério da Cultura, seguindo as diretrizes da atual Política de Patrimônio Imaterial do governo brasileiro, promoveu o “Registro” do Modo de Fazer a Viola de Cocho como Patrimônio Imaterial do Brasil. O registro equivale, para o patrimônio imaterial, à figura jurídica do tombamento para os bens culturais de natureza material. Com a implementação da atual política o governo brasileiro vem registrando inúmeros bens culturais de natureza imaterial em todas as regiões brasileiras. Apesar da primeira menção histórica sobre viola de cocho ser, segundo a assessoria de comunicação do Ministério da Cultura, em nota naquela data, no final do século XIX, sua importância para a cultura popular da região matogrossense e pantaneira é grande por se tratar de um instrumento completamente adaptado ao ambiente e às circunstâncias locais.

 

Fonte: WIKIPEDIA